sexta-feira, fevereiro 29

Quénia: "BOM ANO NOVO"

"A sensação que se respira por aqui é de alívio, pelo final de um dos momentos mais negros da história recente deste país e pelo início de uma nova etapa" diz o P. Gigi Anataloni, missionário da Consolata à MISNA pouco depois da assinatura do acordo entre o presidente Kibaki e o líder da oposição Raila Odinga, um feito que deverá por fim à crise pós-eleitoral assinalada, segundo alguns números divulgados, entre 1000 a 1500 vitimas mortais e de várias centenas de milhar de deslocados. "O facto que os dois políticos assinaram um acordo diante das câmras televisivas reforça a importância do empenho assumido - acrescenta o religioso - restituindo aos quenianos a fé no futuro."
Vários festejos começaram pouco depois do anúncio, mesmo noutras cidades do país, teatro de confrontos e violência étnica nas últimas semanas. "Em Kisumu as pessoas saíram à rua a cantar e a bailar, enquanto os "matatus" (minibus transportes públicos), cheios de gente, circulam businando como se tratasse de uma vitória numa partida de futebol" diz Joseph Otieno ao telefone, no meio de muito ruído celebrativo de alegria e do tráfico. Em Eldoret "a população reuniu-se para uma procissão espontânea, onde cantam cânticos pela paz, enquanto as luzes das casas permanecem acessas em sinal de festa" diz Nixon Oira, da Comissão de Justiça e Paz da diocese local, com voz a tremer de emoção. Francis Murei, da diocese de Kericho, falando ainda dos habitantes de Eldoret e Naivasha sublinha: "As pessoas estão felizes e quase a querer apagar os dois últimos meses, estão a enviar votos de bom ano novo com mensagens celulares de «Happy New Year»; realmente, para o Quénia, começa hoje um novo ano."

Nem todos felizes
Mas, para alguns Kikuyu, segundo o jornal Daily Nation do Quénia, a assinatura deste acordo por parte de Kibaki, foi uma traição. Segundo o jornal a alegria não terá sido tão eufórica e entusiasta por parte da comunidade Kikuyu, uma vez que vê o seu presidente perder poder e ao mesmo tempo, de alguma forma, admitir ter perdido as eleições, diz o jornal.
Para alguns, os tempos dificeis começam agora: levar o acordo a ser implementado e o primeiro passo é leva-lo a passar no Parlamento; certamente que alguns ministros irão perder a sua pasta ministerial por parte do Governo, o que trará dificuldades. Essa sim será a hora de ver quem põe interesses pessoais acima dos da nação.

Fontes:
MISNA, BBC, Daily Nation (jornal queniano) e Nation TV (do Quénia em inglês)

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