Imagens por mil palavras
Etiquetas: Animação Missionária, Baptismo, Combonianos, Kacheliba, Missionários, North Pokot, Quénia
"Deus é Amor!" é a tradução do nome deste blog en swahili, língua oficial do Quénia, onde vivo desde Novembro 2008 e vivi entre 1997 e 2002. No mundo de hoje, onde Deus está associado tantas vezes a fanatismo e a algo que só diz respeito a cada pessoa, é necessário gritar bem alto que Deus só sabe AMAR. Assim é o Deus de Jesus Cristo, o Deus dos Muçulmanos ou até mesmo Tororot, o Deus do povo Pokot do Quénia. Porque afinal... é de AMOR verdadeiro que o mundo hoje mais necessita...
Etiquetas: Animação Missionária, Baptismo, Combonianos, Kacheliba, Missionários, North Pokot, Quénia
Aspecto da procissão nupcial
Como bons africanos a dita “procissão” devia deslocar-se por uns 30 metros entre a cabana “esconderijo” e a cabana onde as negociações tomaram lugar. Normalmente não toma 2 minutos a percorrer esse espaço. Mas neste dia, passo à frente e passo atrás (de dança!) foram uns bons 20 minutos! Por fim a noiva lá entrou na cabana. Mas o encontro com o noivo não tinha chegado ainda. As raparigas, “damas de honor”, continuaram a dançar cá fora. Cada uma é chamada para ir buscar um dos “amigos do noivo” para que venham diante das moças a cantar e dançar. Ali há um diálogo de cantos procurando dizer se estes “amigos e amigas dos noivos” são por acaso os noivos! É claro que antes que todos acabem de perfilar e serem “julgados” diante das cantoras e dançarinas passa mais meia hora!
Por fim... juntos!
Aqui todos os convidados vão também oferecer os seus presentes. Mais uns 10 minutos de “procissão” a cantar e dançar (mesmo com a chuva a encharcar). Tocou-me a mim e ao catequista que estava comigo abrir as hostes com uma oração e umas palavrinhas. Foi um momento muito bonito e também de evangelização. Isto porque lemos um texto de S. Paulo sobre a vida em casal. Pois claro que se seguiram umas palavrinhas explicativas.
Um outro dia cruzando o rio a pé até ao carro
Foi necessário ir procurar uma outra boma para deixar o carro até ao dia seguinte. Atravessámos o rio a pé onde já nos esperava o meu colega Hubert do outro lado do rio com o outro carro. No dia seguinte levei o meu colega a esse mesmo rio, atravessou-o a pé, tomou o carro, foi celebrar a uma capela perto dali e, no final da tarde, já o meu colega pôde regressar e atravessar com o carro pois já não havia água no rio.
E é assim a vida que todos os dias vamos encontrando e agradecendo a Deus. Aventuras que depois de 2 ou 3 vezes já o deixam de ser e passam a ser mais bem “trabalhos” pesaditos depois de um dia de visita às comunidades!
Escrito em 30 Abril 2010
Etiquetas: Animação Missionária, Combonianos, Dia Mundial das Missões, Missão, Missionários, Outubro Missionário, Testemunho, Vida Missionária, Vocação
Lá onde o Evangelho acaba de chegar
Em toda a minha vida missionária, este foi o meu primeiro Dia Mundial das Missões que vivi como missionário em pleno “terreno missionário”, entre este meu povo querido, os Pökot. Todos os outros anos tinha-os vivido ou em Nairobi, capital deste país (durante os meus estudos de teologia) ou em Portugal, terra missionária também mas, convenhamos, de características distintas! E não podia ter sido mais bonito e realizador.
Tocou-me celebrar a Eucaristia hoje numa das nossas capelas mais recentemente abertas: Lokelelïan a escassos 2km da fronteira com o Uganda.
A capela ou a Igreja… bom… essa foi construída pelos próprios cristãos deste lugar: uns ramos de sisal servem de paredes e uns ramos já secos protegem um pouco do sol tórrido destas paragens. Cristãos propriamente ditos (baptizados) não há muitos. O facto de a poligamia ser praticada por este povo faz com que muitos “cristãos de coração” não possam receber o baptismo. No entanto, não deixam de estar presentes e de rezar cada semana nesta que é a sua Igreja.
Muitas das pessoas começaram mesmo a escutar há muito pouco tempo a Palavra de Deus e o facto de Deus se ter feito Homem em Jesus Cristo. Töroröt, como conhecem e chamam a Deus desde há séculos, esse é bem mais “conhecido”. Mas o Deus Pai de Jesus Cristo e da bíblia, esse, é ainda demasiado recente por estas terras para que mesmo os cristãos baptizados O possam conhecer verdadeiramente.
A alegria que paira no ar
Lokelelïan fica a cerca de 1h15m do centro da missão em Kacheliba. 45 minutos de 4x4 e outros 30 minutos a pé. Sim porque os últimos 6 km demoram “apenas e somente” 30 minutos a percorrer tal é o “tapete” todo o terreno que temos que atravessar. Ainda antes de chegar ao local onde deixar o carro para depois caminhar, já estavam dois cristãos à minha espera. Um mais jovem que o outro. Tinham vindo arranjar a estrada em alguns lugares para que tivéssemos menos problemas em passar. Graças a Deus, mesmo que fora de época para as colheitas, as chuvas parecem estar a chegar e tem já chovido em alguns lugares. Era o caso de Lokelelïan. Por isso todo o cuidado é pouco para não se ficar encalhado na lama.
Ainda ao longe já se escutavam as batidas dos tambores e os cantos dos cristãos que já se encontravam na capela. À chegada a alegria do costume e sempre tão renovadora e nova, distinta! Li nos rostos sorridentes e no ritmo das palmas uma alegria verdadeira e sincera pela chegada do missionário.
A missão é dar e receber
Na sua mensagem para este Dia Mundial das Missões o Papa lembrava (assim como as leituras da eucaristia de hoje) que o trabalho do seguidor de Jesus não é outro senão aquele do Serviço. E assim mesmo me senti hoje com estes cristãos amigos de Lokelelïan. Depois da celebração da missa (cerca de 2 horas), sempre cheia de vida e de alegria, entre o meu arranhado Pökot e o Kiswahili (celebramos a missa em 2 línguas, imaginem!), pela segunda vez consecutiva na visita a esta capela, é “pecado mortal” virar costas sem pelo menos tomar um chazinho à moda do Quénia. Confesso que a hospitalidade desta comunidade (como muitas outras também) ensinariam a muitos de nós, ditos civilizados, as boas maneiras de hospedagem. É a “boma” (conjunto de várias cabanas onde a família Pökot vive) da Mama Lilian, uma das primeiras cristãs desta comunidade. Um sorriso sempre lindo e acolhedor. Uma profundidade no seu olhar sereno e confiante. Eu até estava com um pouco de pressa para regressar à missão, mas de nada me valeu… depois do chazinho (também partilhado com os outros cristãos) presentearam-me com uma garrafa de Sprite, algo bem raro nestas paragens e sobretudo naquele local da nossa missão.
A casa do catequista construida pouco a pouco
Terão caminhado alguns kms para acompanharem o prato de feijão e milho cozidos com esta pequena-grande carícia. Missão é sem dúvida um dar e receber. Dar e dar-se assim como Jesus; receber talvez não tanto valores materiais mas gestos muito simples e sinceros destas pessoas que valem por milhões! Gestos que demonstram que é no dar e receber que nós cristãos encontramos verdadeiramente a felicidade.
Com estudantes que me acompanharam hoje na "Boma"
Com um coração cheio de bênçãos de Deus e destes gestos tão simples e tão enriquecedores é feita a vida do missionário; sentimentos compensadores de outras tantas desventuras e dificuldades que também são parte do dia a dia da missão. Mas… como dizia, S. Daniel Comboni, “as obras de Deus nascem aos pés da Cruz” – lugar de desolação e sofrimento mas também lugar do nascimento da Vida plena em Deus!
Para todos vós uma boa continuação do mês missionário sempre sem se esquecerem que de facto, todos nós temos e devemos e somos de facto missionários do Amor do Pai.
Etiquetas: Africa, Combonianos, Dia Mundial das Missões, North Pokot, Quénia, Tribo Pokot
Visita a uma das capelas com as crianças da pré-primária na sua sala de aulas debaixo da árvore!
Quando chegámos estavam a preparar uns frutos selvagens que é a comida que têm nestes dias em casa. Graças a Deus as crianças têm assegurada uma refeição na escola de milho e feijão misturados. Mas há outros que não vão ainda à escola... estes frutos selvagens custam a preparar e só no dia seguinte iriam estar comestíveis... pelo que nesse dia, como em tantos outros, iriam deitar-se com o estômago vazio. Acabei por deixei-lhes o equivalente a 1 euro que é suficiente para comprar 2 quilos de milho e que os ajudará a ter uma refeição à noite por 2 ou 3 dias! Situações que, contadas a muita da gente jovem nos países desenvolvidos, não dá para acreditar!
Apesar de tudo nesse dia regressei feliz e realizado para casa... feliz pelo dom da vocação missionária a que Deus me chamou.
A anterior capela de Lokomolo
Um domingo nas comunidades
Hoje, domingo, fui celebrar a uma comunidade chamada Lokomolo. À minha chegada foi-me dito que se esperavam outras pessoas de duas comunidades/capelas “próximas”. Próximas no conceito Pökot, pode significar que estavam a cerca de 2 horas de caminho a pé! Lógico que em vez de começarmos às 10.30, a celebração começou já perto do meio dia. É o horário africano que olha mais para o tempo em quantidade do que a quantidade do tempo. Celebrámos numa das salas de aulas da escola ali construída pela Missão. A capela, ainda recente, ficou sem o tecto devido a um temporal há cerca de um ano. Desde então, estamos a tentar organizar-nos junto com as pessoas para podermos repor o telhado de chapa de zinco… São muitas as despesas que temos e nem sempre chega para tudo ao mesmo tempo! Assim que é necessário ir esperando também pela providência!
Devo dizer que a um dado momento, contando as criancinhas pequeninas e bem irrequietas, estaríamos umas 80 pessoas naquela “capela” improvisada. A grande maioria, uma vez mais, não baptizados. Para a comunhão aproximaram-se apenas umas 20 pessoas.
Mas este, foi um dia especial: sem contar e sem me ter preparado convenientemente, foi-me pedido pelos catequistas que celebrasse a missa em língua local Pökot. Normalmente celebrava em língua kiswahili. Nunca o tinha feito antes na língua local e, mesmo a ler, é bem distinta do kiswahili e bem mais difícil. Lancei-me! Nos momentos justos, as pessoas lá iam respondendo à missa, sinal que a minha pronúncia ia sendo entendida pelo menos em parte. Mas devo confessar que me custou. Claro que a homilia foi em kiswahili e traduzida pelo catequista, mas… foi uma experiência mais que me ensinou que o Espírito de Deus é aquele que trabalha nas pessoas, muito para além das nossas próprias capacidades ou especialidades!!!
Entre o meu falar Pökot meio enrascado, o choro intercalado das crianças e o entrar e sair de algumas das pessoas por razões que não conseguia escrutinar, a verdade é que a aparente apatia dos cristãos durante as celebrações em muitas das nossas paróquias na Europa, por e simplesmente aqui não existe. Em muitos momentos foi mesmo necessário parar a homilia para que as crianças fossem atendidas (normalmente com a mamita da mãe… fim do pio!) ou que as pessoas que entravam se acomodassem. Definitivamente… celebrações bem distintas e diferentes das nossas liturgias europeias tantas vezes cheias de “pompa e circunstancia”.
No final da missa (que ainda assim durou 2 horas), há lugar a discursos e boasvindas aos visitantes das outras capelas; depois o chazinho queniano do costume. Entre isto e mais aquilo, deixei a capela de regresso à Missão já depois das 3 da tarde.
Mais um dia feliz na vocação a que Deus me chamou. Conto, como sempre, com a vossa oração, sobretudo, para que Deus nos envie o dom das chuvas, tão escassa e tão necessária para a sobrevivência destes povos.
Escola de Lokomolo construída pela Missão lugar da celebração da Eucaristia
“Pensamentos do meu diário”
Kacheliba, Pökot Norte – Quénia
12 de Julho 2009
Etiquetas: Animação Missionária, Combonianos, Kacheliba, Kenya, Missão, Missionários, Quénia, Tribo Pokot