sexta-feira, junho 9

Isto é uma vergonha... PROTESTE!

Caros amigos:
Pedimos desculpa pela ousadia deste email, mas temos direito à indignação.
O teatro da comuna está a exibir (ou vai exibir) uma peça espanhola que se chama "Me cago en Dios" e está a exibir cartazes de promoção em que aparece uma retrete aonde está a ser lançada uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, um Crucifixo e outros objectos de culto. Envio-vos a lista dos patrocinadores (e respectivos endereços electrónicos) e peço que divulguem porque isto é absurdo...
não queremos proibir nada, nem coarctar a liberdade de expressão e de arte.

Queremos é que não seja o estado, nós, a pagar isto...
Como verão, são quase todos instituições do Estado.

PatrocinadoresMinistério da Cultura:
Centro Cultural de Belém:
Instituto das Artes:
Embaixada de Espanha
Câmara Municipal de Lisboa

Fábrica Valadares:
Teatro da Comuna:
teatrocomuna@sapo.pt

Se concordam connosco, divulguem e manifestem indignação.
Se discordam, pedimos desculpa pela ousadia e tempo ocupado.
As nossas saudações
Emanuel Caetano

3 Comments:

At 09 junho, 2006 13:48, Blogger JPN said...

Nada tenho contra o seu direito à indignação. Apreciaria também muito mais um mundo onde a liberdade de expressão nunca se cruzasse com o direito à indignação. Nem sempre isso é possível. Não só porque o entendimento que cada um faz do que o indigna é divergente, e não é uma evidência para uma determinada comunidade, como também o uso da liberdade de expressão por vezes ao pretender ser acto de comunicação irrompe aonde está o outro. Tudo isso não é dramático e com um pouco de civilidade, como o tom do seu email dá aliás boa conta, resolve-se. A única coisa que eu não percebo é a invocação da questão do dinheiro de todos nós e do Estado, sabendo como sabemos que vivemos num Estado cujo contributo financeiro para a manutenção das Instituições religiosas ligadas à Igreja Católica é por demais desporporcionado em relação a outras confissões religiosas, bem como desajustado em relação ao facto de vivermos num Estado laico. Ora se o Estado laico patrociona tantos actos culturais da Igreja Católica e isso não é indigno para os ateus, agnósticos e crentes de outras confissões religiosas, porque haveria de causar indignação que de uma vez por quase nunca o Estado apoie, e dentro de uma politica integrada de apoio à actividade artística, uma iniciativa cultural que é assumidamente outra forma de pensar a relação do homem com a religião?

 
At 09 junho, 2006 13:49, Blogger JPN said...

Nada tenho contra o seu direito à indignação. Apreciaria também muito mais um mundo onde a liberdade de expressão nunca se cruzasse com o direito à indignação. Nem sempre isso é possível. Não só porque o entendimento que cada um faz do que o indigna é divergente, e não é uma evidência para uma determinada comunidade, como também o uso da liberdade de expressão por vezes ao pretender ser acto de comunicação irrompe aonde está o outro. Tudo isso não é dramático e com um pouco de civilidade, como o tom do seu email dá aliás boa conta, resolve-se. A única coisa que eu não percebo é a invocação da questão do dinheiro de todos nós e do Estado, sabendo como sabemos que vivemos num Estado cujo contributo financeiro para a manutenção das Instituições religiosas ligadas à Igreja Católica é por demais desporporcionado em relação a outras confissões religiosas, bem como desajustado em relação ao facto de vivermos num Estado laico. Ora se o Estado laico patrociona tantos actos culturais da Igreja Católica e isso não é indigno para os ateus, agnósticos e crentes de outras confissões religiosas, porque haveria de causar indignação que de uma vez por quase nunca o Estado apoie, e dentro de uma politica integrada de apoio à actividade artística, uma iniciativa cultural que é assumidamente outra forma de pensar a relação do homem com a religião?

 
At 10 junho, 2006 12:57, Blogger Filipe Resende said...

Carissimo JPN,
1. Eu sou um defensor da liberdade de expressão. Mas há limites! A minha liberdade acaba quando começa a do outro. E neste caso, eu não tenho problema que os agnósticos e ateus se expressem livremente. O que não posso aceitar é o facto de fazer troça daquilo em que outros acreditam. Que digam que não acreditam em Deus é ligítimo. Mas a expressão idiomática do título da peça em espanhol quer precisamente dizer o contrário, ou seja, que a Deus eu desprezo-o e faço troça dele. Ora isto é brincar e gozar com a fé de outras pessoas, o mesmo que gozar com elas; portanto, neste caso o estado não está a apoiar uam outra forma de pensar, como o diz, mas sim uma forma de gozar e ridicularizar aquilo que é importante para outras pessoas. Não posso estar de acordo com tal aplicação dos nossos impostos.
2. Creio que confunde um pouco as coisas no que toca ao apoio e financiamento do Estado na manutenção de Instituições religiosas ligadas à Igreja Católica. Escapa-lhe o pequeno grande detalhe que essas instituições são instituições de cariz social, e estão fazendo aquilo que deveria ser o estado a fazer. Há outras igrejas com as mesmas instituições de cariz social e estão também a beneficiar desses mesmos apoios. Se não são mais é porque não o pedem, suponho eu.

 

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