segunda-feira, junho 14

Mundial ao Contrário

Este apelo foi traduzido do sítio das Missionárias Combonianas Combonifem. É um apelo enviado à embaixadora da Africa do Sul na Itália, tendo como primeiro assinante o P. Alex Zanotelli, missionário comboniano, a favor dos pobres na África do Sul e dos movimentos que procuram defender os seus direitos. A campanha pretende recolher o máximo de assinaturas até ao dia 20 de Junho.Este apelo foi traduzido do sítio das Missionárias Combonianas Combonifem. É um apelo enviado à embaixadora da Africa do Sul na Itália, tendo como primeiro assinante o P. Alex Zanotelli, missionário comboniano, a favor dos pobres na África do Sul e dos movimentos que procuram defender os seus direitos. A campanha pretende recolher o máximo de assinaturas até ao dia 20 de Junho.

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segunda-feira, outubro 20

Quénia: missão que me espera!

Olá malta amiga!
Encontro-me, como sabeis, quase de partida e de volta para o Quénia. Será, se Deus quiser, no dia 16 de Novembro próximo. E já não é sem tempo! Se tivesse dependido só de mim... já lá estava, obviamente! Mas, graças a Deus, estou a recuperar muito bem... já quase a 100%.
Gostaria de iniciar aqui a publicação de algumas notícias sobre o Quénia. São notícias que são publicadas no sitio da web de um dos jornais do Quénia o "Daily Nation". Para facilitar a compreensão, acrescento-lhes a tradução em legendas... até porque o inglês do Quénia não é propriamente o puro "british".
Espero que esta seja uma forma de, juntos, irmos preparando esta partida missionária. Nem vou só, nem parto só! Parto em nome de todos vós também, amigos e amigas!
Espero que gostem de iniciar a partida comigo... como dizemos no Quénia: safari njema, ou seja, boa viagem!

Turkana, Quénia - Seca dura há 2 anos
O grupo étnico Turkana situa-se no noroeste do país, vizinhos do povo Pokot.
Os Combonianos temos 2 missões nesta zona semi-desértica, tal como a zona Pokot.

Missão de Barpello: Projecto médico em risco

Graças a Deus, o problema deste dispensário

foi solucionado com alguma boa vontade por parte de todos.

Graças a Deus!

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quinta-feira, setembro 25

Entre 2005 e 2007, aumentou em 75 milhões o número das pessoas que no mundo sofrem a fome, elevando o total a 923 milhões de pessoas.
Veja o filme desta notícia abaixo ou clique aqui para aceder à notícia escrita.

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quarta-feira, fevereiro 20

Quénia: Nobel da Paz ameaçada de morte

Wangari Maathai, prémio nobel da paz, afirmou a jornalistas quenianos que recebeu ameaças de morte por parte do grupo-seita armada ilegal "Mungiki" através de mensagem de texto.
Maathai é uma antiga ministra do mesmo grupo étnico desta seita armada, os Kikuyu, tal como o presidente Mwai Kibaki, mas ela tem pedido mais elasticidade nas negociações dos líderes de ambas as partes envolvidas na crise, desde que a violência tomou conta do país a seguir às últimas eleições.
O texto diria "Por causa de constantemente se opor ao governo, Professora Wangari Maathai, decidimos por a sua cabeça a prémio muito brevemente. Chunga maisha yako (toma cuidado com a tua vida)."

Ainda violência
Entretanto, chegam outras notícias de confrontos esporádicos registando tensões esta manhã no bairro de lata de Mathare em Nairobi, onde a polícia levou a cabo ontem à noite uma operação de retirada de cerca de 80 famílias de etnia luo que se recusavam a pagar as suas rendas a um proprietário kikuyu. "Prendemos cerca de 80 familias - disse o comandante da polícia local, Jasper Ombati - porque não podemos permitir que qualquer um se aproveite do clima de confusão pós-eleitoral". Como reacção às prissões destes luo, alguns habitantes incendiaram um minibus e construiram barricadas.

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Quénia: negociações continuam "dificeis"

Num comunicado difundido ontem à noite pelo Presidente do Quénia, Mwai Kibaki diz-se "pronto a trabalhar e a partilhar a responsabilidade do governo com os membros de ODM (oposição) de Raila Odinga." Porém, faz notar que "qualquer solução política a ser adoptada deverá sempre respeitar a Constituição em vigor, sendo que esta não prevê o cargo de um primeiro ministro «forte»". Essa tinha sido a proposta avançada anteontem pelo mesmo Raila Odinga, lider da oposição e aspirante a este cargo governamental. Mwai Kibaki diz ainda que "a Carta fundamental deve servir de guia enquanto os negociadores discutem as reformas judiciais e institucionais necessárias para que o país avance."
Entretanto, segundo a BBC, o lider da oposição terá feito um aviso de relançar os protestos populares em massa se dentro de uma semana as negociações permanecerem num impasse. Isto poderia voltar a lançar a instabilidade e tensão social num país que vive hoje em relativa calma em todo o território. Odinga exige que o parlamento seja convocado para aprovar mudanças constitucionais que permitam um acordo de partilha de poder, facto que o actual presidente rejeita, segundo a nota à imprensa do mesmo de ontem à noite.
Recorde-se que Kofi Annan afirmou no final da semana passada que ambas as partes tinham concordado no principio de formar um governo de grande coligação, mas a forma de concretizar esse acordo é o que agora divide ambas as partes.
Fontes: www.misna.org e BBC.

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terça-feira, fevereiro 19

Quénia: recomeço das negociações e fim do recolher obrigatório em Nakuru

Recomeçaram esta manhã em Nairobi, à porta fechada, as reuniões de mediação entre os representantes da maioria governamental e oposição. As mesmas tinham sido interrompidas durante o fim de semana. O objectivo dos encontros é encontrar uma solução para a crise pós-eleitoral que paralisa o país e que, desde o dia 27 de Dezembro último, causou, segundo estimativas, cerca de 1000 mortos e 600 mil refugiados e deslocados. O partido da oposição (ODM) de Raila Odinga disse estar "satisfeito" com o andamento das negociações, dizendo, no entanto, que "o processo de estabilização do país não estará completo até que se encontre uma solução à altura."
Entretanto, das regiões mais afectadas pela violência nas passadas semanas, chegam notícias de confrontos esporádicos: duas pessoas morreram ontem à noite no decorrer de confrontos entre grupos de jovens nos arredores da localidade de Molo (Oeste). Num ataque, ocurrido em Sachangwani, outras quatro pessoas terão ficado feridas e cinco casas foram incendiadas.
Por outro lado, a calma parece ter regressado a Nakuru, quarta cidade maior do país e palco de violência entre habitantes Luo e Kikuyu, onde o recolher obrigatório imposto desde há quase duas semanas foi levantado.

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domingo, fevereiro 17

Quénia: ponto da situação a esta data

Os dois partidos rivais do Quénia em disputa pelo resultado das eleições de 27 de Dezembro 2007 acordaram em estabelecer um painel independente para rever o processo eleitoral das eleições, declarou Kofi Annan na passada sexta feira, numa conferência de imprensa em Nairobi, a meio das negociações levadas a cabo durante esta última semana num local desconhecido pela comissão de mediadores que ele mesmo chefia.


O ex-secretário geral da ONU referiu, no entanto, que o possível acordo de partilha de poder não foi ainda finalizado.
A oposição acusa o Presidente Mwai Kibaki de ter "roubado" o resultado eleitoral. A disputa levou a protestos, nos quais pelo menos cerca de 1000 pessoas foram mortas e 600 mil tiveram que refugiar-se e deixar as suas casas.


"Muito perto"
O painel independente, incluindo peritoas quenianos e não quenianos, irá investigar "todos os aspectos" das eleições disputadas, disse Annan (ver aqui reportagem da Nation TV do Quénia - inglês e da BBC).
A comissão deverá começar o trabalho no dia 15 de Março e deverá submeter um relatório dentro de 3 a 6 meses, acrescentou.
"Estamos lá, estamos muito perto, proseguimos os trabalhos com firmeza", disse Annan, depois de dois dias de conversações secretas para acabar com a crise.
Kofi Annan deverá encontrar-se com Kibaki e o lider da oposição do partido ODM, Raila Odinga, na próxima segunda feira.
A correspondente da BBC Karen Allen em Nairobi diz que as equipas de mediadores de ambas as partes terão acordado num princípio de partilha de poder mas os detalhes da mesma terão ainda que ser trabalhados.
A comunidade internacional está a pressionar para um acordo que veria Odinga formar uma coligação com o Presidente Kibaki.
Na quinta feira, o negociador por parte do governo Mutula Kilonzo disse que as duas partes teriam acordado em rever uma nova constituição dentro de 1 ano.
Isto poderá abrir caminho para a criação do cargo de primeiro ministro, que Odinga ocuparia; porém a equipa da oposição diz que o assunto de partilha de poder terá de ser resolvido primeiro.


Ponham fim à crise
O correspondente da BBC em Nairobi diz que outros detalhes a ser ainda trabalhados são a divisão das pastas ministeriais no governo de grande coligação.
Durante as conversações, o ministro dos negócios estrangeiros alemão, Gernot Erler, falou com as duas equipas sobre a forma como a grande coligação governamental poderia trabalhar durante o período de partilha de poder. Ele falava a partir da experiência que a própria Alemanha teve de um governo do género há umas décadas atrás.
Espera-se que as equipas de mediadores recebam mais indicações dos seus líderes durante este fim de semana antes de voltarem a reunir-se para continuar as negociações na próxima terça-feira.
A secretária de estado norte-americana Condoleezza Rice deverá chegar ao Quénia já amanhã, segunda feira, para precionar ambas as partes a alcanzar um acordo governamental (ver aqui reportagem das declarações de George W. Bush sobre esta visita - da BBC em inglês)
Anann expressou optimismo ao esperar que a solução política que acabe com a crise será alcançada dentro de 3 dias. Disse ainda que será muito perigoso querer levar o país a eleições novamente num período de pelo menos 1 ano.


Polícia acusada
Diplomatas estrangeiros avisaram os representantes de ambas as partes de severas consequências caso não honrem o processo de negociação e falhem a solução para o problema.
Mas a ministra da justiça queniana, Martha Karua, que lidera a equipa do governo nas negociações, pediu aos diplomatas estrangeiros para acabarem com as suas ameaças uma vez que o Quénia percorre o seu próprio caminho.
"Gostaria de os recordar que não somos uma colónia e devem permanecer na convenção diplomática de não interferir com estados suberanos", disse Karua aos repórteres logo que chegaram a Nairobi das negociações desta semana (ver aqui declarações de Martha Karua - Nation TV - Quénia em inglês).
Entretanto, activistas dos direitos humanos acusaram a policia de "dormir no seu trabalho" por alegadamente falharem na investigação de suspeitas de comportamentos criminosos por parte da Comissão Eleitoral Queniana (ECK).
Apresentaram uma lista ao procurador geral de 22 nomes da comissão eleitoral e outro "staff", que, segundo os activistas, terão estado envolvidos na falsificação dos resultados eleitorais, subvertendo a lei de direito e falhando as suas responsabilidades durante as eleições de 27 de Dezembro (ver reportagem da Nation TV, Quénia - em inglês)
Observadores eleitorais internacionais dizem haver inumeras discrepâncias na forma como os votos foram contados e depois anunciados.
Grupos de direitos humanos pediram ao governador geral para ordenar a investigação e avisaram que se os seus pedidos são ignorados optarão por um processo judicial.
Fonte: BBC

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Quénia: breves da actual situação

Comissão de Direitos Humanos do Quénia processa Comissão Eleitoral

A Comissão de Direitos Humanos do Quénia processou a Comissão Eleitoral do país (ECK), alegando que em última instância, a última é a responsável pela violência que se seguiu à declaração da vitória de Mwai Kibaki nas eleições de 27 de Dezembro 2007. A acusação é de a ECK não ter levado a cabo o trabalho eleitoral que deveria ter feito, nomeadamente de ter supostamente colaborado na tomada de posse do actual presidente de uma forma "apressada e muito duvidosa".

Ver aqui reportagem desta notícia da Nation TV (Quénia) - inglês.

Antiga Primeira Ministra do Burundi: o Quénia ultrapassará este momento
A antiga primeira ministra do Burundi, Sylvie Kinigi, que governou o país na era pós-genocídio do Ruanda e Burundi, esteve em Nairobi para partilhar os seus esforços na dificil reconciliação do país que se seguiu ao genocídio.
Na sua intervenção, apontou caminhos e experiências de sucesso levadas a cabo no seu país que culminaram com uma pacificação do país. Mostrou também essa certeza para o Quénia.

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Quénia: deslocados recolocados

Durante a última semana, os deslocados internos no Quénia, vitimas da recente violência no país, começaram a deixar os campos de refugiados para serem recolocados por meios disponibilizados pelo governo na suas áreas ancestrais.
A ONU calculou que a recente violência no país terá gerado mais de 600 mil refugiados, a maioria internos, ao passo que outros terão mesmo cruzado a fronteira e fugido para países vizinhos, como Uganda e Tanzânia.

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Quénia: mais de 200 pessoas sob investigação

A Policia queniana, numa conferência de imprensa na passada 5ª feira, dia 14 de Fevereiro, disse estar a investigar mais de 200 pessoas proeminentes da sociedade ligadas e acusadas de violência no último mês e meio.
Mostrou à imprensa fotos de pessoas a cometer actos de violência, pedindo ajuda aos media, na identificação das mesmas.
Ao todo terão sido presas durantes estas ultimas semanas de violência, mais de 600 pessoas ligadas à incitação da violência no país.

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Quénia: Igreja diz "mea culpa"

Na passada quarta feira, dia 13 de Fevereiro, o Conselho Nacional das Igrejas no Quénia (NCCK), reconheceu que as várias igrejas não estiveram à altura de responder como deveriam à crise actual no Quénia.
Tal como referido no artido aqui publicado neste blogue no dia 6 de Fevereiro escrito pelo actual provincial dos Missionários Combonianos no Quénia, as igrejas foram também demasiado reféns e partidárias dos factores étnicos e políticos que devastaram o país nos ultimos quase 2 meses.
Isto mesmo foi reconhecido num encontro levado a cabo pelo NCCK durante a última semana.
Neste encontro, porém, foram salientados alguns passos que ajudarão o país a sair da crise: reformas constitucionais mínimas para restabelecer a paz no país, chamando a atenção que as igrejas no Quénia não deixarão que os políticos por si só sejam os únicos a buscar estas reformas, exigindo que as mesmas sejam participadas por todos os sectores da sociedade. Exigiu ainda que os responsáveis pela violência que devastou o país sejam trazidos diante da justiça e julgados segundo os seus actos, incluindo políticos e seus apoiantes.

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quarta-feira, fevereiro 13

Quénia depois da violência

A situação nos vários locais do Quénia depois da violência

Depois de seis semanas das eleições, a violência étnica e política no Quénia está diminuta. Eis aqui alguns apontamentos curtos da situação actual nalguns dos lugares que testemunharam mais violência:

Rift Valley, Oeste
Calma relativa está a voltar à zona de maior simpatia pela oposição, particularmente Eldoret, depois de semanas de violêntos e sangrentos confrontos.
As estatísticas governamentais mostram que dos cerca de 1000 mortos na violência em todo o país, quase metade foram no Rift Valley e nas provincias do oeste.
O pior incidente aconteceu quando jovens armados puseram fogo a uma igreja nos subúrbios de Eldoret, matando pelo menos 50 pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, que tinham procurado refúgio na igreja.
Cerca de 150 mil pessoas, na sua maioria membros da comunidade Kikuyu, a mesma do Presidente Mwai Kibaki, deixaram estas duas provincias e dirigiram-se para as suas terras ancestras na provincia Central e Nairobi.
Cerca de 20 mil pessoas, a maior parte da comunidade Luo, a mesma do lider da oposição Raila Odinga, deslocaram-se na direcção oposta.
O comércio na maioria das cidades, como Kakuru e Eldoret, reabriram. Bancos, lojas, hoteis e comerciantes de ocasião estão a trabalhar sem medo.
Todos os bloqueios de estrada, onde os jovens armados atacavam Kikuyus que viajavam nos transportes públicos matando-os à catanada, foram removidos e a policia armada tem vigiado o local.
Mas a vida nos campos para as vitimas da violência é dura por causa das chuvas que agora encheram os campos de água.
Muitas pessoas, especialmente os idosos e crianças, correm o risco de contrair doenças. Há também uma necessidade urgente de fornecer comida e serviços médicos.
Os transportes públicos estão de novo a operar e os minibus taxi estão de novo em circulação, uma vez que já não necessitam de qualquer escolta policial para circular.
Mas uma forte presença policial continua bem visivel em Eldoret e cidades circundantes.
Camiões cheios de paramilitares da Unidade de Serviço Geral (uma espécie de policia de intervenção) são agora comuns nas ruas.
Residentes jão não têm receio de voltar aos seus lares, locais que antes eram reconhecidos como inseguros.
O chefe da policia em Eldoret Muinde Kioko disse à BBC que os oficiais da segurança permanecerão na cidade enquanto as sessões de mediação estiverem a ser levadas a cabo por Kofi Annan em Nairobi.
"Nós nos queremos iludir com nada, mesmo com a calma que agora se sente em Eldoret - as coisas podem mudar muito rapidamente e temos que estar preparados a todo o momento", disse.

Kisumu
Kisumu, que esteve a ferro e fogo durante o período pós eleitoral com pessoas a roubar e a queimar lojas, está agora calmo.
Alguns negociantes começaram mesmo a reconstruir os seus locais de comércio, pintando-os, esperando que depressa a vida volte ao normal na capital da provincia de Nyanza.
Mas a economia na cidade das margens do lago Vitória foi severamente afectada.
A pesca, que é na região a actividade económica mais importante, colapsou uma vez que a maioria dos compradores e operadores de fábricas de peixe deixaram a região devido aos confrontos étnicos a seguir às eleições ao dia 27 de Dezembro passado.
Um condutor de "matatu" (minibus - transporte público) chamado Oiro diz: "Enquanto que no passado eu fazia cerca de 5000 xelins por dia (cerca de 50 euros), hoje tenho um dia bom quando faço cerca de 1000 xelins (10 euros). Eu espero que Kofi Annan force o presidente Kibaki e Raila Odinga a fazer as pazes para que possamos continuar as nossas vidas."
A Universidade de Maseno, que fica a cerca de 50 km da cidade e deve ter mais de 10 mil estudantes, não pode abrir porque o funcionamento da mesma não pode assegurar a segurança dos estudantes e dos trabalhadores.
Algumas das casas de residentes estudantes foram destruídas e ainda estão à espera de serem reparadas.

Bairros de lata de Nairobi
A tensão continua alta no bairro de lata de Kibera e Mathare (Kariobangui), que testemunharam violência extrema no período pos eleitoral.
As cenas de violência que forçaram milhares de pessoas a fugir acabaram e algumas familias começaram a retornar para as suas casas no bairro de lata mas fazem-no com um cuidado extremo.
Algumas partes dos bairros de lata foram divididos por zonas étnicas, com muitas pessoas a escolher viverem em áreas dominadas por pessoas da sua comunidade étnica.
Em ambos os bairros de lata, alguns dos habitantes encontraram as suas casas ocupadas por estranhos que se recusam a sair, contribuindo para uma contínua tensão.
Em Kibera, onde muitas lojas e casas do bairro foram queimadas durante a violência, a policia e os oficiais do governo realizaram um encontro com os residentes no fim de semana passado numa tentativa de resolver a disputa de propriedades das casas.
O porta-voz da policia Eric Kiraithe disse que a maioria dos bairros de lata permanecem calmos desde que começaram as reuniões de mediação lideradas por Kofi Annan.
No fim de semana, o chefe da policia Hussein Ali levantou a proibição de manifestações publicas em todo o país, justificando o retorno à normalidade.
Os residentes estão agora a por as suas esperanças na habilidade de mediação de Kofi Annan para encontrar uma solução politica.

Mombasa
O sector do turismo, instalado ao longo da costa do Oceano Indico, que o ano passado contribuiu 15% para as receitas nacionais, foi devastado pela crise pos eleitoral.
A maioria dos turistas cancelaram as suas viagens para ver os muldialmente famosos safari resorts e hoteis de praia, com uns poucos hoteis a ter a sorte de registar 30 a 40% de ocupação.
Só na provincia da Costeira existem mais de 120 hoteis de classe mundial, 20 dos quais fecharam, com cerca de 20 mil empregados mandados para casa.
Rufus Mwachiru, presidente da Associação de Operadores Turisticos do Quénia, diz que cerca de 20 mil dos seus membros ficaram desempregados.
Ong'ong'a Achieng', director do Painel de Turismo do Quénia, diz que a industria, que o ano passado rendeu ao país o recorde de 65 mil milhões de xelins espera agora perder cerca de 5,5 mil milhões de xelins por mês durante o primeiro trimestre deste ano.
Ele avisa que a situação irá piorar e a economia será severamente afectada se a solução para o actual impasse político não seja rapidamente encontrada.
O porto de Mombasa sofreu uma nunca vista sobrelotação do contentores no porto. Isto foi provocado pela indisponibilidade dos camiões, uma vez que os transportadores não queriam viajar país acima com os confrontos a decorrer em Nairobi, Rift Valley e região Oeste, a estrada que atravessa todas estas regiões em direcção ao Uganda. A meio de Janeiro, o porto que tem a capacidade para 14300 contentores, estava sobrelotado com 18472. Nessa altura, 8 barcos flutuavam no mar uma vez que não havia mais espaço para atracar. Alguns navios cansaram-se de esperar e mudaram o curso da rota para Dar es Salaam na vizinha Tanzânia.
Os caminhos de ferro estão operacionais de novo, depois de partes da linha ter sido arrancada e destruída por manifestantes.
Alguns dos contentores estão já a ser movidos mas a "passo de caracol". Esta crise no porto de Mombasa afectou também o Uganda, Ruanda, o este da RD Congo e o Sul do Sudão.

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sábado, fevereiro 9

Quénia: enviado da ONU já está no país.

O coordenador da ONU para emergências humanitárias, John Holmes, chegou ontem ao Quénia para coordenar as acções de ajuda humanitária no país.
Hoje visitou já dois locais afectados pela violência: Nakuru e Molo na região noroeste do país, onde se concentram em campos de refugiados mais ou menos improvisados muitos dos 300 mil deslocados devido à crise política e social no Quénia.
Depois de visitar estes lugares, tendo falado com os próprios deslocados, John Holmes pediu um urgente acordo político pela paz no país.
A visita do enviado da ONU chega num momento em que há esperanças de que uma solução política para a crise ponha fim a esta situação humanitária insustentável.
O enviado disse aos jornalistas que veio ao Quénia para poder testemunhar em pessoa a dimensão dos deslocados que foi provocada por lutas inter-tribais, ao mesmo tempo que dava apoio à mediação levada a cabo pelo Sr. Annan.
"Todos estamos à espera que haverá alguma espécie de acordo alcançado em Nairobi que ajudará para manter a frágil calma que temos vindo a ver pervalecer durante os ultimos dias em áreas como esta", disse Sr. Holmes em Nakuru, onde 11 mil pessoas ficaram sem casa e sendo que muitos deles estão acampados num estádio.
"A alternativa, se não há acordo, eu penso ser de muito maior preocupação no sentido que isso poderá constituir uma razão mais para reiniciar a violência e isso levará a mais pessoas ficarem sem lar e ser obrigadas a fugir, tornando-se muito pior esta tragédia que já se vive neste momento," disse Sr. Holmes à BBC.

Funeral de Deputado
Entretanto, no noroeste do Quénia, foram milhares aqueles que participaram no funeral do deputado David Kibutai Too, morto no meio da violência por um polícia de trânsito durante a passada semana. Raila Odinga disse aos seus apoiantes que qualquer acordo a vir a ser alcançado não será nunca de desconsideração "pela justiça dos Quenianos."

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sexta-feira, fevereiro 8

Quénia: Kofi Annan diz que há progressos 2

Annan: "Grandes progressos nas negociações"

"Estamos a fazer grandes progressos. Conseguimos avançar bastante nas negociações. Os dois partidos concordam em dizer que é necessária uma solução politica para a crise. Espero que a próxima semana teremos ulteriores detalhes": disse Kofi Annan, ex secretario geral da ONU encarregado pela União Africana (UA) das negociações da crise queniana, ao terminar um encontro à porta fechada com o presidente Mwai Kibaki e o lider do principal partido da oposição (ODM) Raila Odinga. "Há optimismo" sublinhou Annan, dizendo no entanto que é ainda muito cedo para falar de governo de unidade nacional. Depois do encontro, Kibaki e Odinga encontraram-se separadamente com os dirigentes dos respectivos partidos. Falando à imprensa internacional, William Rutto, negociador pelo ODM, referiu por sua vez que os partidos tinham chegado a acordo sobre a intenção de formar um governo de unidade: "Concordámos finalmente que há um problema no país e que nenhum dos dois partidos pode andar para a frente por si só. Os detalhes sobre o novo governo, a divisão dos cargos e a data são ainda objecto de debate", disse William Rutto. Entretanto o governo revogou a decisão de proibir o direito a manifestações públicas, em vigor já desde o tempo da campanha eleitoral para as presidenciais do dia 27 de Dezembro, justificando a medida com a melhoria da situação de segurança no país.
Fonte: www.misna.org - 8/2/2008 - 20.01h

Veja aqui a reportagem da BBC sobre esta notícia (em inglês)

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Quénia: Kofi Annan diz que há progressos

Apenas há alguns minutos atrás, Kofi Annan, mediador nas negociações no Quénia entre o governo e a opisição, deu uma conferência de imprensa, depois de ter-se encontrado com o presidente Kibaki e o lider da oposição Raila Odinga.
Nesta sessão duas coisas foram acordadas:
1. Que os lideres (Kibaki e Raila) suportem os pontos de progresso alcançados pelas duas equipas de negociadores;
2. Reunir o parlamento para lhes apresentar os resultados e acordos até agora alcançados das negociações. O parlamento reunirá, provavelmente, na próxima terça feira.

Aquilo que se realça neste momento é que há caminhos percorridos de forma positiva pelas duas equipas, parecendo que ambas as partes começam a chegar a um entendimento comum, cedendo assim das suas intransigentes posições iniciais.

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Quénia: desenvolvimentos positivos?

Annan convocou para esta tarde um encontro entre Kibaki e Odinga

O chefe de mediação da União Africana encarregada de resolver a crise política e social iniciada pela contestação dos resultados eleitorais de 27 Dezembro passado, Kofi Annan, convocou para esta tarde o presidente Mwai Kibaki e o chefe do principal partido da oposição (ODM) Raila Odinga para um encontro à porta fechada sobre os "progressos" obtidos à mesa das negociações entre as duas delegações. Referem-no os meios de comunicação social quenianos e a BBC, precisando que o encontro a decorrer neste momento em Harambee House, Nairobi, onde está já anunciada para o final da tarde uma conferência de imprensa do ex secretario geral da ONU. Segundo os rumores, no final do face-a-face com os dois protagonistas da crise, Annan deverá anunciar a chegada a um acordo politico entre as partes para formar um governo de unidade nacional interino, o qual terá como tarefas modificar a constituição, renovar a Comissão eleitoral e convocar e preparar novas eleições.
Na violência testemunhada depois do anúncio dos resultados eleitorais - que confirmaram o presidente anterior à frente do país - foram mortas, segundo os ultimo balanços em circulação, cerca de 1000 pessoas terão sido mortas, 300 mil refugiados e deslocados, enquanto que a economia sofreu danos ainda por contabilizar.
Fonte: www.misna.org e BBC

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Quénia: depois da crise de violência... a crise humanitária

Segundo a reportagem da BBC, agora que a crise política e de violência pelo país está a voltar ao normal, começa a dar-se conta da crise humanitária em que o pais mergulhou. São mais de 300 mil as pessoas refugiadas e deslocadas dentro do seu próprio país. Milhares terão mesmo atravessado a fronteira e ter-se-ão refugiado no país vizinho, o Uganda.
Entretanto, numa entrevista à BBC hoje, Kofi Annan confirma que não vê a possibilidade de a curto prazo se realizarem de novo eleições. Pelo menos enquanto a situação se manter assim instável. A solução poderá passar sim por um período mais longo de trabalho e o primeiro a fazer é talvez reeleger a própria comissão eleitoral queniana.

Ver entrevista da BBC aqui (em inglês).

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Quénia: o país abre de novo portas a turistas e investidores

Crise pós eleitoral: Investidores e turistas convidados a voltar

"Vinde e estendei as mãos aos quenianos dizendo-lhes: estamos convosco. Não deixeis que seja só aquilo que ouvistes e vistes através dos meios de comunicação social a fazer os vossos juízos." Disse-o o ministro da informação, Samuel Poghisio, num cuidado apelo aos investidores e turistas estrangeiros, convidando-os a voltar ao Quénia, sublinhando que "a violência é diminuta e a maior parte do país não esteve em confrontos." Poghisio disse que aquilo que sucedeu nas ultimas semanas "será recordado como um período negro da nossa história", acusando os meios de comunicação internacionais de ter "inflamado os eventos" e piorado "a imagem do pais aos olhos do mundo."
Entretanto, no oeste do país os combates diminuiram de intensidade e de número, mas não estão completamente terminados e outras 10 pessoas terão perdido a vida em confrontos ontem na região de Trans Nzoia. A zona, desde há bastante tempo palco de batalhas entre comunidades étnicas por causa da posse de terras, viu intensificar-se a violência a seguir aos tumultos pós-eleitorais.
No que diz respeito às reuniões de mediação entre os dois partidos em Nairobi, terminou hoje mais um dia frenético, depois do partido da oposição (ODM) de Raila Odinga ter acusado o governo de armar os militantes responsaveis da violência nas ultimas semanas. Afirmações declaradas como "grotescas" pela maioria. É por tanto um clima tenso aquele em que as equipas de mediadores dos dois partidos estão a trabalhar. Isso mesmo demonstra o comunicado conjunto difundido hoje ao final da tarde pelos representantes dos dois partidos, segundo o qual, "as negociações prosseguem embora que mais lentamente que nos dias anteriores. De todas as maneiras avançando". Discutem-se nestes dias, no dizer de Kofi Annan, os temas quentes que têm a ver com a dimensão política da disputa eleitoral.
Fonte: www.misna.org -7/2/2008 - 19.51h

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quinta-feira, fevereiro 7

Quénia: ultimas do país

Policia acusado de homicidio

Um policia apanhado pelas câmaras da televisão queniana KTN a disparar sobre jovens manifestantes em Kisumu, está preso e será julgado por homicidio. Nas imagens (clique aqui para as ver) vê-se o policia a dispersar os jovens e a disparar tiros para o ar e a pontapear os jovens encurralados; no entanto, momentos mais tarde os dois jovens são encontrados mortos por outros manifestantes. (notícia da BBC)

10 Deputados quenianos proibidos de viajar para USA
Segundo a BBC, 10 deputados quenianos, do partido do governo e da oposição, foram proibidos de viajar e entrar nos USA, devido às suas possíveis ligações com a violência do ultimo mês no Quénia. São suspeitos de ter incentivado manifestações violentas e de provocar o caos.
Economia muito afectada
A economia dos Quénia está profundamente afectada com o actual estado do país. A BBC faz um ponto da situação num artigo hoje publicado online. Em cerca de um mês os preços dos alimentos básicos aumentaram drásticamente: um kg de batatas custava 25 xelins em Dezembro, hoje custa mais 10 xelins; um kg de alhos passou de 150 para 180 xelins. Apenas alguns exemplos de como quem sofre realmente com toda esta situação são sempre os mais pobres.

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Quénia: Conselho Segurança para "Diálogo e Reconciliação"

Delegação ONU do Conselho de Segurança para
"Diálogo e Reconciliação" chega a Nairobi


"Acabar imediatamente a violência, travar os ataques com base étnica, desmantelar os grupos armados, melhorar a situação humanitária e restabelecer os direitos humanos": pediu o Conselho de Segurança da ONU, na sua segunda declaração lida ontem pelo presidente em exercício o panamense Ricardo Alberto Arias. Expressando "profunda preocupação para o facto de que, não obstante os esforços acordados no passado dia 1 de Fevereiro (as medidas acordadas por ambas as partes na resolução do actual problema), os civis continuam a ser mortos, ser sujeitos a abusos e obrigados a deixar as suas casas", o Conselho acolheu favoravelmente "o anuncio de progressos nas negociações supervisionadas pelo ex secretario geral da ONU Kofi Annan". Por isso, reafirmaram que "a unica solução para a crise reside no diálogo, no compromisso e na reconciliação" exortando os dirigentes politicos quenianos "a assumir as suas responsabilidades, empenhando-se plenamente na busca de uma solução politica sustentável". Julgando "a situação humanitária como catastrófica" o Conselho pediu ainda garantias "na protecção dos refugiados e deslocados internos" evidenciando ainda "a necessidade de evitar a impunidade dos responsáveis pela violência".

Ban Ki-moon, anunciou ainda ontem que junto com John Holmes, que vai coordenar as operações humanitárias no quénia, estará presente também no quénia por 3 semanas uma delegação do Alto Comissariado para os direitos humanos, liderada por Louise Arbour. Esta comissão irá investigar as denúncias de "graves violações dos direitos humanos cometidos nas ultimas semanas"; na sua acção no terreno nestas semanas, a comissão irá encontrar-se com as vitimas, testemunhos, exponentes do governo e da oposição e da sociedade civil. "A verdade e a reconciliação têm uma importância fundamental para por fim à violência e prevenir mais violência", disse Arbour num comunicado.

Distribuição dos grupos étnicos no Quénia



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