segunda-feira, novembro 29

Mensagem à minha paróquia

Regressando ao Quénia, enviei esta pequena mensagem à minha paróquia de Nogueira do Cravo. Linda a coincidência de regressar à Missão no Quénia na ocasião do Dia Mundial das Missões 2010. Tudo de bom a todos e uma vez mais muito obrigado! Deus vos abençõe a todos!

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sábado, junho 12

Um Casamento Tradicional Pökot

A 24 de Abril, sábado, participei na segunda parte do casamento tradicional de um casal jovem de uma das nossas capelas. Digo a segunda parte pois a primeira tinha sido já realizada umas semanas atrás onde os pais do noivo e o noivo vão até à boma (a casa – conjunto de cabanas ou lar Pökot) dos pais da noiva onde todos se sentam e negoceiam qual o dote a pagar pela filha. Essa é a primeira parte do casamento tradicional pökot.
A caminho da casa da noiva com o dote (gado)

No sábado todos nos reunimos em casa dos pais do noivo e este é o dia em que o noivo vai “buscar” a noiva e a traz para casa para começarem a viver juntos. Todos os amigos e vizinhos se agruparam em casa dos pais do noivo onde as vacas estavam a ser reunidas para serem levadas para o dote da noiva. Contei 13 touros (mansinhos não como os das touradas!). Três deles eram ainda bezerros. Esse foi um dos problemas que mais tarde os pais da noiva tiveram que resolver com o noivo. Partimos todos juntos e, como sempre claro, com muitos cantos de alegria e de contentamento. A casa da noiva não era muito longe… uns 5km! O grande grupo de pessoas eram sobretudo mulheres que tornam a festa bem alegre e bem contagiante com os seus cantos. Ao chegar à boma da noiva a entrada está bloqueada com cordas e atilhos tradicionais.

O noivo a caminho - Julius

Ninguém pode entrar. Sempre através de cantos, os que estão dentro perguntam o que é que ali viemos fazer. Os animais estão ali todos diante da porta da cerca da boma à espera que as negociações funcionem. Os que estamos do lado de fora vamos respondendo: “Viemos buscar a noiva para o nosso noivo!” – respondemos também através de cânticos. De dentro respondem que ela não está em casa, que foi de viagem…

Todos à porta da cancela... fechada!

Claro que se têm que seguir alguns pedidos dos amigos que acompanham o noivo… também dei o meu contributo com 50 xelins (cerca de meio euro!) Depois de pedidos e mais uns trocos acabam por abrir a cerca e os animais entram para o cural e todos explodem de alegria. Porém, noiva ainda nem vê-la. Está escondida numa das cabanas. Os familiares vão ver os animais que foram trazidos pelo noivo e confirmam se tudo está como acordado no dia do primeiro encontro. Parece que haviam alguns problemas…
A "boma" dos pais da noiva

O pai do noivo é chamado para dentro de uma das cabanas para se encontrar com o pai e os tios da noiva. O noivo está com os seus amigos fora da cabana à espera do resultado das negociações entre os anciãos e pais dos noivos. Entretanto os membros da família da noiva distribuem o chá do costume a todos. O pai do noivo saiu e explicou que o número de animais trazidos não corresponde ao acordado. Parece ser que tinham acordado que seriam 19 touros. O noivo trouxe apenas 13 e 3 deles são ainda bezerros! Foi então agora chamar o noivo para que ele diga o que pretende fazer. Por tradição nenhum noivo traz os animais todos neste dia. Ficam sempre alguns por pagar para mais tarde… Assim que o Júlio teve que pôr-se de acordo quando trazer os restantes. Parece que finalmente se chegou a acordo. Entretanto, durante todo o tempo de negociações a noiva nem vê-la ainda, apesar de o ambiente na boma ser de festa completa. As mulheres nunca se cansam de cantar, dançar e pular…

Uma forma engraçada de "servir" as canecas!

Todos a aguardar resultados das "negociações"
Entretanto as mulheres vão à água... ao rio mais próximo

Chegados ao ponto de acordo é então servida a refeição… aqui não há nem 1º nem 2º prato… há um só apenas! Alguns pratos têm mesmo que ser partilhados! Olhei para a comida e logo vi que era comida de festa: arroz e um pouco de feijão… É a comida dos “banquetes.” Entretanto a chuva também fez das suas… e a meio do pratinho de arroz e feijão foi necessário correr para debaixo das goteiras das cabanas para nos protegermos da chuva.

À "mesa" do casamento com o noivo

Sim! Aqui também acreditam que o dia do casamento com chuva é dia de casamento abençoado. Depois de um bom bocado até que terminámos o arrozito com os feijões parou de chover. Eis que finalmente a noiva saiu da sua “toca” (cabana!) acompanhada por 8 adolescentes a cantar e em procissão… E… eis que agora sim! A festa iria começar…

Aspecto da procissão nupcial

Como bons africanos a dita “procissão” devia deslocar-se por uns 30 metros entre a cabana “esconderijo” e a cabana onde as negociações tomaram lugar. Normalmente não toma 2 minutos a percorrer esse espaço. Mas neste dia, passo à frente e passo atrás (de dança!) foram uns bons 20 minutos! Por fim a noiva lá entrou na cabana. Mas o encontro com o noivo não tinha chegado ainda. As raparigas, “damas de honor”, continuaram a dançar cá fora. Cada uma é chamada para ir buscar um dos “amigos do noivo” para que venham diante das moças a cantar e dançar. Ali há um diálogo de cantos procurando dizer se estes “amigos e amigas dos noivos” são por acaso os noivos! É claro que antes que todos acabem de perfilar e serem “julgados” diante das cantoras e dançarinas passa mais meia hora!



Até que por fim é chamada a noiva (sempre através de cânticos) para que vá buscar o seu noivo e o apresente a todos os convidados para a aprovação final. Somente aqui a noiva sai e vai buscar o noivo que está ao lado da cabana mas do lado de fora. É então o auge da alegria para todos os convidados ali presentes. Os cânticos, mais uma vez, a narrarem a história dos noivos pois claro! Bom… e de ali para o local onde se seguirão os discursos.


Por fim... juntos!

Aqui todos os convidados vão também oferecer os seus presentes. Mais uns 10 minutos de “procissão” a cantar e dançar (mesmo com a chuva a encharcar). Tocou-me a mim e ao catequista que estava comigo abrir as hostes com uma oração e umas palavrinhas. Foi um momento muito bonito e também de evangelização. Isto porque lemos um texto de S. Paulo sobre a vida em casal. Pois claro que se seguiram umas palavrinhas explicativas.


Seguiram-se depois muitos outros discursos e também orações. E digo orações porque estariam ali além de nós outras 5 ou 6 igrejas diferentes com o seu pastor. O noivo é católico, mas a noiva é luterana e os pais dela de uma outra igreja protestante africana aqui da área. Assim que é uma “fartança” tutti-frutti de igrejas pois claro!
Chegou o momento de a mãe da noiva e as irmãs vestirem e darem os seus presentes à mãe do noivo e às suas irmãs. Aqui entendemos irmãs também as cunhadas, as tias e as sobrinhas… é o conceito africano de família alargada. À mãe do noivo uma saia e t-shit novas. Às outras um destes típicos panos africanos que as mulheres usam à volta da cintura e que serve também de saia. As famosas capulanas. São entregues uma por uma, com cada uma a fazer uma festa enorme correndo à volta dos noivos com muita alegria. Pensava eu com os meus botões: que alegria tão grande manifestada por somente lhe terem dado um pano novo! Quanta alegria! E a quantos, noutras partes do mundo, lhes são dadas coisas bem mais valiosas e nem festa se faz, nem um obrigado!!!
Chegou o momento dos convidados oferecerem os seus presentes. Os convidados: os católicos, os protestantes, os jovens de cada uma das igrejas, os vizinhos, os familiares… Os presentes: algumas cabras, ovelhas, canecas de alumínio (usadas para o chá!), roupas, pratos, travessas, termos (onde costumam guardar o chá ainda a ferver) e também dinheiro… O dinheiro é curiosamente posto dentro de uma bacia que está coberta com um pano para que ninguém saiba o que cada um vai dando! Porém ninguém dá mais do que o equivalente a 3 ou 4 euros… uma fortuna para alguns. O salário de um dia de 2,5 euros aqui nesta zona é já um bom salário diário.
Bom… mas a festa ainda não tinha acabado. Teria agora que o noivo tomar a noiva oficialmente da boma dos seus pais e levá-la para a sua casa. Mais um momento de júbilo, claro. Regressamos então para a boma do noivo onde a festa continuou até ao dia seguinte, domingo. O meu colega Hubert foi celebrar a missa numa capela perto e no regresso teve que entrar para a festa também. A mim já se fazia tarde e a chuva tinha feito das suas. Porém, não pude abandonar sem de novo ter comido mais um prato de arroz e feijão… a comida por excelência das festas. Nada de bolos, açucares, pudins flã nem nada do que se lhe pareça!
Como já era quase noite tinha que regressar. Tinha medo que não iria poder atravessar o rio grande que ficava no caminho de regresso. E “meu pensado” (não dito!) meu feito! Como tinha chovido muito era impossível passar com o carro.

Um outro dia cruzando o rio a pé até ao carro

Foi necessário ir procurar uma outra boma para deixar o carro até ao dia seguinte. Atravessámos o rio a pé onde já nos esperava o meu colega Hubert do outro lado do rio com o outro carro. No dia seguinte levei o meu colega a esse mesmo rio, atravessou-o a pé, tomou o carro, foi celebrar a uma capela perto dali e, no final da tarde, já o meu colega pôde regressar e atravessar com o carro pois já não havia água no rio.
E é assim a vida que todos os dias vamos encontrando e agradecendo a Deus. Aventuras que depois de 2 ou 3 vezes já o deixam de ser e passam a ser mais bem “trabalhos” pesaditos depois de um dia de visita às comunidades!

Escrito em 30 Abril 2010


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Pastoral em Tempo Pascal

O tempo pascal é, como sempre e como todos os outros tempos, de muito trabalho. Estamos particularmente envolvidos nos baptismos dos adolescentes que receberam as catequeses durante 2 anos e terminaram a formação na Páscoa passada (2010). Este ano mudámos um pouco a tradição e em vez de baptizarmos a todos aqui no centro da paróquia na vigília pascal, decidimos ir visitar as capelas onde vivem com as suas famílias e baptizar lá junto com os cristãos originários dessas mesmas comunidades.
Visita a uma das comunidades

Por vezes isto é mesmo um grande desafio: algumas vezes os padrinhos têm que ser os mesmos para quase todos… como por exemplo, amanhã (30 de Abril) vou a uma das nossas capelas que é mais distante… não tanto em distancia mas sim em tempo para lá chegar: 1h 15m. Isto porque as estradas, ou se quisermos as picadas, não são nada famosas. Estamos em plena época das chuvas e cada vez que saímos é uma aventura! Aqui em Kacheliba o rio voltou a fazer das suas e transbordou e a água chegou mesmo a passar sobre a ponte… no caminho destruiu parte da estrada e ainda algumas casas de pessoas ali do centro, algumas tinham as suas lojazitas de vender algumas coisitas… muitos dos produtos foram por água abaixo.


Na "boma" duma comunidade

Ainda ontem tive um pouco de problemas em passar um dos leitos de um rio no caminho para uma capela. É que o rio quando passa deixa as margens como paredes… ontem foi preciso ir pedir uma enxada para aplanar as margens do leito do rio de modo que pudesse passar. Depois de umas tentativas a coisa lá foi.
Um outro problema que dizia acima é que em algumas capelas os cristãos baptizados são bem poucos. Como a que vou amanhã… estamos mesmo nos começos e por isso os padrinhos acabem por ter de ser sempre os mesmos para quase todos os baptizados. Mas creio que são momentos importantes e lindos para as pessoas.


Nestes dias tivemos 3 encontros simultâneos de catecúmenos. Ao todo os adolescentes são quase 200. Como é tempo de férias (ainda depois do 1º trimestre), podemos fazer os encontros de catecúmenos e formação usando as instalações das escolas. Começámos no domingo à tarde e terminou esta manhã. Este trabalho não o podemos fazer sem os catequistas. Assim um grupo (de cerca de 85) reuniu-se aqui em Kacheliba. Outro numa das capelas a sul – Serewo – a 25km daqui e onde fui todos os dias para celebrar a missa à tarde e à noite passar um filme sobre a bíblia que acompanha as catequeses. Ali estavam cerca de 45. Uma outra capela a norte da paróquia – Kodich – também com uns 55, com o mesmo sistema e onde foi o meu colega Hubert. Já regressávamos sempre depois das 11 da noite! Mas graças a Deus correu bem ao que parece e é sempre uma alegria poder assim ver a vida que floresce nestes cristãos do amanhã.


Depois de amanhã começamos o encontro de fim de semana com os jovens da paróquia. São sempre mais de 100! E terminaremos no domingo. Logo de seguida mais uma semana de formação e encontro com os catequistas aqui na paróquia.

Escrito em 28 de Abril 2010

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domingo, abril 4

Surpresas Divinas em cada dia

O meu último post continha uma promessa: dar notícias em breve! Passaram 3 meses… talvez para alguns a definição de “breve” abrange esses 3 meses! Porém, quando o escrevi queria mesmo dizer “muito em breve”! Não pude cumprir essa promessa. As minhas desculpas. Mas aqui estou… quanto mais não seja para vos saudar com um abraço de amizade no Senhor Jesus Ressuscitado. Quanto não valem as festas cristãs para nos “obrigar” (com muito gosto!) a reactivar os laços de amizade.
Durante estes 3 meses devo confessar que foram muitas as surpresas de Deus – positivas e também as menos felizes...
P. Filipe e P. Hubert na celebração da missa na familia Sakal

Uma festa rara
Ainda celebrávamos as festas do Natal, quando recebemos um convite, pelo menos, bem estranho: uma das famílias cristãs da nossa paróquia queria que fossemos celebrar a eucaristia em sua casa. Até aqui nada de especial. A razão da nossa surpresa era mesmo o motivo de tal celebração. Diziam-nos que tinham convidado todos os afilhados bem como todos os padrinhos e madrinhas do casal Peter Sakal – assim se chama o chefe da família.
Ao chegar a casa da família Sakal deparamos com uma pequena multidão. Muitos conhecidos e conhecidas da paróquia. A família Sakal é uma das poucas famílias com convicções cristãs fortes na nossa paróquia. Os Pökot são de tradição poligâmica (em que um marido pode ter várias esposas).

O casal Sakal à esquerda com os seus padrinhos de casamento

Naquele dia queriam juntar todos os seus afilhados de Baptismo, de Crisma e de Casamento. Ao mesmo tempo convidaram os seus padrinhos de Baptismo, de Crisma e de Casamento também. Num local onde os “católicos praticantes” - isto é, “comungantes” - são poucos, podemos já imaginar que o casal Sakal foi chamado a apadrinhar muitas crianças, jovens e ainda alguns matrimónios.
Nesse dia, toda a vizinhança teve um dia de festa. E festa aqui significa também uma refeição melhorada com um pouco de arroz e carne, algo bem raro nas dietas diárias deste povo.
Foi lindo o momento em que o casal apresentou todos os seus afilhados uns aos outros. Ainda emocionante foi ver o gosto com que no final da missa apresentaram a todos os presentes os seus padrinhos de Baptismo, de Crisma e de Casamento.

Um aspecto de toda a assembleia

A razão de tanta festa saída das próprias palavras do casal deixa qualquer missionário contente com o empenho desenvolvido ao longo dos anos na missão. Disseram: “quisemos juntar-nos hoje somente para aprofundarmos o que significa ser padrinho ou madrinha da fé que nasce em cada um de nós. Queremos que na nossa paróquia sejamos mais e mais conscientes do que realmente significa apadrinhar ou apoiar alguém na sua caminhada de fé na igreja.” Confesso que fiquei surpreendido e maravilhado como Deus vai realizando tantas maravilhas no meio deste povo que apenas há 35 anos começou a escutar a Palavra de Deus.

Preparando a comida

Um “espinho duro” no coração
Um dos momentos mais difíceis para mim na missão até hoje aconteceu no início de Março deste ano. Aquilo que era previsto ser uma greve dos alunos da escola secundária masculina (aqui mesmo ao lado da missão) acabou por ter contornos bem dolorosos.
O dia ainda começava a clarear quando fomos despertados aqui na missão por gritos. Os estudantes tinham começado a atirar pedras e a bater no director da escola. Corremos eu e o meu colega P. Hubert. Ao chegarmos demos com uma multidão de estudantes enfurecidos a destruir o escritório do director com ele lá dentro. Alguns mesmo batiam-lhe com paus arrancados dos ramos das árvores do recinto da escola. Imediatamente acudimos o Director da escola e tentámos defendê-lo da fúria enraivecida dos alunos. Não os conseguimos acalmar mas pelo menos conseguimos defender o pobre Director de ficar mais ferido ou mesmo de o chegarem a matar. Eu não acreditava no que via à minha frente. Quase 2 centenas de estudantes que mais pareciam guerreiros com pedras e paus nas mãos, prontos para avançar não fosse eu e o meu colega estarmos entre eles e o Director. Em vão corria eu à frente dos rapazes tentando acalmá-los. Pelo contrário, tentavam ludibriar-me para chegar até ao escritório do Director onde estava também o meu colega P. Hubert. Tomou 30 minutos à polícia para chegar para que os estudantes dispersassem da escola. Esse dia foi muito longo pois logo se sucederam reuniões de emergência para ver o que fazer a seguir. A escola foi encerrada por uma semana. Foi a semana mais dura desde a minha chegada à missão. Tudo porque todos os dias dessa semana foram necessários para reuniões com uma espécie de Conselho Escolar onde pais, autoridades locais, professores e o “patrocinador” da escola (a paróquia da Missão) estamos presentes. Depois foi necessário receber cada um dos estudantes um a um para tentar perceber os motivos da rebelião. Acabámos por expulsar 8 alunos da escola e mandar outros 7 de suspensão por 2 semanas
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Alunas da escola secundária para raparigas
recentemente aberta em Serewo

O mais doloroso foi aperceber-me que o motivo profundo e trágico deste grave acontecimento é o tribalismo. Os Pökot começaram a enviar os seus filhos para a escola de uma forma mais geral apenas há uns 10 anos a esta parte. Há muito poucos naturais preparados para assumir cargos como professores, médicos, enfermeiros e mesmo pessoal técnico dos mais diversos campos. Por isso, há muitas outras pessoas de outras tribos que aqui prestam serviços como professores, médicos, enfermeiros. Parece que neste momento os políticos locais começaram uma campanha de querer mandar todos os não-Pökot de outras tribos para fora deste local. O mais duro e puro tribalismo. Estou plenamente convencido que é uma campanha que começa no próprio representante Pökot no governo, uma espécie de governador do distrito. Algo grave que apenas nos mostra que ainda há muito trabalho para fazer até chegar ao coração dos Pökot com as palavras de Jesus: amor ao próximo, perdão e comunhão… Apesar de dura, esta experiência apenas me confirma que este é o lugar certo para onde Deus me enviou no momento justo e na altura certa: a missão é testemunho da Verdade, do Amor e da Compreensão. Para mim, estas são razões mais do que suficientes para querer continuar aqui a servir o Reino de Deus – a missão a que Deus me enviou!

Ainda assim… o triunfo da VIDA!
Esta Páscoa foi a primeira passada aqui na missão de Kacheliba. O ano passado encontrava-me a terminar o curso da língua swahili na Tanzania. E claro que foi bem especial…
Todos já escutámos como a Páscoa vivida na missão é sempre especial. Se esperamos celebrações litúrgicas seguidas à risca pelos cânones litúrgicos pois essas não as encontramos aqui. E talvez isso seja mesmo aquilo que torna a vida da Igreja em África… digamos que… diferente!

Adolescentes baptizados na noite de Páscoa em Konyao

Ontem à noite celebrei a vigília pascal numa das nossas capelas mais distantes chamada Konyao, a uns 50km de Kacheliba, 1 hora de viagem (se tudo corre bem!!!). Esperavam-me 18 adolescentes para serem baptizados depois de 2 anos de Catecumenado. Juntar-se-iam nesta noite os cristãos de 2 capelas para celebrar os baptismos de novos cristãos.
Logo à chegada foi necessário prover a luz à capela pois ali ainda não há electricidade. Com uma bateria, um inversor de corrente e umas gambiarras com lâmpadas já podemos “dar à luz”. A capela estava bem composta e ao longe já escutava os ensaios dos cânticos para uma noite que seria longa.
Depois de 3 horas e meia de celebração a alegria estava de facto estampada no rosto de todos. Realmente (pensava eu com os meus botões), a VIDA do RESSUSCITADO é algo incrivelmente grande e que enche o coração de todos os povos. Sejam eles mais ou menos instruídos. Mais ou menos profundos na sua fé…
O regresso à missão foi já de madrugada… com o único senão que viajava sozinho de regresso! Não… não tinha medo! Graças a Deus, neste momento, há segurança mesmo durante a noite. O único problema era mesmo se tivesse algum problema mecânico… aparte dos furos que são o “pão-nosso” de cada dia e que são normais nestas paragens! Tudo correu bem e à chegada, já perto das 2 da manhã, ainda encontrei os meus colegas a pé que também regressavam dos seus empenhos noutras capelas.
Hoje, dia de Páscoa, a manhã começou de novo cedo. Numa outra capela chamada Simotwo, esperavam mais adolescentes para serem baptizados. Pelo caminho tive que “inventar carreiros” para poder chegar à capela… a chuva das últimas semanas (outra surpresa linda e bem apreciada de Deus) tinha tornado o caminho normal impraticável. Entre atalhos e “desatalhos”, lá chegámos com a graça de Deus.
Já a comunidade cristã estava reunida e entusiasmada praticando os cânticos pascais alegres depois do tempo da Quaresma. Durante toda a celebração a alegria de novos cristãos era bem evidente: sorrisos e cantos alegres ecoavam a cada momento. Os 7 adolescentes que foram baptizados e que receberam a comunhão pela primeira vez luziam de contentamento com as suas pequenas velas acesas. Era mais que evidente que a Graça e a Luz de Jesus Ressuscitado enchia os seus corações.

O sistema eléctrico à doc

Deus é sem dúvida o Deus das surpresas… boas e também as menos boas. É que em todas elas Ele nunca deixa de nos abençoar: nas boas enche-nos de alegria; nas menos boas dá-nos a sua força e coragem para enfrentarmos cada dia com o entusiasmo e a alegria da VIDA NOVA da RESSURREIÇÃO – ALEGRIA, PAZ, AMOR MÚTUO E ENTREGA DA VIDA PELOS OUTROS.


Grupo de adolescentes baptizados em Simotwo no dia de Páscoa

UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS VÓS!
PASKA NYÖ KARAM
(Feliz Páscoa em Pökot)

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domingo, maio 24

Regresso em cheio!

Eis-me de regresso à terra Pökot – Kacheliba! Depois de 4 meses de estudo intensivo da língua kiswahili na Tanzania, eis que é chegado o momento de me instalar definitivamente na missão.Poderia dizer que os meus dois primeiros dias deste regresso foram um aperitivo bastante apaladado: eucaristia debaixo das árvores, crianças a aprender a ler e a escrever debaixo de outras árvores, ser bons samaritanos e ajudar a polícia a desenvencilhar-se da sua pick-up atascada no rio, furo no nosso carro, cruzar o rio a pé antes de nos aventurarmos com a pick-up…, enfim… aquilo a que chamaria a vida de um missionário aventureiro no tempo das chuvas por estas paragens. Mas a Missão é muito mais do que isto…

Regressei a Kacheliba no dia 13 de Maio. Não! Não o escolhi de propósito. Apenas e tão somente aconteceu. Alguns dos nossos jovens lusitanos costumam dizer “correu mal” quando algo não saiu da forma esperada. Bom… no meu caso diria “Não podia ter corrido melhor!” Talvez (ou será mesmo isso) Deus queria dizer-me que a sua bênção por intercessão de Maria estaria sempre comigo. Senti que Maria chegava comigo a Kacheliba nesse dia. E por isso não devo temer seja o que for. Não fosse eu um bom portuga e devoto de N. Sra. de Fátima.
O meu superior e colega de missão, P. Giancarlo Guiducci já estava à minha espera em Kitale. Esta á a cidade mais próxima da nossa missão onde costumamos ir às compras. Fica a 80km de Kacheliba. 40 dos quais em estrada alcatroada. Os restantes 40 são em terra batida. Mas… encontrei a estrada muito melhor do que a deixei em Janeiro passado. Aqui trabalhou-se durante estes meses.
Surpresa das surpresas… à minha chegada o meu colega P. Hubert tinha preparado um bolo para celebrar a minha chegada. Digamos que um pedacito de bolo aqui nestas paragens é de facto uma raridade. Nesse dia também jantámos com a comunidade das irmãs franciscanas, a nova congregação que entretanto veio trabalhar aqui em Kacheliba depois da partida das Irmãs Combonianas em Março passado. É uma comunidade pequenina a das irmãs: duas irmãs africanas, a Irmã Agnes e a Irmã Ciprian. Uma é a encarregada do dispensário ou Centro de Saúde aqui da missão. A mais jovem, a Irmã Ciprian dá aulas na escola primária da missão. Desde logo me senti em casa. A Mama Tereza, a senhora que ajuda as Irmãs nas lides da casa, lançou-me um sorriso de alegria do meu retorno de tal forma que logo percebi que era bom sentir-me em casa de novo.
Logo pela manhã do dia seguinte saí com o meu colega P. Hubert. Fomos visitar uma capela que foi começada há bem pouco tempo, há poucos meses. Tão poucos que ainda nem sequer se prevê a construção da capela. Graças a Deus, na nossa paróquia podemos chegar a todas as capelas com a pick-up. Ainda que para isso algumas vezes seja necessário sair do carro e com a machada, cortar uns arbustos ou árvores que entretanto cresceram no meio do caminho. Outras vezes, no tempo das chuvas, temos que atravessar rios sazonais. Desta vez não fomos nós a atascar-nos no rio… já alguém lá estava a “dar de beber aos cavalos” (do jipe)! Nada mais nada menos que o carro da polícia. Escoltavam um outro jipe das Nações Unidas para chegar até uma escola a menos de 1km do rio. A UN anda a fazer um levantamento das escolas que recebem ajuda para a alimentação das crianças. Há que arregaçar as calças (as mangas não pois aqui anda-se sempre de manga curta!), tirar as sandálias e meter-se ao riacho para ajudar a resolver o assunto. Mais ou menos tempo decorrido, sempre se arranja maneira de retirar de lá o jipe. Fomos à nossa vida e chegámos à nossa capela com o nome bastante simples de Katukumwok. Fácil de pronunciar não? Debaixo de umas árvores, estava uma cadeira e um banquito. “Podemos celebrar aqui?” – perguntou o catequista. “Claro que sim!” – respondemos de imediato. “Uma mesa e outra cadeira estão a caminho” – retorquiu ainda o catequista. Mais tarde vi que a mesa tinha sido transportada à cabeça por uma das senhoras desde uma distância de pelo menos 2km!
A uns metros dali estava a escola pré-primária… claro está também debaixo das árvores. Contei as crianças: 23! “Mas são muitas mais” – disse-nos o professor. “Os outros estão com os pais nos campos! Por isso não puderam vir. Estão com os pais a ajudá-los a cultivar os campos!” Crianças de 4, 6, 7 anos? – pensei. É verdade! Estamos no tempo das chuvas e como aqui as chuvas são também escassas e incertas muitas vezes, há que aproveitar o tempo e as chuvas para plantar um pouco de milho e de soja. Os Pökot, por natureza e tradição, não são agricultores. São pastores. Mas há já bastantes que começaram também a cultivar terrenos. Um dos frutos de 30 anos de trabalho missionário também nestas paragens. Foi bonito por isso ver pelo caminho fora as pessoas nos campos. Sente-se a esperança no ar, a esperança de poder recolher algo dos campos. A alegria do dom das chuvas, dádiva de Ilat – o espírito das chuvas – um dom maior do Deus Töroröt, Deus Único em língua Pökot.
Voltamos às crianças da escola pré-primária. Quiseram presentear-nos com uma canção a Maria. Ao princípio estavam um pouco envergonhados. Raramente vêem o missionário e muito menos um branco. Lindo! Um ritmo e uma cadência no canto que deixariam algumas bandas rock envergonhadas!
Começamos a eucaristia. O meu colega celebra a missa em língua Pökot, mas tudo o resto é em língua swahili, depois traduzida para Pökot pelo catequista. Sim… é verdade! A língua kiswahili em vários lugares da nossa paróquia/missão não é suficiente. Especialmente as senhoras e os anciãos, que não foram à escola, falam apenas o Kipökot. Sim! Adivinharam… dentro de alguns meses tentarei também aprender o Kipökot… outra língua mais! Apenas e só que esta é bem mais difícil que o kiswahili. Veremos!
É normal que as pessoas aqui celebrem a missa com todo o à vontade e também com tudo aquilo que são: simples e puros, celebrando a louvando a Deus Töroröt com toda a alegria e simplicidade. As mães com o seus filhotes ao colo, muitas vezes até a serem amamentados, seguem as palavras do meu colega P. Hubert como alguém que deseja saber mais e mais sobre o amor de Deus por eles e por toda a humanidade. É confortante saber como, mesmo no meio de tanta simplicidade, há nestes corações dos Pököt uma ânsia de conhecer e saber mais sobre Deus, sobre Jesus, sobre a nossa vida voltada para Ele. Na Europa e no mundo assim dito “civilizado” Deus já passou de moda… já não precisamos dele (pelo menos assim pensam alguns!). Aqui, conhecer Deus e escutar como Ele nos ama mesmo nas mais degradantes situações, é um privilégio que muitos Pököt não têm acesso.
No regresso à missão, já a meio da tarde, pude também observar a apanha dos “kumbekumbe”, uma espécie de insectos que são um dos melhores petiscos cá destas terras no tempo das chuvas. Normalmente nascem e crescem dentro dos formigueiros. Há toda uma técnica especial para os apanhar. Secam-nos ou torram-nos e depois serve-se frio com uma pitada de mais nada. Assim mesmo. Crus. Tenho que experimentar um dia destes… pode ser que me saibam a saudosas moelas ou pataniscas!
Regressámos à missão sem outras complicações, graças a Deus. Pelas 4 e tal da tarde tomamos o nosso almoço quase como nos casamentos… mas olhai que aqui não houve casamento nem aperitivos em casa da noiva antes da cerimónia… Houve sim alegria! Pelas 6 da tarde a capela estava quase cheia na celebração da missa com os jovens da escola secundária para a missa que celebramos com eles todas as quintas-feiras. Uma alegria e jovialidade como poderão imaginar.
O dia não podia terminar sem outra situação do dia a dia da missão. Todos os dias o gerador da missão é ligado pelas 7 da noite até às 9 e pouco uma vez que aqui nesta missão ainda não temos electricidade pública. Temos cerca de 300 jovens da escola primária e secundária da missão nos internatos. É necessário por isso prover-lhes com alguma luz para o estudo nocturno também. Nesse dia o gerador não queria começar… levamos o carro para ligar a bateria pensando que poderia ser da bateria do mesmo gerador. Nada! Verificámos tudo e nada… bom tudo não… quase tudo! Afinal era um dos fusíveis que estava queimado. É que aqui não temos as páginas amarelas para ir procurar um técnico para nos resolver o problema… ou o resolvemos nós ou então ninguém o resolve… O “busca-busca” do problema não foi à luz da vela mas sim à luz das pilhas ou foxes como assim chamamos na minha terra. Só faltava a música psicadélica como nas discotecas…
No dia seguinte dirigimo-nos para a outra missão comboniana nesta região Pökot. Encontramo-nos com os outros missionários e missionárias para um dia de retiro. Escusado será dizer que o carro vai sempre cheio de pessoas. Há sempre gente a querer movimentar-se e a pedir boleia. Felizmente hoje em dia já há alguns transportes públicos mas algumas pessoas não podem sequer pagar a viagem assim que se dirigem aos missionários para pedir boleia. Levamos connosco um dos nossos catequistas, dois estudantes combonianos que farão a sua experiência missionária nessa missão, e mais algumas pessoas. São cerca de 120km em estrada de terra batida… às vezes, no tempo das chuvas, não tão batida quanto seria desejável, pois em vários momentos tivemos que sair fora da estrada-picada para fugir à lama e poças de água que nos poderiam deixar atascados. Felizmente conseguimos passar todos os possíveis problemas com maior ou menor facilidade. A um dado momento chovia que “Deus a dava”! Pobres pessoas que iam atrás na pick-up. Tivemos que parar para recolher-nos por uns momentos numa das cabanas perto da estrada. Chegámos até bem perto da missão. Mas havia um último obstáculo: atravessar o rio que levava alguma água no seu leito, suficiente para nos fazer esperar uma meia hora. Atravessámos o rio várias vezes a pé. É a primeira coisa que tem que ser feita ao queremos atravessar um rio. Tirar de novo as sandálias, arregaçar as calças até acima do joelho e meter-se rio dentro. Eu e o meu colega Hubert, assim que entrámos no rio a pé, logo concordámos que haveria que esperar para ver se o rio baixava…
Entretanto tivemos tempo de ainda pôr no devido lugar o pneu que tínhamos furado uns quilómetros antes… mas os furos aqui são “tão naturais como a sua sede” – como dizia a publicidade.
Por fim, achamos que poderíamos atravessar… já depois de mais de meia hora de espera. E lançamo-nos ao rio… sempre numa incerteza mas com a certeza suficiente de que poderemos atravessar sem muitas dificuldades. Pulo aqui e pulo acolá, lá conseguimos atravessar para alívio dos que vinham connosco, bem como nosso também.
No dia seguinte, o retiro foi oportuno para agradecer a Deus pela boa viagem que tivemos… por nos ter permitido chegar bem a Amakuriat, o nome da outra missão comboniana em terras Pökot. Aqui está mais uma comunidade missionária comboniana entre o povo Pököt: 3 sacerdotes e 4 irmãs missionárias combonianas.
Legendas fotos:
Foto 1: Crianças referidas no artigo da escola debaixo da árvore em Tandopos
Foto 2: Mães Pokot referidas no artigo na comunidade de Tandapos
Foto 3: Crianças Pokt durante a missa em Tandapos
Foto 4: Escola primária com 8 salas de aula em Lokornoi

Kacheliba, terra Pökot (Quénia) – Maio 2009

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segunda-feira, outubro 20

Quénia: missão que me espera!

Olá malta amiga!
Encontro-me, como sabeis, quase de partida e de volta para o Quénia. Será, se Deus quiser, no dia 16 de Novembro próximo. E já não é sem tempo! Se tivesse dependido só de mim... já lá estava, obviamente! Mas, graças a Deus, estou a recuperar muito bem... já quase a 100%.
Gostaria de iniciar aqui a publicação de algumas notícias sobre o Quénia. São notícias que são publicadas no sitio da web de um dos jornais do Quénia o "Daily Nation". Para facilitar a compreensão, acrescento-lhes a tradução em legendas... até porque o inglês do Quénia não é propriamente o puro "british".
Espero que esta seja uma forma de, juntos, irmos preparando esta partida missionária. Nem vou só, nem parto só! Parto em nome de todos vós também, amigos e amigas!
Espero que gostem de iniciar a partida comigo... como dizemos no Quénia: safari njema, ou seja, boa viagem!

Turkana, Quénia - Seca dura há 2 anos
O grupo étnico Turkana situa-se no noroeste do país, vizinhos do povo Pokot.
Os Combonianos temos 2 missões nesta zona semi-desértica, tal como a zona Pokot.

Missão de Barpello: Projecto médico em risco

Graças a Deus, o problema deste dispensário

foi solucionado com alguma boa vontade por parte de todos.

Graças a Deus!

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quinta-feira, outubro 9

Outubro Missionário: porque tenho de partir!

Foi na passada sexta feira. No Programa Ecclesia da RTP2. O Frei José Nunes expressar aquilo que eu tantas vezes já o tinha expressado com colegas meus: TUDO É MISSÃO, MAS NEM TODA A MISSÃO É AD GENTES... Portanto, não nos tocaria a nós, Missionários Combonianos, como missionários especificamente Ad Gentes, deixar de partir para esses lugares onde Jesus ainda não é conhecido.

No momento da minha partida para o Quénia que se aproxima, muitas pessoas me têm dito: "Porque vais para tão longe? Nós cá também precisamos de missionários! Para quê ir para tão longe? Afinal... não deixas de ser missionário também aqui em Portugal!"

Faço minhas as palavras do Frei José Nunes porque elas têm sido também aquelas que me enchem o coração, a boca e a mente. Creio que basta ver e escutar estes excertos do programa para me conseguir fazer entender a todos os que me questionam porque tenho de partir! Porquê? Porque nós não temos o direito de negar o evangelho e Jesus Cristo aos outros que não O conhecem. Nós não temos de impingir nada a ninguém, nem pensar que somos os únicos salvadores... É a partilha de UM Tesouro que nós temos em Jesus Cristo que não podemos deixar de anunciar a quem ainda não O conhece! É só por isto...

Os dois primeiros videos são excertos do terceiro e último. Os primeiros expressam aquilo que tenho no coração e me faz partir. O último analisa o que deve ser o Mês Missionário e como deve influir e influenciar as vidas de todos os cristãos em Portugal. São belos os últimos pensamentos e declarações do Frei José Nunes neste último video. É só clicar e disfrutar!

Obrigado P. José Nunes!

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Outubro Missionário: Guião Outubro Missionário

Reportagem do programa Ecclesia na RTP2 a lançar e fazer a apresentação do mês de Outubro Missionário através o Guião que todos os anos é preparado para ajudar os cristãos a viver este mês missionário de uma forma mais empenhada nas suas paróquias.
Peça exemplares deste Guião junto do seu pároco, do Secretariado Diocesano das Missões da sua Diocese, Obras Missionárias Pontifícias em Portugal ou aos Missionários (Combonianos, Espiritanos, Verbo Divino, Boa Nova, Consolata, etc...).


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