quarta-feira, fevereiro 27

Quénia: momento preocupante e oposição anula manifestação

Tocará hoje ao presidente em exercício da União Africana (UA), o chefe de estado da Tanzania Jakaya Kikwete, tentar aplanar as divergências surgidas nas últimas 48 horas entre o governo e a oposição, as quais levaram à suspensão das negociações a fim de encontrar uma solução para a crise política e social que desde Dezembro último tem levado o país a graves problemas. A agenda dos trabalhos prevê para hoje encontros separados entre Kikwete e os líderes em disputa: o presidente Mwai Kibaki e o líder da oposição Raila Odinga. A estes encontros poderia também unir-se o chefe das negociações da UA, Kofi Annan, que ontem tinha suspendido os trabalhos depois de divergências sobre as responsabilidades a atribuir à emergente figura de primeiro ministro para o país. Por um lado, ontem, a frente governamental surpreendeu também os mediadores, recuando de uma posição precedente aceite, pedindo que a nomeação do primeiro ministro fosse legislada por via parlamentar (ficando assim o cargo de PM sujeito ao do presidente). Por outro lado a oposição reafirma que o cargo político deve ser fruto de uma alteração Constitucional.
"A suspensão de ontem das negociações marca mais um momento negro na história do país" escreve-se no Editorial de hoje do jornal queniano "Daily Nation" que traz o título "O sangue dos inocentes estará nas vossas mãos." Neste editorial é expressada uma preocupação profunda pelo estado das negociações pedindo às partes em disputa para que reunam de novo todos os esforços conjuntos, pondo de parte a ambição e o personalismo. "Os negociadores - prossegue o editorial - não apontaram o dedo contra ninguém, mas é claro para todos os quenianos que o país está na orla de um precipicio." Um pedido ainda aos próprios dirigentes quenianos que "assumam plenamente todas as suas responsabilidades nesta situação." Este mesmo pedido foi também feito pelo comissário europeu para o desenvolvimento Louis Michel que disse ter uma "profunda inquietação" pelo estado das coisas nas últimas horas. As pressões, internas e internacionais, por agora sortiram um primeiro efeito, convencendo o lider da oposição Raila Odinga a anular "até novas ordens" as manifestações de protesto públicas ameaçadas nos últimos dias e que a partir de amanhã deveriam ter lugar nas vias públicas sob a liderança do Movimento Democrático Laranja (ODM), levantando de novo a tensão. O anúncio feito por Odinga foi tornado público no final do encontro à porta fechada tido com Kikwete.

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