terça-feira, novembro 18

Por fim... eis-me de regresso ao Quénia!

Regresso anunciado ao país que transformou a minha vida!

Viajamos a mais de 800km por hora. Deixei Zurique com chuva e frio. Depois de 4 horas de voo, sobrevoamos já a terra querida de Comboni: África. Lá em baixo só vemos areia. Estamos a atravessar o deserto do Saara. Olho e vejo trilhos marcados na areia escaldante. E a minha mente voa até ao tempo em que Comboni atravessou estas mesmas areias sentado num camelo… é verdade! Hoje os missionários têm voos mais altos… graças a Deus!
Para trás estão algumas horas de viagem e sobretudo várias horas de sono atrasado e devido à cama! Cheguei a Genebra, a minha primeira escala, pelas 11 horas da noite. Em pouco mais de 1 hora quase não havia viva alma naquele aeroporto. Encerra durante a noite e quem está em trânsito tem que encontrar por ali umas cadeiritas e bom… dormir o que puder e como puder… Eu fiz companhia a uns trabalhadores que mudavam os tectos falsos do “hall” das chegadas do aeroporto. Foi uma maneira de ficar desperto e ao mesmo tempo pôr o olho na bagagem que levo comigo… não fosse o diabo tece-las!!!! Aí esperei 6 horas para de novo embarcar para um voo de 30 minutos até Zurique. Daí, finalmente, tomaria o voo de regresso à terra que me tocou evangelizar. Saí de Zurique pelas 9.30 da manhã de hoje e já não falta tudo!
A mente está já no lado de lá: são mais 4 horas e já lá estamos! Mas… o coração ainda custa a despegar do que ficou para trás. Ainda remordem na minha mente as caritas felizes mas já cheias de saudade na missa de ontem lá na terra. Por muito que a alegria esteja a inundar o meu coração neste momento, porque de facto está, esse sentimento bem nosso, bem português, a saudade é a que mais nos atraiçoa em determinados momentos.
Porém, a mão de Deus é magnifica! E esta é sem dúvida, uma viagem abençoada. Para além da surpresa que os amigos e familiares tiveram comigo ao ir despedir-se de mim ao aeroporto, ficava ali a primeira marca de que este partir é sem dúvida vontade de Deus. Para variar, tinha abusado no limite do peso que me foi concedido… e já me tinham feito um jeitinho! Mas, pensei: Deus é grande! Ele saberá dar a volta a isto… E assim foi! Devia pagar pouco mais de 200 euros pelos 7 quilos a mais! Conversa daqui, conversa dali, mais um pedido e um implorar e não é que o que parecia impossível, assim, sem mais e de repente ficou resolvido?! “Sr. Padre, pode ir em paz! O problema está resolvido! Não paga nada!” Deus é grande de facto!
Escrevo-vos ainda a algumas horas da chegada à terra prometida a que Deus me envia, mas quando lerdes esta mensagem terei já pisado, de novo e depois de 6 anos, a terra querida de muitos missionários.
“Não tenhais pena de mim que vou fazer aquilo que me faz muito feliz!” Foram essas as palavras com que me despedi de todos vós. Sou feliz por partir. Não retira a dor da separação física, do distanciamento visual, mas também o partir tem de facto esse encanto. Tem mais valor. Tem mais força e mais sentido. Só a força de Deus, do Deus de amor que enche o nosso coração, pode ser mais forte que todos os sentimentos de saudade. E é só por Ele e por causa d’Ele que temos as energias e as forças de partir. Se não é a Sua força, a Sua graça, que todos nós pedimos para mim e para todos os missionários, não seriamos capazes de deixar pai e mãe, irmão e irmãs, casa, lar, e tudo o mais.
Quero, numa simples palavra agradecer-vos a todos do coração por tudo o que vivemos nestes últimos meses juntos na paróquia, juntos na freguesia, entre amigos… trago-vos no coração e deixei um pedacinho de coração em cada um de vós. Sei que não vou só! Aqui ides todos bem comigo a meu lado. Que o Deus do Amor, vos abençoe com tudo o que mais desejais da Sua graça para a vossa vida. Bem hajam! Obrigado!

Por fim… de novo no Quénia!
Depois de 6 anos e 7 meses eis-me de regresso. Quénia, o país que ficou sempre no meu coração desde a minha partida em Abril 2002. Quénia… esse lugar na África do leste que agora reencontro.
À chegada ao aeroporto havia novidades. O lugar é o mesmo de há 11 anos, aquando da minha primeira chegada. A arrumação e a limpeza é que é diferente. De qualquer das formas damo-nos conta de ter entrada num outro mundo, desde as pessoas que nos rodeiam, até ao simples facto de neste país se conduzir do lado direito. No caminho até a casa dos Missionários Combonianos nada de muito diferente desde 2002: um trânsito maluco, estradas esburacadas mas ainda assim transitáveis para os “matatus” encontrarem um caminho diferente do resto dos condutores… À minha espera estavam caras conhecidas. Colegas que já aqui estavam a trabalhar há 6 anos atrás. Senti-me em casa. Só mesmo o facto de não ter encontrado a minha mala no aeroporto podia estragar uma chegada ansiada. Mas não estragou… pelo menos para já, uma vez que espero amanhã poder reavê-la, juntamente com toda a roupa que tinha e vinha nessa mala. Ainda bem que trazia umas cuequitas na mala de mão… junto com os discos duros do computador!!! Hoje já fizeram jeito.
De todos os modos, esta manhã tive que ir às compras… não tinha nada para higiene pessoal e foi a oportunidade de sair à rua. Fui a um shopping center que fica a uns 20 minutos daqui a pé. Uma estrutura nova… algo de novo, finalmente! Porém, somente uma pequena percentagem dos habitantes de Nairobi têm possibilidades de comprar neste hipermercado à maneira europeia, embora que ainda assim bastante longe dos nossos Shopping Centers.
Fiquei surpreendido com o preço de custo de vida nestes hipermercados. Um quilo de farinha (uma das comidas base para os quenianos) custava nesse supermercado o equivalente a 1,5€. Um preço bastante elevado para a maioria dos habitantes de Nairobi que vivem com menos de 2€ por dia!
Era verdade! Estava mesmo de regresso ao Quénia. Montes de pessoas nas ruas, caminhando para aqui e para ali, os “matatus” (transportes públicos) apinhados de gente com os mais variados sons nas suas buzinas, tentando cativar os caminhantes… há sempre lugar para mais um! “Matatus” de mil e uma cores, um trânsito infernal num sistema de tráfico do “salve-se quem puder”, polícia na rua, sempre dois a dois, levando consigo armas grandes e bem visíveis (G3, AK47 e espingardas). Kweli, diz-se em swahili, é verdade! Estou mesmo de regresso!
Ao final do dia, chegava o meu provincial que deveria trazer-me notícias no que toca ao meu futuro. Assim foi. E, como sempre, o homem põe e Deus dispõe. Na próxima semana, muito provavelmente logo na 2ª feira, irei com ele para a minha futura missão junto dos Pokot. 600km de buracos em estrada alcatroada há muitos anos atrás, mais cerca de 80km em estrada de terra batida… pela encosta da montanha abaixo: a missão será de Kacheliba! Pelo menos até final de Dezembro será ali que estarei. Depois irei para o curso da língua Swahili no norte da Tanzânia até Abril. Iremos 4 combonianos para esse curso o que é uma boa notícia para quem pensava que tinha que ir fazê-lo sozinho!
Amanhã de manhã, se Deus quiser, irei tratar de toda a documentação necessária para poder estar no país como residente… e ou muito me engano ou teremos umas horas de filas e esperas desesperantes nos escritórios governamentais em que se tratam destes documentos. Em Portugal são uma chatice, mas aqui no Quénia… bom… dá tempo para ficar chateado e deixar de ficar pois não adianta muito que o ritmo é sempre o mesmo nos funcionários públicos. É um mal geral em todo o mundo… ao que parece! Ainda ontem, para conseguir o vista de turista no aeroporto, necessário para permanecer no país, foi quase 1 hora de espera… para depois não encontrar a minha mala! Hakuna matata (não há problema)! Estamos no Quénia!
Bom, e é esta a minha nova vida! Ainda no começo e a organizar-se pouco a pouco. Continuo a contar com as vossas orações que sinto bem no meu coração do mesmo modo que continuo a rezar também por todos vós… algumas pessoas que me pediram orações particulares! A todos recordo e entrego ao Senhor, Pai de Amor, nas minhas orações.
Kwaheri, tutaonana! Adeus, até à próxima! E não se esqueçam que olhamos para mesma lua e para o mesmo sol. N’Ele nos encontramos!

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4 Comments:

At 18 novembro, 2008 20:31, Blogger António said...

Ola filipe fico feliz por estar tudo bem contigo, es grande e estaz no meu coraçao pois aprendi muito contigo. tu sabes escutar um amigo e confortalo e realmente senti tua força quando mais precisei. Um muitissimo obrigado....Antonio do u´ trilho

 
At 18 novembro, 2008 20:59, Blogger elsa nyny said...

Olá Filipe!
Lembrei no Domingo que era o dia da tua partida! Que bom que correu tudo bem!
Conta com a minha oração!!
e...Muita força para ti!!!

bjtsss

 
At 18 novembro, 2008 23:52, Anonymous David Rodrigues said...

Grandes aventuras na viagem de regresso! Ficamos muito contentes por ti e desejamos que a Missão que o Pai tem para ti junto dos Pokot nessa terra que tanto amas seja um sucesso!!! Beijos e abraços, David, Nanda e Rodrigo(Fafe)

 
At 22 novembro, 2008 22:19, Anonymous Anónimo said...

Olá*
NÃO SEI SE A VIDA É CURTA OU LONGA* MAS SEI QUE NADA DO QUE VIVEMOS TEM SENTIDO, SE NÃO TOCARMOS O CORAÇÃO DAS PESSOAS
CRISTNA

 

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