quinta-feira, novembro 29

Missionário português no Darfur condena governo do Sudão


O Pe. Feliz Martins, o único missionário português no Darfur, considera que o governo do Sudão tem contado com a benevolência da comunidade internacional perante a maior crise humana da actualidade.
Na região, com a área de França, milhares de deslocados de guerra estão a ser obrigados pelo Governo a abandonar os campos de refugiados. Para o religioso Comboniano, esta é uma estratégia para iludir a Comunidade Internacional sobre o que se passa no Sudão.
O Pe. Martins espera que a cimeira União Europeia-África, em Lisboa, sirva para alertar o mundo para a situação que ali se vive.
Em declarações à Renascença, o missionário diz que "as organizações mundiais humanitárias e as Nações Unidas não podem actuar livremente".
Em apenas cinco anos, morreram no Darfur, vítimas da guerra, da fome ou da doença pelo menos 200 mil pessoas – os piores prognósticos apontam para cerca de meio milhão de pessoas.
Calcula-se que pelo menos 2,3 milhões tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a procurar refúgio em campos onde estão totalmente dependentes das Nações Unidas e organizações humanitárias. Todos os dias morrem pessoas, a maior parte das quais crianças. O conflito internacionalizou-se, passou as fronteiras do Sudão, para o Chade e República Centro-Africana (RCA), onde as populações negras do Darfur procuravam fugir ao conflito.
"É o caos, a desordem, a anarquia", alerta o único missionário português no local.

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sábado, agosto 11

Uma rádio no Sudão pela Paz

José Vieira, aliás, Abuna Josef, "nosso pai" do sul do Sudão
Público - 10.08.2007, Alexandra Lucas Coelho

Entre a Montanha dos Espíritos e o rio Nilo fica Juba, cidade do sul do Sudão onde um missionário português está a lançar uma cadeia de rádios. Em Lisboa acaba de lançar uma plataforma de ajuda ao Darfur.
Em oito anos de Etiópia, o padre comboniano José da Silva Vieira ficou fluente em guji, uma das línguas locais. Mas em Juba, no sul do Sudão, ainda fala sobretudo inglês. Só lá está desde Dezembro. O dialecto local é o "Juba arabic", e nessa variante do árabe o nome dele passou a ser Abuna Josef, ou mais simplesmente Abuna Joe. Abuna quer dizer "nosso pai".
Todas as manhãs, Abuna Joe, 47 anos, português da aldeia da Aliviada, Cinfães, Douro, onde só havia três famílias - a de um ferreiro, a de um GNR e a do seu pai, trabalhador da construção civil - sai da sua casa em Juba e vai para a Rádio Bakhita, primeira de uma cadeia de oito que os missionários combonianos querem desenvolver no sul do Sudão. Regressa a casa já de noite, e por vezes a pé, uma caminhada de 20 minutos por terra batida e entre as palhotas que dominam a maior parte desta cidade nas margens do Nilo. Desde o acordo de paz assinado em Janeiro de 2005, "vive-se com mais segurança em Juba do que em Nairóbi", diz o sorridente missionário, agora de férias em Lisboa, onde esta semana lançou uma campanha a favor do Darfur. Bakhita quer dizer "abençoada". Uma rádio declaradamente católica, como 60 por cento da população de Juba, que é esmagadoramente cristã (aos católicos somam-se 20-30 por cento de anglicanos) e negra (cerca de 90 por cento). Transmite em inglês e em árabe, e quer contribuir para solidificar a paz, num país dividido entre o norte árabe e muçulmano e o sul negro e cristão, com um genocídio a acontecer no Darfur. "O meu trabalho de missionário é preparar as pessoas para daqui a cinco anos ficarem com o projecto nas mãos. Um dos objectivos da rádio é levar à reconciliação. Durante a guerra, o governo sudanês usava os homens do Darfur para lutar contra o sul, e quando a crise rebentou no Darfur houve um certo regozijo no sul por também o Darfur estar a sofrer agora às mãos dos árabes. Para uma rádio cristã, este tipo de mentalidade não faz sentido. Se o Darfur está a sofrer, o sul também sofre."Abuna Joe, aliás, José Vieira, é o director de informação desta rádio-mãe, e tem estado a aproveitar o Verão lisboeta para um estágio na Rádio Renascença, a ganhar tarimba em noticiários de rádio.
No Sudão, só pode andar pelo sul, a parte do território para onde possui visto. Quem está no Darfur já há dois anos é outro missionário comboniano português, Feliz da Costa Martins.A Rádio Bakhita - que tem estúdios "em tijolo-burro, para tentar isolar, porque não há a lã de rocha que aqui é usada para isolamento, a lã de Juba é de camelo e de ovelha..." - emite "programas de formação humana e religiosa", sobretudo para jovens e mulheres, que actualmente constituem a maioria da população. "Porque a maior parte dos que morreram na guerra eram homens."E de que falam estes programas, no seu intuito reconciliatório? "De recenseamento, partilha de poder e de riquezas como o petróleo, da diferença entre a sharia [lei islâmica] e a lei comum, da mudança do dinar, que era árabe, para voltar à libra sudanesa..."Agora já tem Internet, mas no começo "fazia download" aproveitando o wireless da ONU, duas horas debaixo de uma árvore para um quarto de hora de notícias..."Entre a montanha e o rioClicando na pasta "Juba", no seu portátil, o padre José Vieira, aliás, Abuna Joe, mostra barracas de tijolo, canas, palha, zinco. "Juba é uma cidade de palhotas e algumas construções que aguentaram a guerra." Nas vistas gerais, entre as árvores, vêem-se as palhotas cobertas por plásticos azuis, da ONU. "Não é preciso fazer casas muito complicadas porque é quente, 48 graus é normal. É preciso é ter cuidado com a cobertura, por causa da chuva e das cobras."Em quase todas as imagens aparecem motas pelos caminhos de terra batida. "São o meio de transporte por excelência. São o táxi, levam as pessoas, os carregamentos." A banda da polícia toda aperaltada, rapazes e raparigas escuteiros, a catedral, o mercado, sempre em terra batida. "Os ovos são a base da alimentação, eles gostam muito de ovos cozidos. E comem farinha de milho com esparregado. Tudo importado, ovos e tomates, por exemplo, vêm do Uganda." Também se vêem bancas de peixe seco, alguns demasiado grandes para terem vindo do Nilo, acha Abuna Joe. Numa das fotografias vê-se como Juba é plana, entre a grande montanha dos Espíritos e o Nilo, rio essencial, "para lavar roupa, para se lavarem a eles, para transporte, pescaria..."
Hospital é o que está "a ser recuperado por chineses, 555 camas, oito médicos" e "o grande problema de Juba é o lixo". Não há recolha. "Vão queimando. Daí haver crises de cólera anuais, sobretudo durante as chuvas."Continua a haver muitas armas, "mas está a ser feita uma recolha". Mais difícil recolher ódios, medos, traumas. "As pessoas dizem: "No passado sabíamos quem eram os nossos inimigos, eram os árabes." Agora, os dinkas, que são a tribo maioritária do sul, comportam-se como os árabes. Não respeitam terrenos, espaços. Estão a criar muitos anti-corpos no Sudão."Que dificilmente será um país, crê o padre José Vieira. "Se houver eleições, acho que o sul vai lutar pela independência. Tem petróleo, tem minério, tem rio. Faz sentido serem dois países diferentes. Os ingleses criaram uma fronteira artificial."

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segunda-feira, julho 30

Assine a Petição por Darfur

SUDÃO
Apelo ao Embaixador da China
para intervir na situação no Darfur

A AI Portugal, no âmbito do seu trabalho conjunto na Plataforma por África – Projecto pela Paz no Darfur, promove uma petição ao Embaixador da China em Portugal para que use da sua influência para pôr fim à situação dramática no Darfur.

A um ano do início dos Jogos Olímpicos em 2008, queremos relembrar às autoridades chinesas os princípios subjacentes a este acontecimento, reclamando a sua intervenção imediata junto do governo de Cartum, assim como das Nações Unidas, como Membro Permanente do Conselho de Segurança.

A China é um dos países que continua a vender armas e equipamento militar ao Sudão, no entanto afirmou em Maio deste ano, depois da publicação de um relatório da AI, que a venda “limitada” não quebrou o embargo das Nações Unidas e que foram utilizados critérios restritos na exportação de armas para o Sudão.

No entanto, o governo de Cartum continua a usar as armas e equipamento militar fornecidos pela China e outros países, para cometer graves abusos e violações aos direitos humanos.

Conheça o relatório completo


Participe na petição para o Embaixador da China em Portugal. Imprima, faça circular e devolva a petição para a morada indicada até 7 de Agosto de 2007.

Para conhecer o texto da petição em português clique aqui.

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segunda-feira, julho 2

Sudão: o direito das vítimas de abuso sexual

Um dos problemas que mais aflige o Sudão, nomedamente o Darfur, é a violação de crianças e mulheres. Uma situação que piora com a guerra, mas também com a legislação actual.
A organização Refugees International alerta para a a necessidade de se mudar a lei, para que haja uma maior protecção das vítimas de abuso sexual. Afinal, há que acabar com a guerra, mas também convém que haja legislação que proteja os direitos humanos.
A organização lançou um relatório onde aborda esta problemática, intitulado Laws Without Justice: An Assessment od Sudanese Laws Affecting Survivors of Rape.

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quarta-feira, junho 20

Documentário sobre Darfur- conheça a situação!

Neste documentário, disponível no YouTube.com (em inglês), pode perceber-se de uma forma muito realista o que se está a passar em Darfur, bem como as atrocidades, o genocídio em curso, enquanto a comunidade internacional não actua militarmente, defendendo os seus interesses económicos na região, preferindo apenas apoiar humanitariamente. É o jogo habitual do não querer actuar para sair prejudicados. Leia, escute, veja e divulgue. Todo o apoio é necessário. Obrigado!

Outros vídeos sobre Darfur:

- A ignorância dos americanos sobre esta questão...

- O Genocídio do Darfur: a verdadeira história de horror

- Números e realidades do Darfur

- Caos em Darfur! Que podemos fazer?

- Video do campo de refugiados

- Outros filmes do YouTube.com

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quarta-feira, junho 13

Ajudem o Darfur!

A pedido do P. Leonel, comboniano do Centro Vocacional Juvenil de Coimbra, aqui vai a sugestão:

O genocídio continua no Darfur. Já se fala numa catástrofe pior do que o Ruanda.
É preciso agir! No terreno temos várias organizações que tentam ser uma gota de água no meio de tanta tragédia. Cá, em Portugal, e um pouco por todo o mundo tentamos ajudar através de campanhas que informem e sensibilizem as pessoas para o que está a acontecer a este povo.
Toda a ajuda é precisa. Em Portugal, ainda estamos no início de uma campanha que visa informar, sensibilizar e fazer com que cada um de nós possa agir em prol dos direitos do povo sudanês. Se tiver ideias ou se se quiser juntar à campanha, basta ir a http://plataformafrica.blogspot.com .

Quando foi a campanha de Timor, no início, a maioria da pessoas não acreditava que se pudesse fazer alguma coisa. Mas fez-se. Ainda ontem, nas comemorações do 10 de Junho, o presidente timorense, Ramos Horta, agradeceu a Portugal por ter contribuído massivamente para que Timor se tornasse numa democracia.

E se fosse connosco? Não gostaríamos, de certeza, que silenciassem o nosso sofrimento.

Saudações
Leonel
Fé e Missão (Missionários Combonianos)

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terça-feira, abril 17

Infelizmente... hipocrisias!

Infelizmente a hipócrisia bateu à porta!

Foi com sentimentos de horror que recebemos a notícia do assassínio de 33 estudantes numa escola nos EUA. Todas estas atrocidades devem ser condenadas. Toda a pessoa víctima de violência deve ser chorada.

PORÉM: salta-me a tampa ao pensar que, por exemplo no Iraque, morrem muitas mais pessoas diariamente, victimas de uma guerra estúpida e mal gerida pelos mesmos EUA, pelos mesmos políticos que hoje, marcaram presença nas homenagens às víctimas. Quantas pessoas mortas no DARFUR diariamente enquanto o mundo, e particularmente os EUA, ficam impávidos e serenos? Foram horas e horas de tempo de antena nas cadeias televisivas; foram lançadas para o ar reacções estupefactas e horrorizadas por causa desta atrocidade na escola. Porque que é que não é dada a mesma cobertura e informação nos media internacionais destas situações que se arrastam há anos? Porque é que o mundo diante desta situação entra em estado de choque e, depois, diante do genocídio no Sudão, das atrocidades no Iraque e no Uganda (só para mencionar alguns) lhes passa completamente ao lado?

O ser humano é de facto muito hipócrita!

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