sexta-feira, fevereiro 29

Quénia: "BOM ANO NOVO"

"A sensação que se respira por aqui é de alívio, pelo final de um dos momentos mais negros da história recente deste país e pelo início de uma nova etapa" diz o P. Gigi Anataloni, missionário da Consolata à MISNA pouco depois da assinatura do acordo entre o presidente Kibaki e o líder da oposição Raila Odinga, um feito que deverá por fim à crise pós-eleitoral assinalada, segundo alguns números divulgados, entre 1000 a 1500 vitimas mortais e de várias centenas de milhar de deslocados. "O facto que os dois políticos assinaram um acordo diante das câmras televisivas reforça a importância do empenho assumido - acrescenta o religioso - restituindo aos quenianos a fé no futuro."
Vários festejos começaram pouco depois do anúncio, mesmo noutras cidades do país, teatro de confrontos e violência étnica nas últimas semanas. "Em Kisumu as pessoas saíram à rua a cantar e a bailar, enquanto os "matatus" (minibus transportes públicos), cheios de gente, circulam businando como se tratasse de uma vitória numa partida de futebol" diz Joseph Otieno ao telefone, no meio de muito ruído celebrativo de alegria e do tráfico. Em Eldoret "a população reuniu-se para uma procissão espontânea, onde cantam cânticos pela paz, enquanto as luzes das casas permanecem acessas em sinal de festa" diz Nixon Oira, da Comissão de Justiça e Paz da diocese local, com voz a tremer de emoção. Francis Murei, da diocese de Kericho, falando ainda dos habitantes de Eldoret e Naivasha sublinha: "As pessoas estão felizes e quase a querer apagar os dois últimos meses, estão a enviar votos de bom ano novo com mensagens celulares de «Happy New Year»; realmente, para o Quénia, começa hoje um novo ano."

Nem todos felizes
Mas, para alguns Kikuyu, segundo o jornal Daily Nation do Quénia, a assinatura deste acordo por parte de Kibaki, foi uma traição. Segundo o jornal a alegria não terá sido tão eufórica e entusiasta por parte da comunidade Kikuyu, uma vez que vê o seu presidente perder poder e ao mesmo tempo, de alguma forma, admitir ter perdido as eleições, diz o jornal.
Para alguns, os tempos dificeis começam agora: levar o acordo a ser implementado e o primeiro passo é leva-lo a passar no Parlamento; certamente que alguns ministros irão perder a sua pasta ministerial por parte do Governo, o que trará dificuldades. Essa sim será a hora de ver quem põe interesses pessoais acima dos da nação.

Fontes:
MISNA, BBC, Daily Nation (jornal queniano) e Nation TV (do Quénia em inglês)

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quarta-feira, fevereiro 27

Quénia: momento preocupante e oposição anula manifestação

Tocará hoje ao presidente em exercício da União Africana (UA), o chefe de estado da Tanzania Jakaya Kikwete, tentar aplanar as divergências surgidas nas últimas 48 horas entre o governo e a oposição, as quais levaram à suspensão das negociações a fim de encontrar uma solução para a crise política e social que desde Dezembro último tem levado o país a graves problemas. A agenda dos trabalhos prevê para hoje encontros separados entre Kikwete e os líderes em disputa: o presidente Mwai Kibaki e o líder da oposição Raila Odinga. A estes encontros poderia também unir-se o chefe das negociações da UA, Kofi Annan, que ontem tinha suspendido os trabalhos depois de divergências sobre as responsabilidades a atribuir à emergente figura de primeiro ministro para o país. Por um lado, ontem, a frente governamental surpreendeu também os mediadores, recuando de uma posição precedente aceite, pedindo que a nomeação do primeiro ministro fosse legislada por via parlamentar (ficando assim o cargo de PM sujeito ao do presidente). Por outro lado a oposição reafirma que o cargo político deve ser fruto de uma alteração Constitucional.
"A suspensão de ontem das negociações marca mais um momento negro na história do país" escreve-se no Editorial de hoje do jornal queniano "Daily Nation" que traz o título "O sangue dos inocentes estará nas vossas mãos." Neste editorial é expressada uma preocupação profunda pelo estado das negociações pedindo às partes em disputa para que reunam de novo todos os esforços conjuntos, pondo de parte a ambição e o personalismo. "Os negociadores - prossegue o editorial - não apontaram o dedo contra ninguém, mas é claro para todos os quenianos que o país está na orla de um precipicio." Um pedido ainda aos próprios dirigentes quenianos que "assumam plenamente todas as suas responsabilidades nesta situação." Este mesmo pedido foi também feito pelo comissário europeu para o desenvolvimento Louis Michel que disse ter uma "profunda inquietação" pelo estado das coisas nas últimas horas. As pressões, internas e internacionais, por agora sortiram um primeiro efeito, convencendo o lider da oposição Raila Odinga a anular "até novas ordens" as manifestações de protesto públicas ameaçadas nos últimos dias e que a partir de amanhã deveriam ter lugar nas vias públicas sob a liderança do Movimento Democrático Laranja (ODM), levantando de novo a tensão. O anúncio feito por Odinga foi tornado público no final do encontro à porta fechada tido com Kikwete.

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Quénia: conversações interrompidas

Kofi Annan decidiu suspender o processo das conversações no Quénia.

Passado mais de um mês desde que começaram os esforços de mediação entre o governo queniano/Partido de Unidade Nacional (PNU) e a oposição do Movimento Democrático Laranja (ODM), há sinais de frustração considerável.
O ex-secretário das Nações Unidas disse que este não era "uma medida desesperada" mas um passo necessário depois de não ter havido progresso nas negociações nas passadas 48 horas.
Conversações entre os dois paineis, disse, revelaram-se muito dificeis e ele mesmo levaria agora os assuntos em discussão aos dois líderes principais, Presidente Mwai Kibaki e Raila Odinga.
Até agora, os dois grupos de quatro pessoas do painel têm vindo a negociar deferindo as decisões para os seus líderes, mas o processo tornou-se num plano de indecisões e de prevaricações.
"Agora, disse Kofi Annan, é tempo de os líderes serem envolvidos no processo."
Ele decidiu falar directamente com o presidente e o seu oponente na esperança que o processo "possa ser levado com maior rapidez a uma solução."
Este não é o fim do processo mas é um desenvolvimento muito sério que não auspicia bons resultados.

Fonte: BBC

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Quénia: perguntas e respostas fundamentais

Cerca de 1500 pessoas terão sido mortas nos confrontos ocorridos no Quénia, depois das eleições presidenciais. Aqui estão algumas perguntas e respostas que podem ajudar a entender o estado a que chegou este país, anteriormente, um dos mais estáveis da região.

A Comissão de eleições declarou o presidente Mwai Kibaki o vencedor. Mas os observadores da União Europeia afirmaram que as eleições foram fraudulentas. A afluência às urnas numa das regiões foi registada mesmo a 115%.

O que está por detrás da violência?
O "gatilho" imediato que causou a violência foram os resultados eleitorais - apoiantes de Raila Odinga, o principal oponente ao presidente Kibaki e líder da oposição, acreditam que o seu líder foi roubado nos resultados eleitorais.
Mas a tensão étnica, que tem marcado a política queniana desde a independência em 1963, é largamente aceite como a causa real que está por detrás da violência.
Com o compadrio e a corrupção ainda muito comum no país, muitos quenianos acreditam que se um dos seus familiares (ou da sua tribo) está no poder, poderão beneficiar disso directamente, por exemplo através de um familiar próximo conseguir um lugar na função pública.
As actuais tensões podem ser escrutinadas a partir dos anos 90, quando o então presidente Daniel Arap Moi foi forçado a introduzir o sistema multipartidário no país.
Membros do grupo étnico kalenjin desse então presidente Arap Moi - o grupo dominante na região da provincia do Rift Valley - sentiram-se ameaçados por esta situação.
Desde então os kalenjin têm lutado por um sistema federal com maior autonomia económica e apoiaram Raila Odinga desde essa altura até à sua candidatura às eleições de Dezembro 2007.
Raila Odinga, da comunidade Luo, tem um vasto apoio de base entre vários grupos étnicos e considerou-se ele mesmo o grande desafiador do sistema político queniano. Durante a sua campanha eleitoral prometeu actuar e agir nas extremas diferenças sociais e de nível de vida entre os vários grupos étnicos do Quénia.
O presidente Kibaki, que em 2002 acabou com mais de duas décadas de reinado do partido de Arap Moi, Kanu, no meio de muito aclamadas e correctas eleições, prometeu desenvolvimento económico. O conceito de um sistema federal provoca respostas emocionais nos seus apoiantes, acreditando que é um meio para apoiar violência étnica.
No seus 5 anos de governo a economia cresceu de forma firme e estável, mas a maioria dos quenianos não sentiram ainda os efeitos desse crescimento económico.
Nos superpopulados bairros de lata de Nairobi, os residentes têm que lidar com gangs violentos, a inexistência de saneamento básico (as pessoas têm de usar sacos de plástico como casas de banho e atiram-nos depois pela janela fora) e muitas falhas de electricidade.
Kibaki depende fortemente dos votos dos Kikuyus, o grupo étnico mais numeroso do país, tendo ainda o suporte de outras comunidades mais pequenas.

Quem está envolvido na violência?
Muitas pessoas leais a Odinga, de vários grupos étnicos, atacaram os Kikuyus que vêem como apoiantes de Kibaki.
Em Kisumu no oeste, a terra mãe de Odinga do Movimento Democrático Laranja (ODM), e em Mombasa na costa do Índico, a violência tem sido espontânea envolvendo banalização do comércio e casas familiares.
Mas na Provincia do Rift Valley - que testemunhou a maior parte do derramamento de sangue, incluindo 30 pessoas queimadas numa igreja onde tinham procurado refúgio - tem-se visto um elemento mais orquestrado de violência.
Testemunhas locais em Molo afirmam ter visto camiões carregados de gangs da etnia Kalenjin, armados com arcos e flechas e alguns com armas, a serem levados a áreas de Kikuyus para incendiar as casas. A maioria dos quenianos têm ficado chocados com a violência e preferiam o diálogo, uma vez que os comicios políticos são notoriamente convocados para violência.

O que estão então a fazer os políticos?
O ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan tem estado a tentar conseguir um acordo político há mais de um mês, baseado numa ideia de partilha de poder. Ambos os lados no conflito concordaram na criação do cargo de primeiro ministro, que seria ocupado por Odinga.
Porém, estão profundamente divididos no que respeita a que poderes este novo cargo deveria ser investido.
Os da oposição (ODM) querem o primeiro ministro a ter mais poderes executivos, com o presidente a ser reduzido a uma figura mais ceremonial.
Os apoiantes de Kibaki querem precisamente o oposto.
Entretanto, os quenianos e a comunidade internacional estão a esgotar a sua paciência e querem que os políticos voltem a governar o país em vez de se degladearem.

Porque é que o Quénia é importante para o resto do mundo?
Parece que o mundo foi apanhado mais ou menos de surpresa quando a crise estalou no Quénia, país que tem sido sempre tido como um oasis na região no que diz respeito à estabilidade com a actividade turistica num crescimento.
Mas o Quénia é estratégicamente importante: o Quénia acolheu muitas cimeiras e encontros para a paz para países vizinhos e muitas organizações humanitárias têm lá as suas bases operacionais.
Pressão internacional foi crucial para conseguir que o antigo presidente Moi fosse deposto antes das últimas eleições.
E países do ocidente ameaçaram sanções contra aqueles que impeçam o estabelecimento de um acordo de paz.

Pode o presidente Kibaki apoiar-se na lealdade das forças de segurança?
A policia - que conseguiu controlar e bloquear os ânimos desde que a violência começou - é uma mistura de grupos étnicos e por isso, como força, não é credível que mostre favoritismo político.
O exército e a Unidade Geral de Serviços Paramilitares (PGSU - uma espécie de polícia de intervenção), porém, têm um número significativo de soldados Kalenjin - desde os dias de Moi no poder - e os Kalenjins têm-se posto do lado da oposição (ODM) na corrente crise.
Analistas dizem que isto deixa o exército e a PGSU com lealdades divididas. Mas o chefe geral das polícias, General Jeremiah Kianga, é visto como alguém em quem se pode confiar e tem-se distanciado da política.

Distribuição dos grupos étnicos

Como votaram as províncias

Industria do Turismo

Fonte: BBC

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terça-feira, fevereiro 26

Quénia: e se o acordo falhar?

Um advogado conceituado no activo em Nairobi, Sr. Maina, diz não ser dificil adivinhar o que acontecerá ao Quénia caso o acordo entre as partes em disputa política pelo poder no país não for alcançado através das negociações em curso lideradas por Kofi Annan. Eis as razões da necessidade de um acordo político, da sua importância vital, estratégica e de manutenção da paz para o país e para toda esta região da África:

Caso as negociações falhem e não se chegue a um acordo:
1. A violência no Rift Valley e Nyanza recomeçaram e intensificar-se-ão (locais dos maiores distúrbios de há semanas atrás e região das tribos que suportam o lider da oposição Raila Odinga);
2. O Uganda, Sul Sudão e Ruanda ficarão bloqueados quanto a importações e ajudas humanitárias vindas pelo porto de Mombaza e levadas a estes países por meio das estradas do Quénia que deixarão de ser seguras para o transporte dos bens alimentares e humanitários;
3. Os transportes, que nos anos recentes têm tido uma importância enorme no crescimento do PIB, deixarão de poder circular e operar;
4. A actual falta de stocks de alimentos em partes do país agravar-se-á e o preço dos alimentos nas cidades subirá a pique.
5. Esta região da África cairá num ambiente destabilizado e a corrente crise económica será mais grave ainda.
6. Mais preocupante ainda, tal como o Grupo Internacional de Crise (IGC) avisou, milicias populares estão a reunir armamento. E esta é a situação: existem entre 1,9 a 3,2 milhões de armas ligeiras em mãos de particulares no Sul do Sudão e provavelmente o dobro deste número na Somalia. As fronteiras quenianas com ambos os países são inócuas e nada seguras, o que permitirá um aumento de fácil acesso a estas armas.

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Quénia: agora é com os líderes

O Ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan disse segunda feira ao final do dia que os partidos rivais na actual disputa política parecem não conseguir resolver as suas diferenças, mesmo depois de semanas de negociações entre as duas partes.

Annan pediu em tom quase dramático ao presidente Mwai Kibaki e Raila Odinga, lider da oposição, para alcançar um acordo depois de os ter encontrado separadamente. Não estão de acordo nos poderes atribuídos ao proposto novo cargo de primeiro ministro para o país.
Esta disputa de poder depois da reeleição de Kibaki em Dezembro ultimo lançou o país em várias semanas de violência, deixando cerca de 1500 mortos e 300 mil desalojados e deslocados.
Annan tem estado no Quénia desde há mais de dois meses tentando resolver a crise - o período mais longo que alguma vez passou na resolução de um conflito. O chefe da mediação, Kofi Annan, terá depois dito que a equipa de mediadores "terminou o seu trabalho - peço agora os líderes dos partidos para fazer o seu." O repórter da BBC em Nairobi diz que se nota em Annan claramente sinais de frustração pela falta de progessos nas negociações.
Um dos membros da equipa de mediação terá mesmo dito que o problema é da parte do governo, o qual não está desejando confrontar-se com a realidade de partilha de poder, mesmo tendo já ambas as partes acordado na criação do posto de primeiro ministro. As divisões serão ainda latentes na partilha das pastas ministeriais (ministérios) bem como na possibilidade de novas eleições caso a coligação falhe.
Annan terá ainda afirmado que ele se sente como um prisioneiro da paz - não conseguindo chegar a um acordo mas também não desejando deixar o Quénia nesta situação.

Fonte: BBC (inglês) e MISNA (italiano)

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segunda-feira, fevereiro 25

Quénia: negociações em impasse

Segundo a BBC, os mediadores de ambas as partes, que procuram uma solução política para o país depois das eleições de 27 de Dezembro último, não conseguem chegar a um acordo final. A notícia diz que Annan é forçado a intervir.
Kofi Annan pede agora aos próprios Mwai Kibaki e Raila Odinga se envolvam no processo numa tentativa de salvar o processo.
Os negociadores de ambos os líderes políticos não conseguem por-se de acordo nos poderes que seriam dados ao proposto cargo de um novo primeiro ministro, como solução para a situação.
Entretanto a polícia aumentou a estimativa de pessoas mortas no período de violência pós eleitoral para pelo menos 1500. Cerca de outras 300 mil estão deslocadas por causa da violência gerada nas semanas depois do dia 27 de Dezembro.
A oposição (ODM de Raila Odinga) ameaçou, no final da semana passada, organizar protestos em massa se uma solução política não for alcançada esta semana, ao mesmo tempo que um grupo de advogados diz querer ver a resolução do problema no mesmo período de tempo.
"Isolámos um certo número de pontos que requerem a consulta do presidente com os seus membros principais e deputados," disse Mutula Kilonzo, o representante do governo nas mediações.
Ambos os partidos terão abandonado o hotel onde se reúne a comissão com Kofi Annan depois de novas propostas terem sido levantadas.
"Em muitas questões nós somos intransigentes, não concordamos, assim que estes assuntos foram reencaminhados para os nossos líderes na esperança de que eles tenham mais experiência nestes assuntos e possam chegar melhor a um acordo", disse William Ruto, do partido da oposição ODM e também negociador neste processo.

Fonte: BBC

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domingo, fevereiro 24

Quénia: cartoon explicito da actual situação

(clique sobre o cartoon para aumentar a imagem)

Neste cartoon, publicado no jornal queniano "Daily Nation" deste domingo, é bem explícita a situação destes dias nas negociações para alcançar um acordo para o impasse politico do país.
Diferença nos termos que parecem semelhantes, mas que escondem sentidos bem distintos dos interesses particulares de cada uma das partes.

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quinta-feira, fevereiro 21

Quénia: novas ameaças de violência

O Grupo Internacional de Crise (ICG), que tem vindo a acompanhar a actual crise no Quénia, argumenta que mais violência poderá estalar no país caso uma solução politica para a crise no país não for alcançada nas próximas horas.
No seu relatório sobre a situação, o ICG diz que grupos armados que suportam ambas as partes envolvidas no conflito estarão a organizar-se para novos ataques.
O relatório apela também para reformas constitucionais e eleitorais dentro da legalidade, aconselhando ainda que a ajuda internacional ao país por países doadores deve ficar condicionada ao sucesso pacífico das actuais negociações em curso.
Numa entrevista à BBC, Donald Steinberg do ICG disse que aparentemente as negociações para estabelecer um governo de transição estão a decorrer bastante bem.
Porém, adianta que "é muito importante que as negociações lidem com aspectos mais profundos do que simplesmente o aspecto político."
"Estamos preocupados que os esforços para alcançar um acordo a curto prazo seja alcançado à custa de mudanças fundamentais a longo prazo que necessitam de ser efectuadas. Se aquilo que se conseguir for somente um acordo de partilha de poder e mudanças transitórias, é incerto se os movimentos que provocaram a violência pós eleitoral aceitarão essas decisões a implementar a curto prazo, podendo a violência recomeçar de novo."
Na raíz da violência, disse, estariam as políticas tribais do "divide para governar" levadas a cabo pelo governante anterior ao actual, Daniel Arap Moi, e que não foram sujeito de acção por parte de Mwai Kibaki no seu período governativo entre 2002 e 2008.
O relatório chama ainda a atenção para o facto de o Quénia ser um ponto estratégico de estabilidade a todos os níveis (politico, social, humanitário) para toda a região da África do Leste. Recorde-se que por ali passam todas as ajudas humnaitárias para o Uganda, Sul do Sudão, Burundi e Ruanda.

Veja aqui a reportagem video da BBC (em inglês) "Ameaça de mais protestos quenianos"

Veja aqui a reportagem video da BBC (em inglês) "Risco de mais violência no Quénia"

Veja aqui a reportagem video da BBC (em inglês) "A crise queniana afecta o Uganda"

Fonte: BBC


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quarta-feira, fevereiro 20

Quénia: Nobel da Paz ameaçada de morte

Wangari Maathai, prémio nobel da paz, afirmou a jornalistas quenianos que recebeu ameaças de morte por parte do grupo-seita armada ilegal "Mungiki" através de mensagem de texto.
Maathai é uma antiga ministra do mesmo grupo étnico desta seita armada, os Kikuyu, tal como o presidente Mwai Kibaki, mas ela tem pedido mais elasticidade nas negociações dos líderes de ambas as partes envolvidas na crise, desde que a violência tomou conta do país a seguir às últimas eleições.
O texto diria "Por causa de constantemente se opor ao governo, Professora Wangari Maathai, decidimos por a sua cabeça a prémio muito brevemente. Chunga maisha yako (toma cuidado com a tua vida)."

Ainda violência
Entretanto, chegam outras notícias de confrontos esporádicos registando tensões esta manhã no bairro de lata de Mathare em Nairobi, onde a polícia levou a cabo ontem à noite uma operação de retirada de cerca de 80 famílias de etnia luo que se recusavam a pagar as suas rendas a um proprietário kikuyu. "Prendemos cerca de 80 familias - disse o comandante da polícia local, Jasper Ombati - porque não podemos permitir que qualquer um se aproveite do clima de confusão pós-eleitoral". Como reacção às prissões destes luo, alguns habitantes incendiaram um minibus e construiram barricadas.

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Quénia: negociações continuam "dificeis"

Num comunicado difundido ontem à noite pelo Presidente do Quénia, Mwai Kibaki diz-se "pronto a trabalhar e a partilhar a responsabilidade do governo com os membros de ODM (oposição) de Raila Odinga." Porém, faz notar que "qualquer solução política a ser adoptada deverá sempre respeitar a Constituição em vigor, sendo que esta não prevê o cargo de um primeiro ministro «forte»". Essa tinha sido a proposta avançada anteontem pelo mesmo Raila Odinga, lider da oposição e aspirante a este cargo governamental. Mwai Kibaki diz ainda que "a Carta fundamental deve servir de guia enquanto os negociadores discutem as reformas judiciais e institucionais necessárias para que o país avance."
Entretanto, segundo a BBC, o lider da oposição terá feito um aviso de relançar os protestos populares em massa se dentro de uma semana as negociações permanecerem num impasse. Isto poderia voltar a lançar a instabilidade e tensão social num país que vive hoje em relativa calma em todo o território. Odinga exige que o parlamento seja convocado para aprovar mudanças constitucionais que permitam um acordo de partilha de poder, facto que o actual presidente rejeita, segundo a nota à imprensa do mesmo de ontem à noite.
Recorde-se que Kofi Annan afirmou no final da semana passada que ambas as partes tinham concordado no principio de formar um governo de grande coligação, mas a forma de concretizar esse acordo é o que agora divide ambas as partes.
Fontes: www.misna.org e BBC.

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terça-feira, fevereiro 19

Quénia: recomeço das negociações e fim do recolher obrigatório em Nakuru

Recomeçaram esta manhã em Nairobi, à porta fechada, as reuniões de mediação entre os representantes da maioria governamental e oposição. As mesmas tinham sido interrompidas durante o fim de semana. O objectivo dos encontros é encontrar uma solução para a crise pós-eleitoral que paralisa o país e que, desde o dia 27 de Dezembro último, causou, segundo estimativas, cerca de 1000 mortos e 600 mil refugiados e deslocados. O partido da oposição (ODM) de Raila Odinga disse estar "satisfeito" com o andamento das negociações, dizendo, no entanto, que "o processo de estabilização do país não estará completo até que se encontre uma solução à altura."
Entretanto, das regiões mais afectadas pela violência nas passadas semanas, chegam notícias de confrontos esporádicos: duas pessoas morreram ontem à noite no decorrer de confrontos entre grupos de jovens nos arredores da localidade de Molo (Oeste). Num ataque, ocurrido em Sachangwani, outras quatro pessoas terão ficado feridas e cinco casas foram incendiadas.
Por outro lado, a calma parece ter regressado a Nakuru, quarta cidade maior do país e palco de violência entre habitantes Luo e Kikuyu, onde o recolher obrigatório imposto desde há quase duas semanas foi levantado.

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domingo, fevereiro 17

Quénia: Arcebispo Njue - "Diálogo unica via possível para recuperar a paz!"

"É um passo na direcção correcta ao mesmo tempo uma demonstração de que a via do diálogo é a única possível de percorrer para recuperar a paz ao Quénia". Assim comentou o Arcebispo de Nairobi e presidente da Comissão Episcopal do Quénia John Njue, o anúncio por parte de Kofi Annan da possibilidade de uma coligação governamental no país.
O cardeal é consciente que ainda há tempo para conseguir um acordo definitivo e exorta os políticos a percorrer o longo caminho traçado: "Espero que os nossos dois líderes continuem no caminho do diálogo pondo em primeiro lugar o bem comum e as realidades reais do povo do Quénia. A via do diálogo que está aberta deve assim continuar", disse.
Hoje, em todas as igrejas católicas de Nairobi foi lida uma carta do cardeal. "Na minha mensagem indico precisamente a urgência e necessidade de nos aceitarmos uns aos outros, segundo a via do amor para reencontrar a paz através da reconciliação. Peço ainda a todos que ajudem todas as pessoas em necessidade por causa da violência destas semanas", explicou o Cardeal Njue.

Fonte: MISNA

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Quénia: ponto da situação a esta data

Os dois partidos rivais do Quénia em disputa pelo resultado das eleições de 27 de Dezembro 2007 acordaram em estabelecer um painel independente para rever o processo eleitoral das eleições, declarou Kofi Annan na passada sexta feira, numa conferência de imprensa em Nairobi, a meio das negociações levadas a cabo durante esta última semana num local desconhecido pela comissão de mediadores que ele mesmo chefia.


O ex-secretário geral da ONU referiu, no entanto, que o possível acordo de partilha de poder não foi ainda finalizado.
A oposição acusa o Presidente Mwai Kibaki de ter "roubado" o resultado eleitoral. A disputa levou a protestos, nos quais pelo menos cerca de 1000 pessoas foram mortas e 600 mil tiveram que refugiar-se e deixar as suas casas.


"Muito perto"
O painel independente, incluindo peritoas quenianos e não quenianos, irá investigar "todos os aspectos" das eleições disputadas, disse Annan (ver aqui reportagem da Nation TV do Quénia - inglês e da BBC).
A comissão deverá começar o trabalho no dia 15 de Março e deverá submeter um relatório dentro de 3 a 6 meses, acrescentou.
"Estamos lá, estamos muito perto, proseguimos os trabalhos com firmeza", disse Annan, depois de dois dias de conversações secretas para acabar com a crise.
Kofi Annan deverá encontrar-se com Kibaki e o lider da oposição do partido ODM, Raila Odinga, na próxima segunda feira.
A correspondente da BBC Karen Allen em Nairobi diz que as equipas de mediadores de ambas as partes terão acordado num princípio de partilha de poder mas os detalhes da mesma terão ainda que ser trabalhados.
A comunidade internacional está a pressionar para um acordo que veria Odinga formar uma coligação com o Presidente Kibaki.
Na quinta feira, o negociador por parte do governo Mutula Kilonzo disse que as duas partes teriam acordado em rever uma nova constituição dentro de 1 ano.
Isto poderá abrir caminho para a criação do cargo de primeiro ministro, que Odinga ocuparia; porém a equipa da oposição diz que o assunto de partilha de poder terá de ser resolvido primeiro.


Ponham fim à crise
O correspondente da BBC em Nairobi diz que outros detalhes a ser ainda trabalhados são a divisão das pastas ministeriais no governo de grande coligação.
Durante as conversações, o ministro dos negócios estrangeiros alemão, Gernot Erler, falou com as duas equipas sobre a forma como a grande coligação governamental poderia trabalhar durante o período de partilha de poder. Ele falava a partir da experiência que a própria Alemanha teve de um governo do género há umas décadas atrás.
Espera-se que as equipas de mediadores recebam mais indicações dos seus líderes durante este fim de semana antes de voltarem a reunir-se para continuar as negociações na próxima terça-feira.
A secretária de estado norte-americana Condoleezza Rice deverá chegar ao Quénia já amanhã, segunda feira, para precionar ambas as partes a alcanzar um acordo governamental (ver aqui reportagem das declarações de George W. Bush sobre esta visita - da BBC em inglês)
Anann expressou optimismo ao esperar que a solução política que acabe com a crise será alcançada dentro de 3 dias. Disse ainda que será muito perigoso querer levar o país a eleições novamente num período de pelo menos 1 ano.


Polícia acusada
Diplomatas estrangeiros avisaram os representantes de ambas as partes de severas consequências caso não honrem o processo de negociação e falhem a solução para o problema.
Mas a ministra da justiça queniana, Martha Karua, que lidera a equipa do governo nas negociações, pediu aos diplomatas estrangeiros para acabarem com as suas ameaças uma vez que o Quénia percorre o seu próprio caminho.
"Gostaria de os recordar que não somos uma colónia e devem permanecer na convenção diplomática de não interferir com estados suberanos", disse Karua aos repórteres logo que chegaram a Nairobi das negociações desta semana (ver aqui declarações de Martha Karua - Nation TV - Quénia em inglês).
Entretanto, activistas dos direitos humanos acusaram a policia de "dormir no seu trabalho" por alegadamente falharem na investigação de suspeitas de comportamentos criminosos por parte da Comissão Eleitoral Queniana (ECK).
Apresentaram uma lista ao procurador geral de 22 nomes da comissão eleitoral e outro "staff", que, segundo os activistas, terão estado envolvidos na falsificação dos resultados eleitorais, subvertendo a lei de direito e falhando as suas responsabilidades durante as eleições de 27 de Dezembro (ver reportagem da Nation TV, Quénia - em inglês)
Observadores eleitorais internacionais dizem haver inumeras discrepâncias na forma como os votos foram contados e depois anunciados.
Grupos de direitos humanos pediram ao governador geral para ordenar a investigação e avisaram que se os seus pedidos são ignorados optarão por um processo judicial.
Fonte: BBC

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Quénia: breves da actual situação

Comissão de Direitos Humanos do Quénia processa Comissão Eleitoral

A Comissão de Direitos Humanos do Quénia processou a Comissão Eleitoral do país (ECK), alegando que em última instância, a última é a responsável pela violência que se seguiu à declaração da vitória de Mwai Kibaki nas eleições de 27 de Dezembro 2007. A acusação é de a ECK não ter levado a cabo o trabalho eleitoral que deveria ter feito, nomeadamente de ter supostamente colaborado na tomada de posse do actual presidente de uma forma "apressada e muito duvidosa".

Ver aqui reportagem desta notícia da Nation TV (Quénia) - inglês.

Antiga Primeira Ministra do Burundi: o Quénia ultrapassará este momento
A antiga primeira ministra do Burundi, Sylvie Kinigi, que governou o país na era pós-genocídio do Ruanda e Burundi, esteve em Nairobi para partilhar os seus esforços na dificil reconciliação do país que se seguiu ao genocídio.
Na sua intervenção, apontou caminhos e experiências de sucesso levadas a cabo no seu país que culminaram com uma pacificação do país. Mostrou também essa certeza para o Quénia.

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Quénia: deslocados recolocados

Durante a última semana, os deslocados internos no Quénia, vitimas da recente violência no país, começaram a deixar os campos de refugiados para serem recolocados por meios disponibilizados pelo governo na suas áreas ancestrais.
A ONU calculou que a recente violência no país terá gerado mais de 600 mil refugiados, a maioria internos, ao passo que outros terão mesmo cruzado a fronteira e fugido para países vizinhos, como Uganda e Tanzânia.

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Quénia: mais de 200 pessoas sob investigação

A Policia queniana, numa conferência de imprensa na passada 5ª feira, dia 14 de Fevereiro, disse estar a investigar mais de 200 pessoas proeminentes da sociedade ligadas e acusadas de violência no último mês e meio.
Mostrou à imprensa fotos de pessoas a cometer actos de violência, pedindo ajuda aos media, na identificação das mesmas.
Ao todo terão sido presas durantes estas ultimas semanas de violência, mais de 600 pessoas ligadas à incitação da violência no país.

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Quénia: Igreja diz "mea culpa"

Na passada quarta feira, dia 13 de Fevereiro, o Conselho Nacional das Igrejas no Quénia (NCCK), reconheceu que as várias igrejas não estiveram à altura de responder como deveriam à crise actual no Quénia.
Tal como referido no artido aqui publicado neste blogue no dia 6 de Fevereiro escrito pelo actual provincial dos Missionários Combonianos no Quénia, as igrejas foram também demasiado reféns e partidárias dos factores étnicos e políticos que devastaram o país nos ultimos quase 2 meses.
Isto mesmo foi reconhecido num encontro levado a cabo pelo NCCK durante a última semana.
Neste encontro, porém, foram salientados alguns passos que ajudarão o país a sair da crise: reformas constitucionais mínimas para restabelecer a paz no país, chamando a atenção que as igrejas no Quénia não deixarão que os políticos por si só sejam os únicos a buscar estas reformas, exigindo que as mesmas sejam participadas por todos os sectores da sociedade. Exigiu ainda que os responsáveis pela violência que devastou o país sejam trazidos diante da justiça e julgados segundo os seus actos, incluindo políticos e seus apoiantes.

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quarta-feira, fevereiro 13

Quénia: Annan põe parlamento ao corrente das negociações

Uma "grande colisão governamental, uma comissão independente para comprovar alegados abusos e tumultos nas eleições de 27 de Dezembro 1007, reformas eleitorais, reformas constitucionais, reformas instuticionais do sistema judicial e uma solução política para ser revelada nos próximos dias: estas são as opções apresentadas pelos mediadores da União Africana aos protagonistas da actual crise politica e social em curso há mais de um mês no Quénia. Num discurso desta manhã ao parlamento, reunido em sessão planária, o chefe da mediação Kofi Annan pediu para o apoio de todos os deputados para as negociações em curso, reiterando que "não nos podemos dar ao luxo de falhar." Um apelo também feito por Graça Machel, esposa de Nelson Mandela e membro da equipa de mediação, bem como o presidente do parlamento queniano Kenneth Merende. Baseado nos rumores divulgados pela imprensa, Annan terá já completado e organizado a comissão independente de investigação que será composta por especialistas quenianos e internacionais.
No seu discurso ao Parlamento - que depois continuou à porta fechada - Annan disse que o "Quénia está dividido assim como o Parlamento e por isso uma grande colisão governamental deverá trazer todos os partidos juntos." O ex secretario geral da ONU também confirmou que as negociações entre os representantes do Presidente Mwai Kibaki e do lider da oposição Raila Odinga continuarão nos próximos dias num local não revelado e pediu de novo a todos para respeitar um rigoroso "silêncio de imprensa", de modo a assegurar a não pressão nos esforços de mediação.
Fonte: www.misna.org - 12.02.2008 - 11.14h

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sábado, fevereiro 9

Quénia: enviado da ONU já está no país.

O coordenador da ONU para emergências humanitárias, John Holmes, chegou ontem ao Quénia para coordenar as acções de ajuda humanitária no país.
Hoje visitou já dois locais afectados pela violência: Nakuru e Molo na região noroeste do país, onde se concentram em campos de refugiados mais ou menos improvisados muitos dos 300 mil deslocados devido à crise política e social no Quénia.
Depois de visitar estes lugares, tendo falado com os próprios deslocados, John Holmes pediu um urgente acordo político pela paz no país.
A visita do enviado da ONU chega num momento em que há esperanças de que uma solução política para a crise ponha fim a esta situação humanitária insustentável.
O enviado disse aos jornalistas que veio ao Quénia para poder testemunhar em pessoa a dimensão dos deslocados que foi provocada por lutas inter-tribais, ao mesmo tempo que dava apoio à mediação levada a cabo pelo Sr. Annan.
"Todos estamos à espera que haverá alguma espécie de acordo alcançado em Nairobi que ajudará para manter a frágil calma que temos vindo a ver pervalecer durante os ultimos dias em áreas como esta", disse Sr. Holmes em Nakuru, onde 11 mil pessoas ficaram sem casa e sendo que muitos deles estão acampados num estádio.
"A alternativa, se não há acordo, eu penso ser de muito maior preocupação no sentido que isso poderá constituir uma razão mais para reiniciar a violência e isso levará a mais pessoas ficarem sem lar e ser obrigadas a fugir, tornando-se muito pior esta tragédia que já se vive neste momento," disse Sr. Holmes à BBC.

Funeral de Deputado
Entretanto, no noroeste do Quénia, foram milhares aqueles que participaram no funeral do deputado David Kibutai Too, morto no meio da violência por um polícia de trânsito durante a passada semana. Raila Odinga disse aos seus apoiantes que qualquer acordo a vir a ser alcançado não será nunca de desconsideração "pela justiça dos Quenianos."

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