Imagens por mil palavras
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"Deus é Amor!" é a tradução do nome deste blog en swahili, língua oficial do Quénia, onde vivo desde Novembro 2008 e vivi entre 1997 e 2002. No mundo de hoje, onde Deus está associado tantas vezes a fanatismo e a algo que só diz respeito a cada pessoa, é necessário gritar bem alto que Deus só sabe AMAR. Assim é o Deus de Jesus Cristo, o Deus dos Muçulmanos ou até mesmo Tororot, o Deus do povo Pokot do Quénia. Porque afinal... é de AMOR verdadeiro que o mundo hoje mais necessita...
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Finalmente... o dia do meu baptismo
Ao aproximar-se o Domingo da Ressurreição de Jesus, são muitas as actividades na missão de Kacheliba. Uma das actividades é o curso de formação final para os catecúmenos. Realizou-se na semana passada em 3 locais da nossa (extensa!) paróquia. Aqui no centro da missão cerca de 80 adolescentes e jovens receberam as últimas instruções preparatórias para o Baptismo. Ao todo, em toda a paróquia, são mais de 170 adolescentes, jovens e adultos que serão baptizados neste tempo Pascal. Estes catecúmenos finalizaram um programa de catequeses de 2 anos e vêem agora o dia do seu baptismo chegar. É grande a alegria estampada no rosto de muitos destes catecúmenos... percebe-se que receber o Baptismo significa algo importante para as suas vidas.

Algumas das adolescentes catecúmenas
Junto dos que ainda não O conhecem
O meu tríduo Pascal este ano foi realizado numa das nossas capelas mais antigas da Missão chamada Kodich. Fica a uns 30km norte do centro Kacheliba. Ali tínhamos um grupo de 48 catecúmenos no curso final de preparação para o Baptismo. Desde 4ª feira até sábado receberam as últimas catequeses. Na 5ª feira santa presidi à Última Ceia do Senhor e 4 adolescentes receberam a comunhão pela primeira vez. Tinham sido baptizados quando eram bebés. Obviamente que antes da celebração receberam o sacramento da Reconciliação (pobremente apenas conhecido como “confissão” por muitos!). Um deles, um jovem já crescido, não comunicava sequer em swahili. Só mesmo a língua local Pökot. Já imaginam... eu já “pesco” umas coisas da língua local, mas escutar a sua confissão foi de facto um acto de fé da minha parte! Aliás, não é a primeira vez que isso me acontece.
Depois da celebração passamos o filme sobre a vida de Jesus ao ar livre. São muitas as pessoas, cristãos e não cristãos, que comparecem. Claro que a electricidade essa só mesmo com o gerador. Mas... (in)felizmente passada cerca de 1 hora chegou uma surpresa: a chuva! Chuva aqui é sempre uma benção até porque este ano ainda não tinha chovido. Porém... toda a aldeia em peso teve que “fugir”. E a chuva, sempre tão abençoada nestas paragens, acabou por estragar a “festa”. Mas havia mais no dia seguinte...

Na sexta feira santa a celebração da adoração da Cruz começou às 3 da tarde. Pelo meio a Via Sacra que foi percorrida nas ruas da aldeia. E que forma mais eficaz de anunciar a Morte e Ressurreição de Jesus. No regreso à capela eramos já quatro vezes mais pessoas na capela! Seguiu-se o filme da paixão de Cristo. Desta vez fomos acolhidos no salão da escola primária recentemente construído. Veio de novo a chuva mas desta vez estavamos bem acolhidos. Vários cristãos me disseram que nessa noite não ficou ninguém em casa em toda a aldeia. Não os contei mas deveriam ser seguramente mais de 300 pessoas!
O sábado Santo foi o culminar das celebrações... sempre muito adaptadas à realidade local pois claro! 15 baptismos: 10 adolescentes e 5 mulheres adultas. Confesso que a alegria, a concentração e a profundidade de alguns destes neófitos deixaram no meu coração um sentimento de que Deus toca de verdade a vida destas pessoas. Mas nem as quase 5 horas de celebração cansaram esta gente. O filme desta vez foi sobre S. Pedro e os primeiros cristãos após a ressurreição de Jesus. Foi pena que quase a acabar o filme o meu gerador ficou sem “zagolina”! Nada a fazer... ainda assim já cheguei a casa quase às 3 da manhã – contente por Deus me dar a oportunidade de ser sua testemunha da Ressurreição junto deste povo.

Liturgias mais ou menos litúrgicas
Devo confessar que as liturgías entre este povo que apenas começa a conhecer Jesus, são tudo menos “ao pé da letra e da rúbrica”! O silêncio, parte tão fundamental da litúrgia para a assimilação do que se celebra é algo que aqui fica um pouco de lado. Para o Pökot tudo o que se relaciona com Töroröt (Deus para este povo) significa entrar na esfera da celebração. Não quer isto dizer que as celebrações deixam de ser menos vividas, menos sentidas. São apenas e essencialmente diferentes. São o espaço de expressão alegre do que acreditam desde há séculos. São sentimentos tradicionais depois trazidos para a liturgia cristã. Com mais ou menos silêncio, com mais ou menos incenso, com mais ou menos ordem e regras litúrgicas, a Ressurreição de Jesus entrou já na vida e no coração de vários cristãos Pökot. É a força da Vida, da Boa Nova da Ressurreição que renova e faz novas todas as coisas em Cristo.

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Por vezes isto é mesmo um grande desafio: algumas vezes os padrinhos têm que ser os mesmos para quase todos… como por exemplo, amanhã (30 de Abril) vou a uma das nossas capelas que é mais distante… não tanto em distancia mas sim em tempo para lá chegar: 1h 15m. Isto porque as estradas, ou se quisermos as picadas, não são nada famosas. Estamos em plena época das chuvas e cada vez que saímos é uma aventura! Aqui em Kacheliba o rio voltou a fazer das suas e transbordou e a água chegou mesmo a passar sobre a ponte… no caminho destruiu parte da estrada e ainda algumas casas de pessoas ali do centro, algumas tinham as suas lojazitas de vender algumas coisitas… muitos dos produtos foram por água abaixo.
Na "boma" duma comunidade
Ainda ontem tive um pouco de problemas em passar um dos leitos de um rio no caminho para uma capela. É que o rio quando passa deixa as margens como paredes… ontem foi preciso ir pedir uma enxada para aplanar as margens do leito do rio de modo que pudesse passar. Depois de umas tentativas a coisa lá foi.
Um outro problema que dizia acima é que em algumas capelas os cristãos baptizados são bem poucos. Como a que vou amanhã… estamos mesmo nos começos e por isso os padrinhos acabem por ter de ser sempre os mesmos para quase todos os baptizados. Mas creio que são momentos importantes e lindos para as pessoas.
Nestes dias tivemos 3 encontros simultâneos de catecúmenos. Ao todo os adolescentes são quase 200. Como é tempo de férias (ainda depois do 1º trimestre), podemos fazer os encontros de catecúmenos e formação usando as instalações das escolas. Começámos no domingo à tarde e terminou esta manhã. Este trabalho não o podemos fazer sem os catequistas. Assim um grupo (de cerca de 85) reuniu-se aqui em Kacheliba. Outro numa das capelas a sul – Serewo – a 25km daqui e onde fui todos os dias para celebrar a missa à tarde e à noite passar um filme sobre a bíblia que acompanha as catequeses. Ali estavam cerca de 45. Uma outra capela a norte da paróquia – Kodich – também com uns 55, com o mesmo sistema e onde foi o meu colega Hubert. Já regressávamos sempre depois das 11 da noite! Mas graças a Deus correu bem ao que parece e é sempre uma alegria poder assim ver a vida que floresce nestes cristãos do amanhã.
Depois de amanhã começamos o encontro de fim de semana com os jovens da paróquia. São sempre mais de 100! E terminaremos no domingo. Logo de seguida mais uma semana de formação e encontro com os catequistas aqui na paróquia.
Escrito em 28 de Abril 2010
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O casal Sakal à esquerda com os seus padrinhos de casamento
Naquele dia queriam juntar todos os seus afilhados de Baptismo, de Crisma e de Casamento. Ao mesmo tempo convidaram os seus padrinhos de Baptismo, de Crisma e de Casamento também. Num local onde os “católicos praticantes” - isto é, “comungantes” - são poucos, podemos já imaginar que o casal Sakal foi chamado a apadrinhar muitas crianças, jovens e ainda alguns matrimónios.
Nesse dia, toda a vizinhança teve um dia de festa. E festa aqui significa também uma refeição melhorada com um pouco de arroz e carne, algo bem raro nas dietas diárias deste povo.
Foi lindo o momento em que o casal apresentou todos os seus afilhados uns aos outros. Ainda emocionante foi ver o gosto com que no final da missa apresentaram a todos os presentes os seus padrinhos de Baptismo, de Crisma e de Casamento.
Um aspecto de toda a assembleia
A razão de tanta festa saída das próprias palavras do casal deixa qualquer missionário contente com o empenho desenvolvido ao longo dos anos na missão. Disseram: “quisemos juntar-nos hoje somente para aprofundarmos o que significa ser padrinho ou madrinha da fé que nasce em cada um de nós. Queremos que na nossa paróquia sejamos mais e mais conscientes do que realmente significa apadrinhar ou apoiar alguém na sua caminhada de fé na igreja.” Confesso que fiquei surpreendido e maravilhado como Deus vai realizando tantas maravilhas no meio deste povo que apenas há 35 anos começou a escutar a Palavra de Deus.
Preparando a comida
Um “espinho duro” no coração
Um dos momentos mais difíceis para mim na missão até hoje aconteceu no início de Março deste ano. Aquilo que era previsto ser uma greve dos alunos da escola secundária masculina (aqui mesmo ao lado da missão) acabou por ter contornos bem dolorosos.
O dia ainda começava a clarear quando fomos despertados aqui na missão por gritos. Os estudantes tinham começado a atirar pedras e a bater no director da escola. Corremos eu e o meu colega P. Hubert. Ao chegarmos demos com uma multidão de estudantes enfurecidos a destruir o escritório do director com ele lá dentro. Alguns mesmo batiam-lhe com paus arrancados dos ramos das árvores do recinto da escola. Imediatamente acudimos o Director da escola e tentámos defendê-lo da fúria enraivecida dos alunos. Não os conseguimos acalmar mas pelo menos conseguimos defender o pobre Director de ficar mais ferido ou mesmo de o chegarem a matar. Eu não acreditava no que via à minha frente. Quase 2 centenas de estudantes que mais pareciam guerreiros com pedras e paus nas mãos, prontos para avançar não fosse eu e o meu colega estarmos entre eles e o Director. Em vão corria eu à frente dos rapazes tentando acalmá-los. Pelo contrário, tentavam ludibriar-me para chegar até ao escritório do Director onde estava também o meu colega P. Hubert. Tomou 30 minutos à polícia para chegar para que os estudantes dispersassem da escola. Esse dia foi muito longo pois logo se sucederam reuniões de emergência para ver o que fazer a seguir. A escola foi encerrada por uma semana. Foi a semana mais dura desde a minha chegada à missão. Tudo porque todos os dias dessa semana foram necessários para reuniões com uma espécie de Conselho Escolar onde pais, autoridades locais, professores e o “patrocinador” da escola (a paróquia da Missão) estamos presentes. Depois foi necessário receber cada um dos estudantes um a um para tentar perceber os motivos da rebelião. Acabámos por expulsar 8 alunos da escola e mandar outros 7 de suspensão por 2 semanas. Alunas da escola secundária para raparigas
recentemente aberta em Serewo
O mais doloroso foi aperceber-me que o motivo profundo e trágico deste grave acontecimento é o tribalismo. Os Pökot começaram a enviar os seus filhos para a escola de uma forma mais geral apenas há uns 10 anos a esta parte. Há muito poucos naturais preparados para assumir cargos como professores, médicos, enfermeiros e mesmo pessoal técnico dos mais diversos campos. Por isso, há muitas outras pessoas de outras tribos que aqui prestam serviços como professores, médicos, enfermeiros. Parece que neste momento os políticos locais começaram uma campanha de querer mandar todos os não-Pökot de outras tribos para fora deste local. O mais duro e puro tribalismo. Estou plenamente convencido que é uma campanha que começa no próprio representante Pökot no governo, uma espécie de governador do distrito. Algo grave que apenas nos mostra que ainda há muito trabalho para fazer até chegar ao coração dos Pökot com as palavras de Jesus: amor ao próximo, perdão e comunhão… Apesar de dura, esta experiência apenas me confirma que este é o lugar certo para onde Deus me enviou no momento justo e na altura certa: a missão é testemunho da Verdade, do Amor e da Compreensão. Para mim, estas são razões mais do que suficientes para querer continuar aqui a servir o Reino de Deus – a missão a que Deus me enviou!
Ainda assim… o triunfo da VIDA!
Esta Páscoa foi a primeira passada aqui na missão de Kacheliba. O ano passado encontrava-me a terminar o curso da língua swahili na Tanzania. E claro que foi bem especial…
Todos já escutámos como a Páscoa vivida na missão é sempre especial. Se esperamos celebrações litúrgicas seguidas à risca pelos cânones litúrgicos pois essas não as encontramos aqui. E talvez isso seja mesmo aquilo que torna a vida da Igreja em África… digamos que… diferente!
O sistema eléctrico à doc
Deus é sem dúvida o Deus das surpresas… boas e também as menos boas. É que em todas elas Ele nunca deixa de nos abençoar: nas boas enche-nos de alegria; nas menos boas dá-nos a sua força e coragem para enfrentarmos cada dia com o entusiasmo e a alegria da VIDA NOVA da RESSURREIÇÃO – ALEGRIA, PAZ, AMOR MÚTUO E ENTREGA DA VIDA PELOS OUTROS.
Grupo de adolescentes baptizados em Simotwo no dia de Páscoa
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Instrumento da Graça de Deus
O Natal de 2009 vai ser por mim recordado como o Natal em que celebrei o sacramento do Baptismo pela primeira vez em África. Baptismo de crianças até aos 5 anos. Talvez alguns possam perguntar: mas o que é que há de diferente? Essencialmente nada. Mas se pensar que para as crianças que baptizei tenha sido a primeira vez que viram um sacerdote, talvez comecemos a ver algumas diferenças. Se pensar ainda que todos estes baptismos foram celebrados no meio de comunidades onde a maioria das pessoas não são sequer baptizados, este momento obtém ainda mais significado.
Uma das crianças baptizadas na noite de Natal
Pensando ainda que estas crianças pertencem somente à 2ª ou 3ª geração de cristãos em terras Pökot, a importância ganha ainda mais sentido. Pensar, por fim, que algumas destas crianças talvez não cheguem à idade adulta devido à alta taxa de mortalidade infantil neste cantinho da África, faz com que me sinta um privilegiado em poder ser um instrumento da graça de Deus para estas crianças e suas famílias.
Para a maioria destas crianças, são as mães as grandes interessadas em baptizar os filhos. Os pais, em raros casos baptizados eles próprios, geralmente deixam a educação dos filhos entregue às mães. Há excepções. Com certeza que sim! E começam a ser cada vez mais pouco a pouco.
No dia de Natal durante a missa
Noite de Natal – quase à luz da vela
Na noite de Natal celebrei a missa numa capela chamada Kitelakapel, uns 25km do centro da missão. Deus abençoou-nos nestes dias com chuva, uma raridade nestas paragens. A noite estava fresca… temia que as pessoas não viessem para a celebração. Mas os meus medos foram infundados. É certo que a celebração deveria começar pelas 8 da noite. Mas como de noite não há sol, é difícil para as pessoas saberem bem ao certo as horas do dia… da noite, neste caso! E depois… pressas para quê? Festa é festa! Celebrar com propriedade é algo que os africanos sabem fazer muito bem.
Baptismos durante o Dia de Natal em Konyao
Comigo estava o Ir. Eduardo, português de “gema” como eu. Está a estudar em Nairobi e foi bonito termos passado o Natal juntos. Juntos chegámos e a primeira coisa foi montar o sistema de electricidade ligado a uma bateria e um “inverter”. Bom… chamar “sistema de electricidade” a uns cabos com 2 lâmpadas ligados a uma máquina que transforma 12volts de uma bateria para 220volts é um nome pomposo. Mas lá conseguimos com uns fios e uns troncos de árvores arranjados no local a servir de postes. Luz já tínhamos… mas a verdadeira LUZ, Jesus Cristo, esse estava a chegar!
Depois de esperar pelos pais que iam baptizar as crianças, os padrinhos e mais pessoas para a celebração, começamos a missa pelas 10.30h da noite. A alegria era grande pois sentíamos que o Deus Menino estava de facto a chegar também para estas crianças pela primeira vez. Foram 22 as crianças baptizadas. A missa foi demorada. Para além do número de baptismos, devemos também explicar e orientar cada passo da celebração como se fosse a primeira vez. De facto, para muitos presentes terá sido a primeira vez que estiveram presentes numa celebração de Baptismo.
No final da celebração, já depois da meia-noite, a festa continuou. Convidaram-nos para uma refeição especial de Natal: farinha de milho (tradicional “ugali”) e galinha cozida com uns temperos/ervas locais. E que petisco! Mas o melhor ainda estava para vir. As pessoas tinham preparado canções e danças… para toda a noite!
Os cristãos distribuindo almoço no dia de Natal
Dia de Natal – a alegria do Baptismo
A alvorada do dia de Natal custou um bocadinho mais. A noite tinha sido mais longa do que o costume. Mas havia mais baptismos e celebração numa outra capela. Desta vez quase na extremidade norte da paróquia. 1 hora de caminho do centro da missão. Konyao é o seu nome. Lá nos esperaram as comunidades de 2 capelas: a anfitriã, Konyao, e uma próxima (1 hora de caminho a pé) chamada Kodera. O mesmo ritual da noite anterior: juntar as crianças, os pais (as mães neste caso!) e os padrinhos para o baptismo e finalizar os detalhes todos para o registo no livro dos baptismos. Foram 16 crianças baptizadas numa atmosfera de alegria super-contagiante e que não deixa ninguém presente sem dar o seu pezinho de dança durante a celebração. Nesta capela existe ainda um grupinho de meninas que chamamos de “alelluia dancers”. Abrilhantaram ainda mais o momento.
O nosso almoço no Dia de Natal - à direita Ir. Eduardo
Mas os verdadeiros “artistas” eram as crianças baptizadas. O sorriso com que algumas acolhiam os óleos santos bem como até a água baptismal, a alegria das mães e padrinhos ao ver os seus filhotes baptizados foram para mim o melhor presente de Natal que um ministro de Deus pode receber. Sem dúvida que a graça de Deus e o próprio Deus atravessam e enchem de graça este momento tão sagrado como é o Baptismo. A alegria sincera e profunda expressa nas caras das crianças, das mães e padrinhos não podia provir de outro lugar senão de Deus mesmo.
No final da celebração, como não podia deixar de ser, o especial almoço de Natal: arroz com pedacinhos de carne de cabra. É um verdadeiro manjar e a comida especial para os dias de festa.
Celebração da Missa no Dia Sagrada Família
Domingo da Sagrada Família – confundido com um enfermeiro
De há uns anos para cá que é tradição celebrar o Baptismo para crianças no tempo de Natal nas várias capelas da missão. No domingo seguinte ao dia de Natal planeamos que iria celebrar na capela de Chepoghe, no extremo sul da paróquia. Porém, havia uma dúvida: seriamos capazes de atravessar os rios sazonais para lá chegar? Tinha chovido bastante nestes dias, uma das maiores bênçãos de Deus para este povo. Decidimos que caminharíamos para lá chegar se assim fosse necessário. E assim partimos. Com maior ou menor dificuldade conseguimos chegar. E já nos esperavam os cristãos da capela anfitriã bem como de uma comunidade vizinha chamada Serewo. Foi necessário ainda esperar um bom tempo até que tudo e todos estivessem prontos para a celebração da missa com os baptismos. Desta vez, a capela era pequena para todos. Daí que celebrámos debaixo da grande e sagrada árvore para os Pökot em frente da capela. No final da celebração foi-me explicado que aquela árvore foi no passado o local de muitas celebrações tradicionais Pökot. Agora foi transformada no local da mais importante celebração: a Eucaristia.
Momento durante a homilia (ao fundo a capela local)
A mesma alegria e o mesmo entusiasmo das outras eucaristias com Baptismos foi vivida também aqui. Ainda que tive que interromper a missa em vários momentos pois cristãos e outras pessoas continuavam a chegar da vizinhança. E aqui há que dar sempre as boas-vindas.
Um momento caricato e engraçado nesta celebração foi o facto de duas das crianças que baptizei não pararem de chorar e berrar sempre que me aproximava para administrar os óleos santos e o sinal da cruz. Até que compreendi a razão. Os paramentos deste dia eram brancos e por isso eu estava todo vestido de branco. Estas 2 crianças confundiram-me, nem mais nem menos, com o enfermeiro do dispensário local. E com razão choravam! É que o que esse homem de branco lhes tinha feito tinha sido somente dar-lhes injecções que fazem doer! E assim fui confundido com o enfermeiro… finalmente acabaram por já não temer a minha proximidade depois de várias tentativas. Peripécias da vida missionária!
Momento durante o Baptismo
Foram de verdade muitas as graças e as alegrias que vivi e continuo a viver com este povo Pökot. Certamente que um Natal muito diferente do nosso lusitano. Mas sem deixar de ser a realização de um sonho missionário também para mim. Sem merecer nenhuma destas graças, louvo a Deus por cada detalhe e cada carícia do seu amor que vou partilhando com este povo amado por Ele, Töroröt.
Logo a seguir ao Natal visitamos uma família para uma celebração muito especial… algo que vos direi que nos ensina qual o real sentido da vida cristã. Encontrei-o aqui, no meio deste povo que pouco a pouco vai conhecendo o Amor de Deus que é sem dúvida um Deus de Amor. Conto-vos tudo no meu próximo post!Até lá… Um Santo e Bom Ano de 2010 para todos vós! Um ano cheio das maiores bênçãos de Deus!
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Fase 2: construção de 3 bocos com 9 salas de aula, bloco administrativo e latrinas
Fase 3: perfuração de um poço de água e canalização para toda a escola
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Visita a uma das capelas com as crianças da pré-primária na sua sala de aulas debaixo da árvore!
Quando chegámos estavam a preparar uns frutos selvagens que é a comida que têm nestes dias em casa. Graças a Deus as crianças têm assegurada uma refeição na escola de milho e feijão misturados. Mas há outros que não vão ainda à escola... estes frutos selvagens custam a preparar e só no dia seguinte iriam estar comestíveis... pelo que nesse dia, como em tantos outros, iriam deitar-se com o estômago vazio. Acabei por deixei-lhes o equivalente a 1 euro que é suficiente para comprar 2 quilos de milho e que os ajudará a ter uma refeição à noite por 2 ou 3 dias! Situações que, contadas a muita da gente jovem nos países desenvolvidos, não dá para acreditar!
Apesar de tudo nesse dia regressei feliz e realizado para casa... feliz pelo dom da vocação missionária a que Deus me chamou.
A anterior capela de Lokomolo
Um domingo nas comunidades
Hoje, domingo, fui celebrar a uma comunidade chamada Lokomolo. À minha chegada foi-me dito que se esperavam outras pessoas de duas comunidades/capelas “próximas”. Próximas no conceito Pökot, pode significar que estavam a cerca de 2 horas de caminho a pé! Lógico que em vez de começarmos às 10.30, a celebração começou já perto do meio dia. É o horário africano que olha mais para o tempo em quantidade do que a quantidade do tempo. Celebrámos numa das salas de aulas da escola ali construída pela Missão. A capela, ainda recente, ficou sem o tecto devido a um temporal há cerca de um ano. Desde então, estamos a tentar organizar-nos junto com as pessoas para podermos repor o telhado de chapa de zinco… São muitas as despesas que temos e nem sempre chega para tudo ao mesmo tempo! Assim que é necessário ir esperando também pela providência!
Devo dizer que a um dado momento, contando as criancinhas pequeninas e bem irrequietas, estaríamos umas 80 pessoas naquela “capela” improvisada. A grande maioria, uma vez mais, não baptizados. Para a comunhão aproximaram-se apenas umas 20 pessoas.
Mas este, foi um dia especial: sem contar e sem me ter preparado convenientemente, foi-me pedido pelos catequistas que celebrasse a missa em língua local Pökot. Normalmente celebrava em língua kiswahili. Nunca o tinha feito antes na língua local e, mesmo a ler, é bem distinta do kiswahili e bem mais difícil. Lancei-me! Nos momentos justos, as pessoas lá iam respondendo à missa, sinal que a minha pronúncia ia sendo entendida pelo menos em parte. Mas devo confessar que me custou. Claro que a homilia foi em kiswahili e traduzida pelo catequista, mas… foi uma experiência mais que me ensinou que o Espírito de Deus é aquele que trabalha nas pessoas, muito para além das nossas próprias capacidades ou especialidades!!!
Entre o meu falar Pökot meio enrascado, o choro intercalado das crianças e o entrar e sair de algumas das pessoas por razões que não conseguia escrutinar, a verdade é que a aparente apatia dos cristãos durante as celebrações em muitas das nossas paróquias na Europa, por e simplesmente aqui não existe. Em muitos momentos foi mesmo necessário parar a homilia para que as crianças fossem atendidas (normalmente com a mamita da mãe… fim do pio!) ou que as pessoas que entravam se acomodassem. Definitivamente… celebrações bem distintas e diferentes das nossas liturgias europeias tantas vezes cheias de “pompa e circunstancia”.
No final da missa (que ainda assim durou 2 horas), há lugar a discursos e boasvindas aos visitantes das outras capelas; depois o chazinho queniano do costume. Entre isto e mais aquilo, deixei a capela de regresso à Missão já depois das 3 da tarde.
Mais um dia feliz na vocação a que Deus me chamou. Conto, como sempre, com a vossa oração, sobretudo, para que Deus nos envie o dom das chuvas, tão escassa e tão necessária para a sobrevivência destes povos.
Escola de Lokomolo construída pela Missão lugar da celebração da Eucaristia
“Pensamentos do meu diário”
Kacheliba, Pökot Norte – Quénia
12 de Julho 2009
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