sábado, março 24

P. Aparício desde Kinshasa

P. António Aparício envia-nos um relato do que se passa em Kinshasa (RDCongo):

Talvez os meios de comunicação social falem da situação que prevalece emKinshasa nestes dias. Aliàs uma senhora da embaixada telefonou-me ao meio da manhã para me dizer que o Estado portugues ia enviar um avião para evacuaros que quisessem partir...
Kinshasa està a ferro e fogo. Ontem por volta das 13h45 começamos a ouvir tiros com armas pesadas vindos do centro da cidade... Isto continuou toda atarde embora fosse acalmando com o anoitecer. Esta madrugada por volta das 3 horas novo tiroteio muito forte e a situação continua embora a partir do meio dia as coisas acalmaram bastante. Toda a manhã aqui perto da nossa casa ouviam-se tiros de armas ligeiras. A certo momento encontrava-me no jardim a falar com o sentinela e ouvimos uma bala perdida que veio embater com força na porta da garagem.Tudo isto porque as milicias de Jean Pierre Bemba, um chefe rebelde (que tem uma bela e grande vivenda em Faro ) e que se tornou um dos vice presidentes durante o periodo de transição, não querem abandonar as posiçoes que ocupam à volta da residencia de Bemba. Após as eleiçoes e formação do novo governo o chefe das forças armadas pediu a todos estes "militares" de se apresentarem nos quartéis, mas eles não obedeceram. De hà uns dias a esta parte essa zona estava a ser controlada pelos soldados da republica e ainda pelas forças da ONU.
Ontem tudo rebentou e ainda continua.Bemba fugiu e refugiou-se na embaixada da Africa do Sul. Os seus soldados em debandada vão distribuindo armas aos "shégués" (rapazes da rua) e por onde passam tentam pilhar o que podem. Os soldados da republica tentam segui-los e prende-los e tudo isto vai criando desolação mortes e feridos.
A população ontem apanhada de surpresa tentou voltar para casa a maior parte deles a pé dado que os transportes desapareceram. Muitos ficaram retidos nos seus locais de trabalho e ainda là se encontram. O mesmo acontece com algumas escolas e colégios situados nessa zona (a zona chique da cidade).
Hoje todo o mundo ficou em casa e ninguém sai à rua... A nivel Comboniano não hà qualquer problema a assinalar. Onde está o Alfredo é uma zona bastante perto do centro dos acontecimentos. Viram os carros armados que passavam ouviram os tiros mas está tudo calmo. Aqui onde me encontro na casa provincial era o lugar mais "quente". O tiroteio a certo momento era ameaçador, mas agora parece que as coisas já estão controladas.A
ssim o esperemos. Lá onde se encontram os outros portugueses Arieira e Abilio não há absolutamente nada. O problema é so aqui em Kinshasa.

Um abraço
Antonio Aparicio

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