sexta-feira, dezembro 24

Pureza de Natal


"Obrigado, P. Filipe! Este bocadinho de açucar e arroz vai dar-nos um Natal bonito lá em casa!"
Esta foi a resposta dada por algumas das pessoas que trabalham connosco na Missão. Agradeciam o tradicional "zawadi ya Krismasi" (lembrança de Natal) que costumamos oferecer-lhes.
Que alegria mais pura! Que pureza do verdadeiro sentido de Natal: o pouco, o simples, o humilde que traz uma enorme alegria e faz sorrir quem assim recebe.

Mais uma vez, uma lição grande para mim. Estas palavras e atitudes fazem-me voltar às origens. Fazem-me pensar naquele Menino Salvador que muito poucos reconheceram. Pobre - sem ter onde nascer em condições apropriadas; simples - sem grandes anúncios, sem grandes festas; só os pastores, a "escumalha" do povo de Israel, conseguiu olhar mais profundo e perceber que naquele Menino simples, pobre e humilde, nascia a Alegria maior que o mundo jamais acolheu!

São os gestos desta gente simples, pura e humilde que hoje me ensinaram a olhar mais profundo no que realmente significa celebrar a verdadeira alegria do Natal. Sem mesas recheadas de doces e requintadas refeições, sem luzinhas na árvore de Natal, sem os múltiplos anúncios natalícios que encharcam os nossos ouvidos e olhos, sem o corre-corre das prendas e lembranças...
Se me perguntam se sem tudo isso pode haver Natal... pois eu digo que sim! Precisamente porque este sentido do Natal, simples mas cheio de alegria, é aquele que me enche a vida e o coração.

Fica aqui a partilha de um texto que foi publicado na Agência Ecclesia há 2 dias em que descrevo como vivo o Natal em Pokot. Clique aqui.

A Todos um Santo e Feliz Natal, cheio da Alegria simples, pobre e humilde que é aquela que traz verdadeiro sentido à nossa vida!
Que Deus vos abençoe com um ano de 2010 cheio da Sua Paz.


Etiquetas: , , , , , , ,

sábado, janeiro 2

CARÍCIAS DE DEUS TÖRORÖT NO NATAL 2009

Uma nova década começou! Há quem diga que temos que esperar até ao início de 2011 para verdadeiramente começar uma nova década. Coisas de calendários. Seja como for… a vida para nós em Pökot continua o seu ritmo de sempre: com momentos de alegria, de profundo sentir do caminhar de Deus Töroröt junto com este povo e ainda com outros mais difíceis e desafiantes, mas também eles repletos de esperança e paz. É esse o desejo mais profundo do povo Pökot para as suas vidas. Estas festividades foram para mim cheias de tudo isto um pouco… ao ponto até de me confundiram com um enfermeiro!
Mães com seus filhos para Baptismo na noite de Natal

Instrumento da Graça de Deus
O Natal de 2009 vai ser por mim recordado como o Natal em que celebrei o sacramento do Baptismo pela primeira vez em África. Baptismo de crianças até aos 5 anos. Talvez alguns possam perguntar: mas o que é que há de diferente? Essencialmente nada. Mas se pensar que para as crianças que baptizei tenha sido a primeira vez que viram um sacerdote, talvez comecemos a ver algumas diferenças. Se pensar ainda que todos estes baptismos foram celebrados no meio de comunidades onde a maioria das pessoas não são sequer baptizados, este momento obtém ainda mais significado.

Uma das crianças baptizadas na noite de Natal

Pensando ainda que estas crianças pertencem somente à 2ª ou 3ª geração de cristãos em terras Pökot, a importância ganha ainda mais sentido. Pensar, por fim, que algumas destas crianças talvez não cheguem à idade adulta devido à alta taxa de mortalidade infantil neste cantinho da África, faz com que me sinta um privilegiado em poder ser um instrumento da graça de Deus para estas crianças e suas famílias.
Para a maioria destas crianças, são as mães as grandes interessadas em baptizar os filhos. Os pais, em raros casos baptizados eles próprios, geralmente deixam a educação dos filhos entregue às mães. Há excepções. Com certeza que sim! E começam a ser cada vez mais pouco a pouco.

No dia de Natal durante a missa

Noite de Natal – quase à luz da vela
Na noite de Natal celebrei a missa numa capela chamada Kitelakapel, uns 25km do centro da missão. Deus abençoou-nos nestes dias com chuva, uma raridade nestas paragens. A noite estava fresca… temia que as pessoas não viessem para a celebração. Mas os meus medos foram infundados. É certo que a celebração deveria começar pelas 8 da noite. Mas como de noite não há sol, é difícil para as pessoas saberem bem ao certo as horas do dia… da noite, neste caso! E depois… pressas para quê? Festa é festa! Celebrar com propriedade é algo que os africanos sabem fazer muito bem.

Baptismos durante o Dia de Natal em Konyao

Comigo estava o Ir. Eduardo, português de “gema” como eu. Está a estudar em Nairobi e foi bonito termos passado o Natal juntos. Juntos chegámos e a primeira coisa foi montar o sistema de electricidade ligado a uma bateria e um “inverter”. Bom… chamar “sistema de electricidade” a uns cabos com 2 lâmpadas ligados a uma máquina que transforma 12volts de uma bateria para 220volts é um nome pomposo. Mas lá conseguimos com uns fios e uns troncos de árvores arranjados no local a servir de postes. Luz já tínhamos… mas a verdadeira LUZ, Jesus Cristo, esse estava a chegar!
Depois de esperar pelos pais que iam baptizar as crianças, os padrinhos e mais pessoas para a celebração, começamos a missa pelas 10.30h da noite. A alegria era grande pois sentíamos que o Deus Menino estava de facto a chegar também para estas crianças pela primeira vez. Foram 22 as crianças baptizadas. A missa foi demorada. Para além do número de baptismos, devemos também explicar e orientar cada passo da celebração como se fosse a primeira vez. De facto, para muitos presentes terá sido a primeira vez que estiveram presentes numa celebração de Baptismo.
No final da celebração, já depois da meia-noite, a festa continuou. Convidaram-nos para uma refeição especial de Natal: farinha de milho (tradicional “ugali”) e galinha cozida com uns temperos/ervas locais. E que petisco! Mas o melhor ainda estava para vir. As pessoas tinham preparado canções e danças… para toda a noite!

Os cristãos distribuindo almoço no dia de Natal

Dia de Natal – a alegria do Baptismo
A alvorada do dia de Natal custou um bocadinho mais. A noite tinha sido mais longa do que o costume. Mas havia mais baptismos e celebração numa outra capela. Desta vez quase na extremidade norte da paróquia. 1 hora de caminho do centro da missão. Konyao é o seu nome. Lá nos esperaram as comunidades de 2 capelas: a anfitriã, Konyao, e uma próxima (1 hora de caminho a pé) chamada Kodera. O mesmo ritual da noite anterior: juntar as crianças, os pais (as mães neste caso!) e os padrinhos para o baptismo e finalizar os detalhes todos para o registo no livro dos baptismos. Foram 16 crianças baptizadas numa atmosfera de alegria super-contagiante e que não deixa ninguém presente sem dar o seu pezinho de dança durante a celebração. Nesta capela existe ainda um grupinho de meninas que chamamos de “alelluia dancers”. Abrilhantaram ainda mais o momento.

O nosso almoço no Dia de Natal - à direita Ir. Eduardo

Mas os verdadeiros “artistas” eram as crianças baptizadas. O sorriso com que algumas acolhiam os óleos santos bem como até a água baptismal, a alegria das mães e padrinhos ao ver os seus filhotes baptizados foram para mim o melhor presente de Natal que um ministro de Deus pode receber. Sem dúvida que a graça de Deus e o próprio Deus atravessam e enchem de graça este momento tão sagrado como é o Baptismo. A alegria sincera e profunda expressa nas caras das crianças, das mães e padrinhos não podia provir de outro lugar senão de Deus mesmo.
No final da celebração, como não podia deixar de ser, o especial almoço de Natal: arroz com pedacinhos de carne de cabra. É um verdadeiro manjar e a comida especial para os dias de festa.

Celebração da Missa no Dia Sagrada Família

Domingo da Sagrada Família – confundido com um enfermeiro
De há uns anos para cá que é tradição celebrar o Baptismo para crianças no tempo de Natal nas várias capelas da missão. No domingo seguinte ao dia de Natal planeamos que iria celebrar na capela de Chepoghe, no extremo sul da paróquia. Porém, havia uma dúvida: seriamos capazes de atravessar os rios sazonais para lá chegar? Tinha chovido bastante nestes dias, uma das maiores bênçãos de Deus para este povo. Decidimos que caminharíamos para lá chegar se assim fosse necessário. E assim partimos. Com maior ou menor dificuldade conseguimos chegar. E já nos esperavam os cristãos da capela anfitriã bem como de uma comunidade vizinha chamada Serewo. Foi necessário ainda esperar um bom tempo até que tudo e todos estivessem prontos para a celebração da missa com os baptismos. Desta vez, a capela era pequena para todos. Daí que celebrámos debaixo da grande e sagrada árvore para os Pökot em frente da capela. No final da celebração foi-me explicado que aquela árvore foi no passado o local de muitas celebrações tradicionais Pökot. Agora foi transformada no local da mais importante celebração: a Eucaristia.

Momento durante a homilia (ao fundo a capela local)

A mesma alegria e o mesmo entusiasmo das outras eucaristias com Baptismos foi vivida também aqui. Ainda que tive que interromper a missa em vários momentos pois cristãos e outras pessoas continuavam a chegar da vizinhança. E aqui há que dar sempre as boas-vindas.
Um momento caricato e engraçado nesta celebração foi o facto de duas das crianças que baptizei não pararem de chorar e berrar sempre que me aproximava para administrar os óleos santos e o sinal da cruz. Até que compreendi a razão. Os paramentos deste dia eram brancos e por isso eu estava todo vestido de branco. Estas 2 crianças confundiram-me, nem mais nem menos, com o enfermeiro do dispensário local. E com razão choravam! É que o que esse homem de branco lhes tinha feito tinha sido somente dar-lhes injecções que fazem doer! E assim fui confundido com o enfermeiro… finalmente acabaram por já não temer a minha proximidade depois de várias tentativas. Peripécias da vida missionária!

Momento durante o Baptismo

Foram de verdade muitas as graças e as alegrias que vivi e continuo a viver com este povo Pökot. Certamente que um Natal muito diferente do nosso lusitano. Mas sem deixar de ser a realização de um sonho missionário também para mim. Sem merecer nenhuma destas graças, louvo a Deus por cada detalhe e cada carícia do seu amor que vou partilhando com este povo amado por Ele, Töroröt.
Logo a seguir ao Natal visitamos uma família para uma celebração muito especial… algo que vos direi que nos ensina qual o real sentido da vida cristã. Encontrei-o aqui, no meio deste povo que pouco a pouco vai conhecendo o Amor de Deus que é sem dúvida um Deus de Amor. Conto-vos tudo no meu próximo post!Até lá… Um Santo e Bom Ano de 2010 para todos vós! Um ano cheio das maiores bênçãos de Deus!

Etiquetas: , , , , , , ,

sexta-feira, dezembro 26

Jesus também nasceu em terra Pökot

Chamou-me a atenção que as crianças vestiam diferente. Roupas novas, cheios de cor, limpinhas. Dirigia-me da nossa casa da comunidade para a capela. O dia era importante para mim. Verdadeiramente havia algo distinto no ar. Era dia de Natal. Pela primeira vez iria presidir à Eucaristia na capela central da nossa missão de Kacheliba… confesso estar um pouco nervoso. Não domino ainda a língua local, o swahili. E devia presidir à Eucaristia. E logo no dia de Natal com a capela a abarrotar de gente…

No dia anterior, noite de Natal, tinha ido com o meu colega, P. Hubert, celebrar a vigília na comunidade de Kodich, uma das capelas mais antigas da missão. Não fica muito longe. Cerca de 25km do centro de Kacheliba. Porém, a noite já caída na estrada de terra batida, exigia maior cuidado na condução. A sombra da luz do carro ocultava por vezes autênticas crateras na picada. Mas nada do outro mundo. Tínhamos sim de ter cuidado com o casal que levávamos connosco. É da praxe. Todas as vezes que saímos a algum lugar há sempre gente a pedir uma boleia. Desta vez levávamos connosco um casal que regressava à sua aldeia, depois de ter estado todo o dia no centro de saúde de Kacheliba. O costume - a doença mais comum nestas terras: malária com gastroenterites. A primeira devido ao calor que é uma autêntica incubadora para a proliferação dos mosquitos. A segunda devido à falta de água potável. E estamos só no início da época seca. A água que muitas vezes conseguem arranjar é retirada de buracos feitos nos leitos dos rios ou nos charcos que armazenam a água das últimas chuvas caídas já há mais de mês e meio.

Na bagagem levávamos também um elemento indispensável para a noite: um bidão com algum gasóleo para o gerador de energia da capela. Na verdade, não há luz eléctrica por estas bandas. Esta capela, instalada no perímetro da escola primária construída pelos missionários há uns anos, tem um sistema eléctrico instalado que funciona a partir de um pequeno gerador. A noite ia ser longa. É que é da praxe, depois da vigília, todos se reunirem à volta da televisão da escola para ver um filme sobre a vida de Jesus. É a melhor prenda de Natal que todos podem ter, cristãos e não cristãos.

Chegámos à capela e já esperavam por nós. Obviamente, tudo às escuras. Uma pilha eléctrica aqui e ali. À meia-luz pareciam já estar na capela um bom número de pessoas à nossa espera. O que verificámos ser verdade, depois de alguns trabalhos para pôr o gerador a funcionar. Mas lá conseguimos com a ajuda do catequista.

A celebração estava marcada para as 8 da noite. Havia baptismos de 9 crianças, filhos de cristãos baptizados. Pelo menos um dos pais deve ser já baptizado. Porém, eram 8 e meia da noite e apenas uma mãe com o seu filhote para baptizar marcava presença. Tínhamos que esperar, como sempre, à boa maneira africana. Aqui a hora certa é sempre muito relativa: a hora certa é aquela em que se chega, não aquela que se combina!

Um dos problemas com que lidamos neste povo é o facto de os homens Pökot serem muito resistentes a aderir à prática cristã. De facto, o maior número de baptizados em toda a missão Pökot são a mulher e os adolescentes/jovens que tenham recebido formação escolar. Por outro lado, alguns homens acabam por se casar tradicionalmente com mais que uma mulher, facto que os impede de receber o baptismo.

O meu colega, entretanto, aproveitou para confessar alguns cristãos já ali presentes. Ao mesmo tempo, na capela, já se iam afinando os cânticos para a celebração. A capela já estava com muita gente. Alguns cristãos chegados para celebrar o Natal do Deus Menino. Muitos outros chamados pela curiosidade do eco dos cânticos que se ensaiavam.

Quase às 10 da noite estava tudo a postos. Todas as mães ali estavam com os seus filhotes para serem baptizados. À 4ª chamada, por fim, já ali estavam todas. Pais, nem um sequer. Finalmente podíamos iniciar. O calor da noite fazia que o odor dentro da capela a abarrotar de gente fosse intenso. Sobretudo, um odor típico do povo Pökot, todos os dias a lidar com os animais. Não havia dúvida. Aqui respirava-se Pökot!

A celebração foi-se desenrolando sempre, porém, com aquilo a que costumo chamar o ambiente litúrgico africano. Isto é, sem muito preciosismo e atenção aos rituais por parte das pessoas. Muitas delas só participam na Eucaristia duas ou três vezes por ano. Não estão habituados à liturgia com os “pontos nos is”. É tudo bem mais natural e espontâneo. Na verdade, creio mesmo que se alguns liturgistas europeus aqui viessem teriam um ataque do coração, tal é o ambiente de muito à vontade com que as celebrações aqui se desenrolam. A maior parte dos participantes nestas celebrações maiores não são sequer cristãos. Por isso, entram e saem quando muito bem lhes apetece. Ou então o bebé que começa a chorar e a mãezinha dá-lhe de imediato a chupeta africana: o peito a mamar! Sem pejo e com toda a naturalidade.

É chegada a hora do baptismo. Explicamos os ritos, os sinais, os gestos de todo o sacramento. Levámos a água connosco num pequeno bidão de plástico. A bacia é também levada pelo missionário. Não há pia baptismal. A concha para o baptismo, é a melhor e mais natural, aquela que Deus criou: as mãos do sacerdote. Sente-se a alegria no ar, expressa no entusiasmo com que todos na capela cantam o hino de agradecimento ao Senhor por mais estes dons sobre os seus filhos Pökot.

Entretanto a luz apaga-se. O gerador deixou de trabalhar. Tudo às escuras. “Eu vou ver o que se passa, Hubert!” – disse eu ao meu colega que presidia à celebração. Tirei a minha estola e com a pilha que sempre trago “à mão de semear” fui com um dos catequistas presentes ver o que se passava. Alguém, por maroteira tinha desligado o gerador. O combustível que lhe tínhamos posto era impossível ter já terminado. Junto ao gerador, no meio da escuridão apenas quebrada pela ténue luz da pilha eléctrica, deparo-me com um guarda local, de klaschenikov em punho. “É o vigilante, sr. Padre! Não se preocupe!” – tranquilizava-me o catequista. Ele que, logo que se apercebeu que alguém tinha desligado o gerador por maldade, começou a gritar com o vigilante armado pela sua incompetência em não guardar bem o gerador e não deixar ninguém aproximar-se.

Voltámos à capela com o problema resolvido e com a eucaristia a prosseguir. Não houve mais incidentes até ao final da eucaristia. Apenas e só o ambiente do costume… sempre um burburinho aqui e ali, descontracção, muito à vontade e também muita alegria. No momento de acção de graças foram 3 os cânticos que se cantaram… acompanhados pela típica dança Pökot, Adongo. Uma espécie de saltos na vertical ao ritmo do canto. É tal a energia contagiante desta alegria que nem mesmo o padre pode deixar de bater as palmas e saltar com alegria.

A seguir à celebração seguia-se a sessão da meia noite, com o filme sobre o nascimento de Jesus recentemente saído aos ecrãs. Claro, em inglês. É mais uma vez o trabalho do catequista fazer a tradução para as pessoas ali sentadas, agora já no recreio da escola. Num ápice, os bancos da escola que antes tinham sido levados para a capela, aparecem agora no recreio da escola. Dezenas de pessoas ali ficam até bem de madrugada. Afinal, é noite de Natal, noite de alegria, noite diferente.

Ficámos com as pessoas por um tempo, mas era necessário regressar à missão. Aguardava-nos ainda cerca de 45 minutos de viagem pelas picadas Pökot sempre cheias de surpresas ao mais pequeno descuido. Eram já uma e meia da madrugada quando chegámos a Kacheliba.
No dia seguinte de manhã era o tempo de outras emoções. A primeira celebração em terra Pökot em língua swahili presidida por mim. O sonho de muitos anos de formação missionária. O sonho de qualquer missionário: trazer Jesus Eucaristia ao meio deste povo que caminha e é também amado pelo Deus Menino.

Festa que se preze em África não deve nunca começar à hora marcada! Com meia hora de atraso, às 10.30 da manhã, na capela principal da missão, iniciava-se a Eucaristia do dia de Natal. Sentia um nervoso miudinho. Mas tinha-me entregado nas mãos de Deus Pai, Töroröt Papo, como assim lhe chamamos em língua Pökot. E como por milagre, apenas iniciei a Eucaristia com o sinal da cruz, senti que já nada me fazia temer. Era o Deus Menino aquele que agora tomava a dianteira. Era Ele o festejado e o Senhor da Festa. Por isso deixei-me apenas ser instrumento do Seu Amor também por este povo Pökot na missão de Kacheliba. Estava seguro que assim, tudo iria correr bem.

E assim foi! Deus Menino Jesus também nasceu no coração do povo Pökot da missão de Kacheliba, Quénia.

P. Filipe Resende, mccj
Relatos da Missão em Kacheliba
North Pökot – Quénia
Foto: Momento da homilia na capela de Kacheliba – Natal 2008

Etiquetas: , , , , , , ,