terça-feira, junho 19

Missa em Latim?

Recebi estes dias uma sugestão de um blogueiro assíduo deste cantinho "Deus é Amor", para me pronunciar sobre um dos temas que muita admiração tem gerado nestes últimos tempos, no que diz respeito à possibilidade das missas em latim.
Os media, como sempre em questões do género, dão a volta ao texto como bem lhes apetece. Servem a sua agenda mais ou menos escondida (tal como em muitos outros contextos religiosos!) de ridicularizar a Igreja.

Aquilo que muito simplesmente foi declarado pelo Cardeal Bertone é que irá ser decretada a permissão de se poder celebrar a missa em latim sem ser necessária uma autorização especial do bispo. O documento, segundo tenho conhecimento, ainda não saiu. Porquê esta autorização?
A missa em latim, nunca oficialmente suspensa, foi caindo em desuso depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, e, em 1982, o Papa João Paulo II decretou que, para oficiar a cerimônia tridentina, é preciso recolher assinaturas e pedir a permissão ao bispo da diocese onde se deseja celebrá-la, que pode rejeitar o pedido. Porque se decretou a necessidade deste pedido de autorização?
Porque há um grupo de cristãos que nunca aceitou a renovação litúrgica do Concílio Vat. II, os seguidores de Monsenhor Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X em 1968, ferrenha defensora da tradição e da liturgia tridentinas (em latim) e que foi excomungado pelo Vaticano em 30 de Junho de 1988 após ter consagrado quatro bispos sem permissão de Roma.

Aquilo que Bento XVI pretende (entre outras coisas) com a permissão da celebração da missa em latim é:
1. Facilitar o processo do uso da liturgia em latim para celebrações internacionais (como em Fátima, por exemplo);
2. Aproximar de novo à Igreja Católica os seguidores de Monsenhor Lefebvre, aceitando assim também a sua forma tradicional de celebrar os sacramentos. É que de facto era muito triste irmãos e irmãs separadas da Igreja por uma razão de linguística (a questão é mais complexa do que isto...);
3. O Papa acompanhará o documento com uma carta a expôr as razões desta decisão... aguardemos!

Isto NÃO significa que:
1. vamos agora ter as missas de todos os domingos em latim;
2. que a Igreja agora só vai comunicar em latim;
3. que todos vamos ter que saber latim para sermos cristãos;

Segundo entendo, a língua nativa de cada povo deve ser a língua em que os sacramentos irão continuar a ser celebrados. Até porque não faria sentido ser de outra maneira. E o latim não vai ser imposto a ninguém. Apenas e só se quer salvaguardar uma tradição que tem já muitos séculos (desde o séc. XVI no Concílio de Trento) e que foi marca do caminho da Igreja no mundo. Apenas e tão só isto, creio eu!

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2 Comments:

At 20 junho, 2007 13:59, Anonymous João said...

Filipe,

A possibilidade de rezar a missa em Latim sem os formalismos que antes eram necessários (permissão do Bispo) é uma forma de simplificação do regime processual mas também uma forma de inclusão daqueles que seguem a tradição a liturgia tridentinas (em latim). São aspectos positivos e bem-vindos que desmistificam muitos “medos” (receio da Igreja se “fechar” sobre si mesma, aumento da distância entre o Clero e os praticantes…). Sendo assim, são medos infundados
Contudo, observo uma outra vantagem: o recolhimento, o convite à reflexão. Digo, isto porque quando participamos numa eucaristia onde não se fala a nossa língua mãe, obriga a um maior esforço de concentração para acompanharmos a celebração. A linguagem de Deus, o Amor, é universal. Pode ser expressa de várias formas e de várias línguas. Celebrar na língua mãe de muitas outras línguas é também culturalmente salutar.

Obrigado Filipe pelos teus esclarecimentos e de me ajudares a formar um opinião mais consciente.

Abraço

 
At 20 junho, 2007 14:00, Anonymous João said...

Filipe,

A possibilidade de rezar a missa em Latim sem os formalismos que antes eram necessários (permissão do Bispo) é uma forma de simplificação do regime processual mas também uma forma de inclusão daqueles que seguem a tradição a liturgia tridentinas (em latim). São aspectos positivos e bem-vindos que desmistificam muitos “medos” (receio da Igreja se “fechar” sobre si mesma, aumento da distância entre o Clero e os praticantes…). Sendo assim, são medos infundados
Contudo, observo uma outra vantagem: o recolhimento, o convite à reflexão. Digo, isto porque quando participamos numa eucaristia onde não se fala a nossa língua mãe, obriga a um maior esforço de concentração para acompanharmos a celebração. A linguagem de Deus, o Amor, é universal. Pode ser expressa de várias formas e de várias línguas. Celebrar na língua mãe de muitas outras línguas é também culturalmente salutar.

Obrigado Filipe pelos teus esclarecimentos e de me ajudares a formar um opinião mais consciente.

Abraço

 

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