quinta-feira, janeiro 25

Uma lógica ilógica


Um dos argumentos dos partidários do SIM neste referendo é o facto de que a actual lei do aborto em vigor incentiva o aborto ilegal. Então a lógica é despenalizar (= descriminalizar) as mães que abortem até às 10 semanas, para que possam passar a fazer o mesmo (abortar) só que agora legalmente. Desta forma, dizem, combate-se o aborto ilegal.

Não querendo ser demagógico, por esta forma de pensar, poderíamos fazer a seguinte analogia:

Uma vez que temos as prisões superlotadas e que muitos presos não têm condições humanas e sociais nas actuais prisões, vamos, para diminuir os presos nestas condições, despenalizar alguns crimes que se comentem e que levam a penas de prisão. Podemos começar por despenalizar os ladrões por assalto à mão armada! Ou então despenalizar os condutores que conduzam com índices de alcolémia considerados crime!

Certamente que poucos estaremos de acordo com tais medidas. Então, porque despenalizar aquilo que é crime?

Que fique bem claro que não sou a favor de que se faça pesar com mão de ferro judicial as mães que abortem. Essas mães devem sim ser ajudadas a encontrar soluções alternativas ao aborto. Mas desse trabalho social demite-se o governo. Deixa-o para as Instituições de caridade social. E essas alternativas são sempre levadas a cabo por organismos não governamentais. E mais... nem sempre o governo está disposto a apoiar essas Instituições... o que é grave!

Se a proposta de lei do PS fosse no sentido de criar esses apoios, até entenderia a luta por essa despenalização no sentido de poder ajudar essas mães em dificuldades. Mas a proposta de lei do PS vai precisamente no sentido contrário: fechar os olhos ou passar uma mão por cima de uma série de situações complicadas de mães que abortem até às 10 semanas. Demite-se assim o governo de qualquer responsabilidade de apoio a estas mães. Governar assim não será então tão dificil!

Recordo que um estudo da Universidade Católica aponta que perante a pergunta "diante de uma gravidez indesejada preferia receber apoio ou abortar?" mais de 70% das mulheres responderam preferir o apoio. É nesse campo que, qualquer que seja o resultado do referendo, TODOS DEVEMOS TRABALHAR!


Uma pergunta final que me tem deixado muito intrigado: QUANDO É QUE SE COMEÇARÁ A FALAR TAMBÉM DOS DIREITOS DO BÉBÉ EM TODA ESTA QUESTÃO?

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